Aluguel sobe o dobro da inflação — e cidade com maior alta não é São Paulo
Os preços dos aluguéis residenciais começaram 2026 em ritmo de alta acima da inflação no Brasil. Em janeiro, o Índice FipeZAP avançou 0,65%, superando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que registrou elevação de 0,33% no mês, e o Índice Geral de Preços — Mercado (IGP-M), com variação de 0,41%.
Esse resultado mostra que os valores dos novos contratos continuam pressionados e estão subindo em um ritmo diferente do restante da economia. Para se ter uma ideia do tamanho e do impacto desse movimento, 32 das 36 cidades pesquisadas registraram aumento nos preços.
Ao olhar para as capitais, 19 das 22 monitoradas ficaram mais caras, com os moradores de Natal (+3,01%), Belém (+2,61%) e Manaus (+2,18%) sentindo as maiores altas no mês. Por outro lado, quem mora em Aracaju (-2,31%), Teresina (-0,31%) ou Florianópolis (-0,19%) viu o preço dar uma leve baixada.
O aumento foi mais forte nos apartamentos maiores, isto é, de padrão elevado. Unidades com quatro dormitórios ou mais subiram 1,29% em janeiro, enquanto os apartamentos de um quarto tiveram uma alta mais modesta, de 0,41%. Os dados coletados consideram os preços de anúncios para novos aluguéis.
Acumulado em 12 meses mais que dobra o IPCA
No horizonte de 12 meses, o Índice FipeZAP acumula alta de 9,10%, também acima da inflação medida pelo IPCA no período (+4,44%) e do IGP-M, que apresentou variação negativa de 0,91%. O montante de 34 das 36 cidades monitoradas registrou, também, valorização no período, incluindo 21 das 22 capitais.
Teresina lidera o ranking anual com uma subida de 20,95%, seguida por Belém (+18,14%) e Cuiabá (+17,49%). Já Campo Grande foi o ponto fora da curva entre as capitais, com uma queda acumulada de 7,15%. Nas grandes metrópoles, os preços subiram 7,40% em São Paulo, 10,68% no Rio de Janeiro e 7,68% em Brasília.
Preço médio supera R$ 51 por metro quadrado
O preço médio de locação nas 36 cidades pesquisadas foi de R$ 51,40 por metro quadrado (m²) em janeiro. Apartamentos de um dormitório concentram os valores mais elevados, com média de R$ 68,53/m², enquanto imóveis de três dormitórios apresentam o menor preço médio, de R$ 44,12/m².
Entre as capitais, Belém (R$ 63,60/m²) e São Paulo (R$ 62,96/m²) figuram entre as mais caras da amostra. No outro extremo, Campo Grande (R$ 28,47/m²) e Teresina (R$ 29,59/m²) contam com os valores médios mais baixos.
Rentabilidade perde para aplicações financeiras
Além disso, a rentabilidade média do aluguel residencial — medida pela razão entre o preço de locação e o valor de venda dos imóveis — foi estimada em 5,99% ao ano em janeiro. Segundo o relatório, a taxa permanece abaixo da rentabilidade média projetada para aplicações financeiras de referência nos próximos 12 meses.
Imóveis de um dormitório oferecem o maior retorno médio, de 6,67% ao ano, enquanto unidades com quatro ou mais dormitórios apresentam yield de 4,90%. Entre as capitais, os maiores retornos médios são observados em Belém (8,51%), Recife (8,41%) e Cuiabá (8,22%).
O cenário indica que, embora os aluguéis continuem avançando acima da inflação, a atratividade do investimento imobiliário para compor a renda depende da comparação com o ciclo de juros e das expectativas inflacionárias, em um contexto de mercado ainda pressionado.
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