Aminoácido comum presente na dieta mostra potencial contra inflamações graves
A metionina, um aminoácido presente em alimentos como feijão, ovos, carnes, peixes e castanhas, ajudou camundongos a sobreviverem a infecções graves e inflamações potencialmente fatais em um novo estudo.
A descoberta chamou a atenção dos pesquisadores porque a substância não atuou diretamente no sistema imunológico. Em vez disso, ela aumentou a capacidade dos rins de eliminar moléculas inflamatórias associadas a danos nos tecidos e ao agravamento de doenças.
Os resultados foram publicados na revista científica Cell Metabolism por pesquisadores do Instituto Salk, nos Estados Unidos, que investigam como fatores biológicos e nutricionais influenciam a recuperação do organismo durante infecções e processos inflamatórios.
Como a metionina influenciou a inflamação
Para conduzir o estudo, os cientistas utilizaram um modelo experimental de inflamação sistêmica provocado pela bactéria Yersinia pseudotuberculosis. Durante as análises, a equipe observou que os camundongos infectados apresentavam níveis reduzidos de metionina no sangue.
A partir dessa constatação, um grupo passou a receber uma dieta suplementada com o aminoácido.
Os testes mostraram que a metionina aumentou o fluxo sanguíneo nos rins e melhorou a capacidade de filtração renal. Como consequência, o organismo eliminou com mais eficiência citocinas pró-inflamatórias, proteínas produzidas pelo sistema imunológico que ajudam a combater infecções, mas que podem causar danos quando se acumulam em excesso.
De acordo com os autores, esse mecanismo reduziu a inflamação sem comprometer outras funções essenciais da resposta imune, permitindo que os animais continuassem combatendo a infecção.
Rins tiveram papel central na proteção
A inflamação é uma resposta natural do organismo a ameaças como infecções, lesões e outros agentes potencialmente nocivos. No entanto, quando ocorre de forma descontrolada, pode provocar danos aos tecidos e aumentar o risco de complicações graves.
Os resultados sugerem que os rins desempenham um papel mais importante nesse processo do que se acreditava anteriormente. Ao aumentar a eliminação de moléculas inflamatórias pela urina, o órgão ajudou a impedir que a resposta inflamatória atingisse níveis prejudiciais.
Além de apresentarem menor risco de morte, os camundongos suplementados com metionina também ficaram protegidos contra perda de massa muscular e alterações na barreira hematoencefálica.
Efeitos também apareceram em outros modelos
Os pesquisadores avaliaram ainda o impacto da metionina em modelos experimentais de sepse e lesão renal.
Nesses testes, os resultados seguiram o mesmo padrão observado nos animais infectados. A suplementação esteve associada a uma proteção maior contra danos relacionados à inflamação, sugerindo que o mecanismo pode ter relevância em diferentes contextos de doença.
Para os autores, as descobertas reforçam a influência da nutrição sobre a resposta do organismo a infecções, sepse e outras condições inflamatórias.
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