Alerta chinês: por que o yuan barato se tornou um dilema global

Por Da redação, com agências 22 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Alerta chinês: por que o yuan barato se tornou um dilema global

A moeda da China está no centro de uma nova controvérsia econômica internacional. A edição desta semana da revista The Economist destaca relatório sobre a economia chinesa divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O documento aponta uma distorção significativa: o yuan está aproximadamente 16% desvalorizado em relação ao que seria necessário para equilibrar a economia mundial. Esta é a maior discrepância registrada desde 2011.

A Origem do Desequilíbrio

A raiz desse problema não é puramente cambial, mas reflexo de crises internas. O colapso do setor imobiliário chinês há quatro anos deixou cicatrizes profundas, resultando em uma recuperação doméstica anêmica. Como consequência, os preços industriais para produtores na China estão em queda há 40 meses consecutivos.

Sonali Jain-Chandra, chefe da missão do FMI para a China, destaca que a inflação no país está "desconfortavelmente baixa", o que torna os produtos chineses extremamente competitivos no exterior, mas prejudica o consumo interno. Essa vantagem competitiva é visível na taxa de câmbio "real" da China — ajustada pela inflação —, que estava 15% mais barata ao final do ano passado do que quatro anos antes.

Tensões Comerciais e o Excedente "Suspeito"

Esse cenário tem alimentado um boom de exportações que, embora sustente a economia chinesa, gera alarme em parceiros comerciais. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos monitora Pequim por sinais de manipulação cambial, enquanto a União Europeia critica a "competição desleal". Em resposta, a UE planeja taxar pequenos pacotes de e-commerce vindos da China a partir de julho.

Um indicador claro dessa má calibração é o superávit em conta corrente da China, diz a The Economist. Enquanto modelos do FMI sugerem que um país com o perfil demográfico da China deveria ter um superávit de 0,9% do PIB, o valor real atingiu 3,7% no ano passado.

Alguns especialistas sugerem que os números podem ser ainda mais drásticos. Brad Setser, do Council on Foreign Relations (um think-tank americano citado pela The Economist), observa que os rendimentos dos ativos estrangeiros da China estagnaram de forma estranha desde 2021, apesar do aumento das taxas de juros globais. Isso levanta a hipótese de que a China possa estar subnotificando seus ganhos ou sendo uma investidora ineficiente no exterior.

Para corrigir esse desalinhamento sem causar um choque súbito que prejudique a recuperação chinesa, o FMI propõe uma mudança de rota na política fiscal de Pequim. A recomendação é que o governo reduza os subsídios industriais e direcione recursos para o bem-estar social, como.

O objetivo seria desbloquear a alta poupança das famílias chinesas através de uma rede de segurança mais forte, estimulando o consumo interno. De acordo com as projeções citadas pela The Economist, esse pacote de estímulos poderia elevar o crescimento anual chinês em meio ponto percentual nos próximos cinco anos, além de reduzir a pressão deflacionária e equilibrar o comércio global.

No entanto, o governo chinês parece, até o momento, inclinado a tolerar a deflação desde que suas metas de crescimento sejam atingidas, mantendo o mundo em alerta sobre os próximos passos da sua moeda

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