Alta do petróleo impulsiona energia limpa: 3 ações para investir

Por Rebecca Crepaldi 2 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Alta do petróleo impulsiona energia limpa: 3 ações para investir

O fechamento do Estreito de Ormuz, por conta da Guerra no Irã, pressionou o preço do petróleo. Nesta quinta-feira, 30, o barril da referência mundial Brent chegou a alcançar a marca dos US$ 126 no intraday, o maior patamar em mais quatro anos, quando no dia 8 de março daquele ano a commodity atingiu a cara dos US$ 127,98.

O resultado é que os consumidores tentam driblar esse aumento de preços e quem pode ser o mais beneficiado são as empresas de energia renovável. Segundo a Barron’s, já existem sinais de que a procura por produtos de energia limpa está aumentando.

Os primeiros dados sobre exportações e vendas de produtos de energia solar, baterias para armazenamento de energia limpa e veículos elétricos mostram que os consumidores estão optando por produtos ecológicos — não só pelo ambiente, mas também para se protegerem dos preços elevados.

As exportações de equipamentos solares da China — de longe o maior produtor de componentes solares — dobraram em março em comparação com os níveis de fevereiro, de acordo com a Ember, um centro de estudos de energia. As baterias para armazenar a eletricidade gerada por energia limpa também estão recebendo um impulso. As exportações de baterias da China aumentaram 44% em março.

E os consumidores na Europa e na Ásia estão migrando para veículos elétricos, buscando evitar o aumento dos preços da gasolina e do diesel nessas regiões.

Os registros de “veículos de nova energia”, que incluem veículos elétricos e híbridos plug-in, mais que dobraram no Japão, na Coreia do Sul e na Nova Zelândia em comparação com o ano anterior, e aumentaram mais de 50% na Índia, na Austrália e em diversos mercados europeus, de acordo com Leah Fahy, economista sênior para a China da Capital Economics, informou à Barron’s.

A China pode ser beneficiada – porém há um alerta

A China concentra grande parte das cadeias produtivas desses segmentos, respondendo por cerca de 80% dos componentes usados em sistemas de energia solar. Com isso, o país tende a se beneficiar diretamente de uma aceleração na transição para renováveis e veículos elétricos.

Fahy avalia que esse movimento ainda está em estágio inicial. Segundo ela, a indústria solar chinesa opera abaixo do potencial, com algumas companhias utilizando apenas cerca de 40% da capacidade instalada. “A China está extremamente bem posicionada para responder a um aumento na demanda global”, escreveu.

Apesar disso, investidores são aconselhados a ter cautela com ações chinesas do setor. Essas empresas frequentemente sofrem com interferência estatal e ciclos de superprodução, o que leva a excesso de oferta e compressão de margens. Um exemplo é a JinkoSolar, que já passou por várias fases de expansão e contração ao longo dos últimos anos. Mesmo com a demanda em alta, suas ações acumulam queda de 21% no ano.

Em quais empresas apostar?

Uma alternativa mais atrativa, segundo análise da Barron’s, seria apostar em companhias globais que atuam na instalação e gestão de projetos de energia renovável, como parques solares e eólicos. Nesse grupo estão nomes como a espanhola Iberdrola, que se consolidou como uma das maiores do setor no mundo.

A italiana Enel também vem ampliando sua presença internacional por meio de sua divisão de energia verde, enquanto a Brookfield Renewable, ligada à gestora canadense Brookfield, possui um portfólio global de ativos renováveis e participação em projetos nucleares.

A Iberdrola se destaca por sua atuação em infraestrutura de geração limpa. Ben Bielawski, gestor da Duff & Phelps Investment Management, destacou sua posição em fundos do setor. Em sua avaliação, a guerra tende a reforçar a resiliência do negócio.

“A guerra”, escreveu ele em um e-mail, deve ser “um fator positivo para os negócios globais de energias renováveis da Iberdrola, enquanto o negócio de redes globais da empresa, estável e de menor risco, apresenta características defensivas em um ambiente macroeconômico mais volátil”.”

A Iberdrola negocia a cerca de 20 vezes o lucro esperado para 2026 e paga dividend yield de 2,7%. Já a Enel é negociada a múltiplos mais baixos, em torno de 13 vezes o lucro projetado para este ano, com dividendos de 4,9%, refletindo maior alavancagem e margens mais apertadas.

A Brookfield Renewable detém cerca de 46 gigawatts em ativos renováveis espalhados pelo mundo, capacidade suficiente para abastecer dezenas de milhões de residências. A empresa também possui participação na Westinghouse, ligada ao desenvolvimento de reatores nucleares de nova geração nos Estados Unidos.

Embora seus lucros contábeis sejam pressionados por depreciação elevada, a métrica de fundos provenientes de operações (FFO) cresce perto de 10% ao ano, e o papel oferece dividend yield de 3,9%.

Mas transação energética caminha a passos lentos

Apesar do impulso recente, a transição energética não ocorre de forma uniforme nem imediata, destacando ritmos distintos entre regiões, observa a Barron’s.

Nos Estados Unidos, por exemplo, ainda não há sinais claros de mudança no comportamento do consumidor, seja na substituição de carros a combustão ou na instalação de painéis solares residenciais. Pelo contrário, a tendência é de desaceleração nesse segmento, já que o fim de incentivos fiscais deve reduzir novas instalações.

Ao mesmo tempo, alguns países devem reforçar a produção de combustíveis fósseis como forma de segurança energética e também como oportunidade de exportação. O Canadá, por exemplo, avalia a expansão de sua infraestrutura de oleodutos e gasodutos. Por outro lado, há países que interpretam o cenário como um alerta para acelerar a transição.

“Embora a economia fóssil continue a ter um papel preponderante após a guerra, os países avançarão na sua transição porque a capacidade de gerar a sua própria energia lhes proporcionará independência e soberania”, afirmou Edwin Palma Egea, ministro de Minas e Energia da Colômbia, em entrevista à Barron’s . “Eles não ficarão à mercê dos combustíveis fósseis nem de guerras estrangeiras.”

A Colômbia vem atraindo investimentos de empresas de energia limpa dos Estados Unidos e da China. Companhias como a AES, em processo de privatização, e a Tesla já aportaram recursos no país, segundo Palma. O governo espera a continuidade e expansão desses investimentos, especialmente por parte de empresas americanas.

Na Europa, o movimento também é de aceleração da transição energética. “Precisamos acelerar a transição para energias limpas produzidas internamente”, afirmou Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.

O continente enfrenta pressões significativas, com aumento de custos e dependência externa de energia. Segundo a reportagem da Barron’s, a conta de combustíveis fósseis da Europa subiu 24 bilhões de euros (US$ 28 bilhões) nas primeiras sete semanas da guerra.

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