Aliados de Flávio apostam em recuperação e apoio envergonhado por cansaço com Lula

Por André Martins 25 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Aliados de Flávio apostam em recuperação e apoio envergonhado por cansaço com Lula

Poderia ser pior — e preside Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está mais desgastado do que nunca. Essa foi a avaliação do entorno do senador Flávio Bolsonaro (PL) e de políticos do centrão após a primeira leva de pesquisas que captaram a reação do eleitorado ao áudio do pré-candidato com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, no caso Dark Horse.

Todas as pesquisas públicas divulgadas desde então mostram uma queda de intenção de voto de Flávio em cenários de primeiro e segundo turno.

No Datafolha, a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a nove pontos percentuais no primeiro turno, enquanto no segundo Flávio recuou dois pontos percentuais, e a disputa ficou 47% a 43%, cenário de empate técnico no limite da margem de erro. Uma tendência semelhante ocorreu na pesquisa BTG/Nexus desta segunda-feira, 25, embora a pesquisa já pareça mostrar um arrefecimento da queda de Flávio.

Durante o Fórum Esfera Brasil, no final de semana, o senador e pré-candidato ao governo de Rondônia, Marcos Rogério (PL), disse que, "para quem estava esperando uma tragédia", não foi o que aconteceu.

À EXAME, aliados de Bolsonaro afirmaram que a situação demanda atenção e preocupa, mas dizem esperar recuperação nas próximas semanas. O principal fato comemorado é que os percentuais perdidos para Flávio não foram automaticamente transferidos para Lula, no entender do seu entorno.

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Mesmo com todo o desencontro de versões e a revelação feita pelo próprio Flávio de um encontro na casa do ex-banqueiro, a avaliação é que o senador deu declarações necessárias para tentar "estancar a sangria".

A possibilidade de substituição da candidatura, levantada no calor do caso e após a declaração de Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, sobre o prazo de 15 dias para Flávio se recuperar, no momento, segue descartada.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro continua citada como alternativa, mas enfrenta resistência de integrantes da própria família Bolsonaro.

A visão é que a campanha está longe de começar, com a Copa do Mundo, o período de festas juninas e novos fatos políticos podendo atrair a atenção do eleitor até outubro.

Além disso, pesquisas internas citadas por aliados indicam ainda que o desgaste de Lula entre eleitores independentes pode, no médio prazo, superar os danos sofridos por Flávio após o caso Master.

A interpretação é que um candidato com elevada rejeição ainda teria condições de derrotar o petista em um eventual segundo turno.

Pressão do PT e risco de novas revelações preocupam

Lideranças do centrão ouvidas pela reportagem também esperavam uma queda maior de Flávio, mas estão longe de cravar uma recuperação no curto prazo. Na avaliação desses caciques, se o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se mantiver estável, pode ganhar um novo fôlego até as convenções, mesmo com o desgaste atual.

O principal risco apontado por esses interlocutores e por aliados de Flávio envolve dois fatores: a máquina eleitoral do PT, que "relembrará no horário eleitoral a ligação entre Flávio e Vorcaro todos os dias", e novas revelações que podem vir à tona sobre a relação da família Bolsonaro e o ex-banqueiro.

Nesse momento, a campanha tenta se reorganizar e buscar fatos novos para descolar o caso Master de Flávio. Após a troca de marqueteiro, o senador busca aproximação com evangélicos e uma possível viagem aos Estados Unidos para encontrar Donald Trump para voltar a crescer.

No último final de semana, Flávio visitou Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

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