Amazon, Temu, Ebay: ações do e-commerce sobem com suspensão de tarifas

Por Da redação, com agências 21 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Amazon, Temu, Ebay: ações do e-commerce sobem com suspensão de tarifas

As ações de grandes plataformas de comércio eletrônico avançaram com força nesta sexta-feira, 20, após a Suprema Corte dos Estados Unidos invalidar um dos principais instrumentos usados pelo presidente Donald Trump para sustentar sua política tarifária.

Por 6 votos a 3, os ministros entenderam que o presidente não tinha base legal para impor tarifas com fundamento na Lei de Poderes Econômicos Internacionais (IEEPA), dispositivo que não trata explicitamente da criação de taxas de importação. A decisão enfraquece um dos pilares da estratégia comercial adotada pela Casa Branca.

No mercado, o reflexo foi imediato. Papéis da Amazon subiram mais de 2% e às 15h51 eles ampliavam os ganhos com 2,96%. A Etsy também registrou ganhos e, no mesmo horário, subia quase 9%, enquanto a Shopify avançava 3,27% depois de subir cerca de 6% imediatamente após a notícia.

As ações de Wayfair e eBay anotavam ganhos superiores a 3%. Já a Pinduoduo Holdings, controladora da Temu, saltou mais de 4%.

As tarifas implementadas no último ano vinham pressionando o setor. Muitas plataformas que conectam vendedores independentes a consumidores foram impactadas por custos maiores, o que reduziu margens, levou a reajustes de preços e obrigou empresas a rever cadeias de suprimentos e até a cortar postos de trabalho.

Trump também utilizou a IEEPA para encerrar a regra conhecida como “de minimis”, que permitia a entrada nos EUA de encomendas de baixo valor sem cobrança de tarifas. A mudança afetou especialmente pequenos vendedores que operam em marketplaces como Etsy, eBay e Shopify, que dependiam da isenção para manter a competitividade.

A decisão também colocou em risco o modelo de negócios de empresas como Temu e Shein nos Estados Unidos. As varejistas exploravam a brecha para enviar produtos diretamente da China aos consumidores americanos sem incidência de impostos.

Diante do novo cenário, a Temu chegou a suspender temporariamente remessas diretas e, posteriormente, tanto ela quanto a Shein ampliaram suas operações logísticas e bases de vendedores em território americano.

Além das mudanças tarifárias, o ambiente econômico mais frágil tem pesado sobre a confiança do consumidor. O CEO da Amazon, Andy Jassy, afirmou recentemente que as tarifas começaram a aparecer nos preços de alguns produtos. Segundo ele, parte dos clientes tem migrado para itens mais baratos e promoções, enquanto demonstra maior cautela na compra de bens não essenciais e de maior valor.

Em seu relatório anual, a Etsy destacou que a retração dos gastos discricionários e a mudança no comportamento do consumidor pressionaram seus resultados. A companhia alertou ainda para a incerteza em torno do cenário tarifário e do possível impacto de alíquotas mais elevadas sobre a demanda e a renda disponível.

A empresa também apresentou uma projeção conservadora para o volume bruto de mercadorias no primeiro trimestre, considerando estabilidade das condições macroeconômicas.

Bolsas de NY sobem após decisão

A National Retail Federation afirmou que a decisão da Suprema Corte traz maior previsibilidade para empresas e fabricantes americanos, ao reduzir ambiguidades que afetavam as cadeias globais de suprimento.

Com a derrubada das tarifas, companhias passam a avaliar a possibilidade de recuperar bilhões de dólares pagos em custos adicionais. A Apple, por exemplo, já desembolsou cerca de US$ 3,3 bilhões em tarifas até o momento.

Em paralelo ao avanço das empresas, os principais índices também ganharam força ao longo da sessão. Por volta das 16h, o Dow Jones apagava as quedas e avançava 0,38%, enquanto o S&P 500 subia 0,67% e o Nasdaq registrava alta de 1,01%, reforçando o apetite por risco global após a sinalização mais favorável ao comércio internacional.

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