Anita Scal | Por que alguns imóveis mudam de destino
Quando se olha um portfólio por fora, é tentador resumir tudo a dois ou três números e à data em que eles apareceram. Por dentro, quase nunca é assim. Os normalmente imóveis são heterogêneos e cada um deles é uma história a ser contada. As operações não começam quando viram fato relevante. Começam antes, na consistência do dia a dia: conversa, visita, ajuste de premissa, recuo, nova tentativa.
No RBVA, esse trabalho tem seguido uma lógica simples: o resultado melhor costuma vir de decisões repetidas com disciplina, mais do que de um único acerto pontual.
Esta carta se apoia em dois movimentos que caminham juntos, que nortearam a transformação que o RBVA passou nos últimos anos: vendas e locações.
Vendas: ainda é gente falando com gente
Há uma pergunta que volta com frequência quando o assunto são imóveis que nasceram como agências bancárias: quem compra esse tipo de ativo? Não é uma pergunta retórica. Esses ativos, por definição, não têm um grupo de compradores tão amplo quanto outros tipos de imóvel.
O que temos visto, ao longo do tempo, é que a venda tende a acontecer quando três coisas andam juntas: organização de informação, timing e rede. E aqui vale registrar um ponto que parece simples, mas faz diferença: conversar com o corretor continua sendo parte central do processo. Não é etapa formal. É trabalho de campo, ainda mais num portfólio espalhado por várias regiões. É ali que o comprador se forma, onde surgem as objeções reais, e onde o “não” costuma vir com pistas úteis para o próximo movimento.
Esse trabalho foi formando uma rede de corretores e compradores que já conhecem o modo como conduzimos uma transação: sem atalhos, com documentação organizada, premissas claras e disposição para discutir o ativo como ele é. E, às vezes, isso aparece do jeito mais direto: comprador que volta. Tivemos mais de um caso em que, depois da primeira aquisição, os compradores retornaram e adquiriram mais agências em momentos diferentes. Não foi pacote; foi repetição de decisão ao longo do tempo.
Desse modo, já existe uma leitura consolidada: até aqui, foram 32 vendas, somando cerca de R$ 310 milhões em volume e R$ 104 milhões de lucro acumulado.
Decidir o que vender (e quando) é parte do resultado
Nem todo ativo precisa ser vendido de imediato, e nem toda venda é “ponto final”. Em portfólio, muitas vezes a melhor decisão é a que preserva alternativas: vender quando há procura suficiente, segurar quando o mercado ainda não enxerga valor, ou preparar o ativo para que ele seja visto de outro jeito.
Por isso, seguimos tratando a rotação como um exercício contínuo de leitura: o que está mais fácil de negociar, o que perdeu apelo, o que precisa de tempo e o que pede uma mudança de abordagem. Na prática, isso também aparece na lista de ativos “à venda”: ela não é fixa. Nem todos os imóveis ficam expostos o tempo todo. Ajustar o que é apresentado e em que momento muda a conversa, porque altera o tipo de plano que o comprador consegue montar para o imóvel.
Quando a vocação do imóvel fica mais clara
Se as vendas mostram a importância de rede e método, a locação, em alguns casos, reforça um ponto básico: um imóvel costuma valer mais quando o uso combina com o lugar e com a demanda local. Isso aparece com mais força em ativos que carregam um “rótulo” de origem, como o bancário.
Nesse contexto, vale um caso que ilustra bem o tipo de trabalho que temos perseguido. Em Belo Horizonte, na região da Savassi, o RBVA possui um imóvel de cerca de 4.000 m² que, por um bom tempo, foi entendido pelo mercado como “agência grande”.
De acordo com essa leitura, a gestão trabalhou a venda desse imóvel, e as propostas giravam em torno de R$ 18 milhões. Depois que o banco deixou o espaço, a propriedade foi locada para um supermercado praticamente nos mesmos patamares de negociação, só que a régua mudou e as conversas passaram para algo na faixa de R$ 32–33 milhões. O imóvel é o mesmo. O que mudou foi a maneira como ele passou a ser lido e a narrativa a ele atribuída. Apesar da valorização expressiva, a gestão ainda entende que é possível extrair mais valor do imóvel e por isso espera o melhor timing de venda do ativo.
Esse tipo de reposicionamento abre possibilidades adiante e demonstra a capacidade da gestão de extrair valor do portfólio. Um novo contrato bem endereçado reduz a probabilidade de vacância, melhora previsibilidade e tende a atrair perfis de comprador que antes nem olhavam para aquele ativo.
Esse tipo de reposicionamento abre possibilidades adiante e demonstra a capacidade da gestão de extrair valor do portfólio. Um novo contrato bem endereçado reduz a probabilidade de vacância, melhora previsibilidade e tende a atrair perfis de comprador que antes nem olhavam para aquele ativo.
O trabalho que não aparece
Há uma parte importante dessa história que quase nunca cabe nos comunicados: o trabalho sem data exata. Essa atividade inclui acompanhar corretor, insistir em agenda, revisar minuta, ajustar premissa, entender por que uma hipótese não ganhou corpo e recomeçar com outra. É o que faz com que algumas operações pareçam rápidas quando, na verdade, foram maturadas.
Continuidade
O que está colocado para a frente é a continuidade do mesmo método: manter a rede ativa, aprofundar conversas com compradores que já conhecem o portfólio e seguir buscando ocupações que ajudem a deixar mais clara a vocação dos imóveis. Em imobiliário, o tempo pesa, e costuma favorecer quem trabalha com consistência.
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