Além do parentesco: humanos e primatas compartilham mesmo gosto musical

Por Vanessa Loiola 22 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Além do parentesco: humanos e primatas compartilham mesmo gosto musical

Humanos e outros animais, como rãs, aves e primatas, podem compartilhar preferências sonoras semelhantes. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica Science, que identificou padrões em comum na forma como diferentes espécies reagem a determinados sons.

A pesquisa sugere que esse “gosto musical” compartilhado pode ter origem em conexões evolutivas, indicando que a percepção estética não é exclusiva dos seres humanos.

O experimento foi conduzido por pesquisadores da Universidade do Texas, nos Estados Unidos. Ao todo, foram analisados 110 pares de sons produzidos por 16 espécies diferentes.

Mais de 4 mil voluntários participaram do teste. Eles ouviram os sons e escolheram qual consideravam mais agradável.

Os cientistas já sabiam, previamente, qual som era preferido pelos próprios animais. A partir disso, compararam as escolhas humanas com as preferências das espécies.

Preferências coincidem em mais da metade dos casos

Os resultados mostraram que humanos tendem a escolher os mesmos sons preferidos pelos animais em cerca de 54% das vezes. Quando a preferência dos animais por determinado áudio era mais forte, essa concordância aumentava.

Em alguns cenários, a coincidência chegou a quase 60%. Apesar de não ser uma correspondência total, os pesquisadores consideram a relação estatisticamente relevante.

Sons mais complexos agradam mais

O estudo também identificou padrões nos sons considerados mais atraentes. Vocalizações mais elaboradas, com variações e “ornamentos” sonoros, tendem a agradar tanto humanos quanto animais.

Em testes com rãs, por exemplo, versões mais complexas do canto — com elementos adicionais — foram preferidas em ambos os grupos.

Além disso, pequenas alterações artificiais nos sons, como torná-los mais graves, aumentaram a preferência geral.

Evolução pode explicar preferência por sons

Os pesquisadores apontam que essa similaridade pode estar ligada à evolução. A ideia é que certos padrões sonoros tenham sido valorizados ao longo do tempo por diferentes espécies.

A hipótese já havia sido sugerida por Charles Darwin no século XIX, ao indicar que alguns animais poderiam compartilhar percepções sobre o que é “agradável”.

Outro dado relevante é que pessoas que ouvem música com mais frequência tendem a ter maior concordância com as preferências dos animais.

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