Alta dos juros ameaça euforia com ações de IA em Wall Street

Por Da redação, com agências 16 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Alta dos juros ameaça euforia com ações de IA em Wall Street

A disparada nos rendimentos dos títulos públicos começa a ameaçar o entusiasmo dos investidores com as ações de tecnologia e inteligência artificial. Apesar da forte valorização desses papéis, gestores de recursos avaliam que o avanço das taxas de juros pode interromper a trajetória de alta do mercado acionário.

Levantamento da Bloomberg realizado com 32 gestores de investimentos dos Estados Unidos, Europa e Ásia — incluindo executivos da Wells Fargo Investment Institute, Amundi e BMO Global Asset Management — mostra que o sentimento segue amplamente positivo.

Cerca de 80% dos entrevistados acreditam que as ações terão desempenho superior ao de ativos como commodities e títulos nos próximos três a seis meses.

As gigantes de tecnologia e inteligência artificial aparecem como a principal aposta de investimento para aproximadamente metade dos gestores consultados..

O otimismo é sustentado pela forte recuperação dos índices americanos, especialmente o Nasdaq 100 e o índice de semicondutores SOX, que renovaram recordes recentes impulsionados pelo avanço da inteligência artificial e por resultados corporativos acima das expectativas.

Segundo Raphael Thuin, chefe de estratégias de mercado de capitais da Tikehau Capital, ainda há oportunidades entre os chamados “hiperescaladores”, empresas que lideram os investimentos em IA e começam a colher retornos mais concretos dessas apostas.

Sinais crescentes de fragilidade das ações das big techs

Apesar da euforia, investidores apontam sinais crescentes de fragilidade. A valorização do mercado está concentrada em poucas empresas: apenas quatro ações respondem por mais da metade dos ganhos do S&P 500 neste ano. Além disso, o índice SOX negocia acima de 25 vezes o lucro projetado, bem acima da média histórica da última década.

Entre os principais riscos apontados pelos gestores estão a possibilidade de estagflação, juros elevados por mais tempo e excesso de otimismo em relação aos lucros das empresas. O temor aumentou com a recente alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano de 30 anos, que se aproximam do nível de 5%, considerado por alguns investidores uma “zona de perigo” para as ações.

O cenário ganhou ainda mais tensão com as incertezas no Estreito de Ormuz, que elevaram o risco de alta nos preços do petróleo e reacenderam preocupações inflacionárias. Na avaliação de parte dos gestores, juros mais altos podem afetar tanto o financiamento dos investimentos em inteligência artificial quanto o consumo e o crescimento econômico.

Outro ponto de atenção é a expectativa elevada para os resultados corporativos. No primeiro trimestre, o lucro por ação das empresas do S&P 500 avançou mais de 27% na comparação anual, superando com folga as projeções dos analistas. Na Europa, os resultados também vieram acima do esperado, embora em ritmo mais moderado.

Para Sameer Samana, chefe de ações globais e ativos reais da Wells Fargo Investment Institute, uma eventual desaceleração dos lucros pode provocar uma onda de vendas no mercado, já que o crescimento das empresas se tornou um dos principais pilares da atual recuperação das bolsas.

Mesmo com os alertas, a preferência dos investidores segue concentrada nas ações. “Ações o dia todo. Nem se compara”, afirmou Sadiq Adatia, diretor de investimentos da BMO Global Asset Management, em entrevista à Bloomberg.

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