Além da balança: estudo revela novo efeito do Ozempic na saúde

Por Vanessa Loiola 24 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Além da balança: estudo revela novo efeito do Ozempic na saúde

Um estudo apresentado no Congresso Europeu sobre Obesidade (ECO 2026) indica que medicamentos como Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Saxenda podem oferecer benefícios além da perda de peso. Segundo os pesquisadores, pacientes que apresentaram maior redução do índice de massa corporal (IMC) também tiveram menor risco de desenvolver doenças associadas à obesidade.

A pesquisa analisou condições como apneia obstrutiva do sono, doença renal crônica, osteoartrite e insuficiência cardíaca. O estudo foi liderado pelo professor John Wilding, da University of Liverpool, e avaliou informações de 89.718 pacientes nos Estados Unidos. Os resultados foram divulgados pelo ScienceDaily.

Quanto maior a perda de peso, menores os riscos

Os pesquisadores acompanharam pessoas que iniciaram tratamentos à base de GLP-1 entre janeiro de 2021 e junho de 2024. Entre os medicamentos analisados estavam a semaglutida, presente no Ozempic e Wegovy, a tirzepatida, usada no Mounjaro, e a liraglutida, princípio ativo do Saxenda.

A equipe monitorou as mudanças no IMC durante o primeiro ano de tratamento e depois relacionou essas alterações ao risco de desenvolver doenças até junho de 2025.

Segundo os resultados, participantes que reduziram o IMC em pelo menos 15% apresentaram risco 37% menor de osteoartrite e 30% menor de doença renal crônica quando comparados aos pacientes que perderam menos peso.

Apneia do sono teve uma das maiores reduções

Entre os pacientes que apresentaram maior emagrecimento, o risco de apneia obstrutiva do sono foi 69% menor. Os pesquisadores também observaram redução de 32% no risco de insuficiência cardíaca, embora esse resultado não tenha alcançado significância estatística suficiente.

Segundo os autores, os dados reforçam a relação entre perda de peso sustentada e melhora de problemas frequentemente associados à obesidade.

Ganho de peso elevou risco de complicações

O estudo também avaliou participantes que ganharam peso após o início do tratamento. Nesse grupo, o risco de insuficiência cardíaca foi 69% maior em comparação com pessoas que perderam menos de 5% do IMC.

Os cientistas também identificaram aumento no risco de apneia do sono, osteoartrite e doença renal crônica entre pacientes que apresentaram ganho de peso durante o acompanhamento.

Metade dos pacientes interrompeu tratamento

Outro dado que chamou atenção dos pesquisadores foi a interrupção do uso dos medicamentos. Segundo a análise, cerca de metade dos participantes deixou de utilizar os remédios à base de GLP-1 em até um ano.

Mesmo assim, os cientistas continuaram acompanhando os pacientes para entender como as mudanças de peso influenciaram os resultados clínicos ao longo do tempo.

Para os autores, os resultados sugerem que alcançar e manter a perda de peso pode ser um dos principais fatores ligados aos benefícios dessas terapias.

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