Americanos pegaram gosto pelo 'soccer'? Fox bate recorde de audiência nos EUA com Copa

Por Luiz Anversa 21 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Americanos pegaram gosto pelo 'soccer'? Fox bate recorde de audiência nos EUA com Copa

A Copa do Mundo de 2026 estreou com quebra histórica de recordes de audiência na televisão dos Estados Unidos. A partida de abertura em 11 de junho, entre México e África do Sul, atraiu 6,3 milhões de telespectadores na Fox. O índice consolidou o confronto como a estreia de um Mundial masculino em inglês mais assistida na história do país.

No dia seguinte, 12 de junho, a estreia da seleção dos Estados Unidos contra o Paraguai alcançou 16 milhões de pessoas, estabelecendo um recorde absoluto para qualquer jogo da equipe americana no idioma inglês, com pico de 18,9 milhões. Os dados foram publicados pelo próprio portal da FOX.

No aspecto comercial, as projeções financeiras acompanham o sucesso das telas. O veículo Sportico estima que a Fox encerre o torneio com mais de US$ 500 milhões em receita publicitária. A projeção, calculada antes do início dos jogos, representa mais que o dobro dos US$ 384 milhões arrecadados na Copa de 2018, na Rússia — a última edição de formato tradicional realizada no verão do hemisfério norte.

Esses resultados financeiros validam uma estratégia de bastidores que começou com um acordo de compensação jurídica. A Fox adquiriu os direitos de transmissão de 2026 por US$ 485 milhões, sem passar por processo de licitação pública.

O contrato direto foi uma concessão da Fifa devido ao impacto comercial sofrido na Copa de 2022, transferida para os meses de novembro e dezembro no Catar. Aquela mudança de calendário gerou um conflito direto de grade com a NFL e o futebol universitário americano, principais ativos de faturamento da emissora.

FOX sets the record for the most-watched FIFA Men's World Cup telecast in U.S. history. pic.twitter.com/bpG0HB99tN

— FOX Sports (@FOXSports) June 16, 2026

Fatores que explicam o sucesso

“A combinação entre uma geração mais conectada ao esporte global, junto a presença crescente de atletas internacionais nas ligas locais e o fato de o país sediar o torneio cria um ambiente favorável para ampliar ainda mais o interesse do público, e concretizar o futebol como um produto de entretenimento consolidado no mercado americano. Para as marcas, isso representa uma oportunidade única de dialogar com uma audiência em escala global, jovem e altamente engajada. O que chama atenção, além dos números, é a capacidade do futebol de ocupar espaço relevante em um mercado historicamente dominado por outras modalidades”, comenta Wagner Leitzke, Head de Desenvolvimento de Negócios da Agência End to End, plataforma que faz o 'meio de campo' entre torcedores, clubes, marcas e entidades esportivas.

"O futebol ainda não supera os esportes mais tradicionais, como Futebol Americano, Basquete e Beisebol, mas já se consolidou como nicho e se expande entre os mais jovens. Vou com frequência ao país nos últimos 20 anos e é visível como o Soccer deixou de ser algo para imigrantes, especialmente latinos, e passou a fazer parte da vida dos jovens brancos de raízes mais antigas no país, muito por conta das Redes Sociais e de referências culturais pop de outros países", diz Alexandre Vasconcellos, gerente regional da Flashscore no Brasil.

"Por mais que vivamos uma polarização intensa, o multiculturalismo chega em nossas casas pelas telas, e esses jovens cresceram convivendo com mais diversidade e oferta de referências do que as gerações anteriores. Com o aumento da natalidade de pessoas de língua espanhola e influência latinoamericana nos EUA, a tendência de longo prazo é termos uma boa esteira de expansão do Futebol por lá. Eu não apostaria contra isso mesmo se a Copa de 2026 não atingisse as expectativas", complementa.

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