Allos chega a 75% de resíduos reciclados e mira energia 100% renovável até 2030
Transformar centros de consumo em plataformas de valor para as cidades — esta é a meta da Allos, gestora de shopping centers, para os seus mais de 50 empreendimentos. Em 2025, a empresa atingiu 75% de resíduos reciclados e 35% do consumo de energia vindo de fontes renováveis, depois de começar o ano com a estratégia de integrar o modelo de negócios à criação de valor no longo prazo.
O próximo patamar é chegar a 90% de reciclagem dos resíduos gerados nas operações. Até 2030, a companhia trabalha para alcançar 100% de energia elétrica renovável, motivo pelo qual investe em aumentar a eficiência energética. O trabalho é meio caminho andado para a principal meta de sustentabilidade da gestora imobiliária: até 2040, a Allos busca a neutralidade de carbono nas instalações.
Os últimos meses ajudaram a consolidar o objetivo. Um exemplo é a iniciativa nos shoppings da Bacia Amazônica, onde quatro empreendimentos tiveram as metas ambientais antecipadas em cinco anos. O motivo? A preparação da companhia para a COP30. Os estabelecimentos implementaram iniciativas para reúso da água e atingiram 90% de reciclagem e compostagem dos resíduos sólidos e orgânicos.
Entre os investimentos, a companhia expandiu sistemas de reúso de água, hoje presentes em 19 empreendimentos, e avançou em projetos voltados para a gestão de resíduos. A expansão da Karg, rede de eletropostos da Allos para recarga de veículos elétricos, também faz parte dessa estratégia.
Ao mesmo tempo, a agenda climática ganhou uma camada mais técnica dentro da companhia. Nos últimos meses, a Allos intensificou iniciativas relacionadas à neutralidade de carbono e à adequação às normas IFRS S1 e S2, que ampliam as exigências de reporte corporativo ligadas a riscos climáticos e sustentabilidade. O avanço acontece em meio ao aumento da pressão regulatória sobre grandes empresas, especialmente ao atrelar suas informações financeiras ao avanço da sustentabilidade.
Na frente social, a gestora de shoppings também avançou em indicadores ligados à diversidade e desenvolvimento interno. Em 2025, as mulheres passaram a representar 45,1% dos cargos de liderança, enquanto pessoas negras chegaram a 42,4%. Parte da estratégia social vem sendo concentrada em iniciativas de educação e desenvolvimento local. A companhia encerrou o ano com nove projetos nessa frente e mais de 500.000 pessoas impactadas por ações realizadas nos territórios onde atua.
Segundo Paula Fonseca, diretora jurídica e coordenadora da Comissão de Sustentabilidade da Allos, a estratégia da companhia busca integrar metas ambientais e sociais à gestão cotidiana dos empreendimentos. “Nossos shoppings são espaços conectados com as cidades onde estão inseridos e com as comunidades do entorno”, afirma.
Para 2026, a companhia pretende ampliar projetos ligados à eficiência energética, gestão hídrica e acessibilidade, além de aprofundar metas de diversidade por diretoria. O foco da estratégia, segundo a executiva, está na consolidação de indicadores capazes de sustentar ganhos operacionais e adaptação regulatória no longo prazo.
DESTAQUES DO SETOR
A Dexco, dona de marcas ligadas aos setores de madeira industrializada, louças, metais e revestimentos, encerrou em 2025 o primeiro ciclo da sua estratégia de sustentabilidade com 75% das metas atingidas. Para o CEO Raul Guaragna, o resultado é ponto de partida, não de chegada. “Continuamos com o compromisso de integrar as práticas de sustentabilidade de forma cada vez mais efetiva ao nosso modelo de negócios”, afirma.
Os números do ano validam essa direção. Com um aporte de 700 milhões de reais, a empresa colocou em operação a nova fábrica de revestimentos cerâmicos de Botucatu, considerada a mais tecnológica da América Latina, onde implementou sistemas que reutilizam até 95% da água captada na área de revestimentos cerâmicos. No campo climático, a Dexco reduziu em 16% as emissões dos escopos 1 e 2 em relação a 2020, com a meta de chegar a 37% até o fim da década. Hoje, 64% da energia consumida já vem de fontes renováveis.
Na MRV, a maior construtora residencial da America Latina, a agenda social parte do canteiro de obras. Desde 2015, o programa Escola Nota 10 leva salas de aula aos trabalhadores da construção, com ensino de português e matemática durante o expediente. Mais de 5.000 pedreiros e ajudantes já concluíram a formação básica pelo projeto. A incorporadora chama sua abordagem de “ESG do sempre”: projetos de longo prazo, enraizados no setor em que opera.
É essa lógica que orienta também a redução de emissões. Em 2024, a empresa registrava 3,17 toneladas de CO2 por unidade produzida; para 2025, a queda estimada é de 21,78%. Para o CEO Eduardo Fisher, em um setor com desafios sérios em emissões, gestão de resíduos e impacto na vegetação, o diferencial está na constância. “Entendemos que, para exercitar o ESG da forma que acreditamos, nossa capacidade de transformar deve se combinar ao pragmatismo e à disciplina”, afirma.
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