'Anti-Meloni': quem é Silvia Salis, que pode unir oposição na Itália

Por Matheus Gonçalves 14 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
'Anti-Meloni': quem é Silvia Salis, que pode unir oposição na Itália

A oposição italiana vive um período de otimismo e confiança após uma derrota em um referendo sobre mudança judiciária apoiado pela primeira-ministra Giorgia Meloni, considerada de direita, no mês passado. Essa foi, até então, a maior derrota doméstica de Meoloni.

Em meio às esperanças renovadas, surge um novo nome para assumir a liderança da oposição: Silva Salis, prefeita de Gênova, ex-atleta olímpica de lançamento de martelo e uma relativa novata na política italiana. De esquerda, explica seu posicionamento em uma entrevista para a mídia no Palazzo Doria Tursi, edifício do século XVI que age como prefeitura da cidade:

“Sou uma candidata progressista que acredita firmemente que o desenvolvimento econômico e a justiça social podem coexistir”, disse Salis em seu gabinete. “Este governo de direita não conseguiu alcançar nenhum dos dois, deixando tanto poucos quanto muitos insatisfeitos. O que, por si só, já é uma grande conquista.”

Salis diz que não pertence a nenhum partido, mas que se situa firmemente à esquerda. Subiu à prominência política em 2025 ao unificar a oposição para derrotar um rival alinhado a Meloni concorrendo à prefeitura de Gênova.

Devido a isso e às suas orientações políticas de esquerda, Salis, também por ser uma líder feminina, ganhou a reputação (e apelido) de “Anti-Meloni” na Itália e, ultimamente, vem ganhando cada vez mais atenção política por isso.

No referendo do mês passado, que viu a derrota da reforma apoiada pela primeira-ministra, os números em Gênova foram ainda maiores dos cidadãos contra a mudança, galvanizando ainda mais Salis como uma opção promissora para representar a oposição.

A derrota, que contou com uma participação popular anormalmente alta de 60%, foi o primeiro golpe significativo no mandato de Meloni, que já é o terceiro mais longo da história da República Italiana.

Uma líder dominante, Meloni foi capaz de deixar seus maiores rivais político às margens do parlamento, ganhou a atenção de investidores e aumentou a influência da Itália em assuntos importantes como a guerra na Ucrânia e o acordo com o Mercosul. Nas redes sociais, Meloni diz que os italianos votaram “com clareza”, mas lamenta “ter perdido a chance de modernizar o país”.

Na foto, primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, que lidera com autoridade política o partido de direita Irmãos da Itália (Fratelli d't´Italia)

Um longo caminho para a oposição italiana

Apesar da vitória, da confiança renovada e da nova figura promissora, a oposição italiana ainda enfrenta um longo caminho rumo à relevância política.

Altamente fragmentada e descentralizada, é composta por blocos díspares e pouco organizados, incluindo partidos de centro-esquerda, populistas, partidos considerados mais extremos à esquerda, como o Partido Verde, e uma miríade de outros atores menores.

Além disso, uma data para as eleições primárias – nas quais, idealmente, um candidato da oposição, como Salis, ganharia ímpeto político – ainda não foi definida, levantando dúvidas sobre a duração da confiança renovada da oposição.

Até aqui, nenhum líder certo também emergiu, apesar da atenção direcionada a Salis, e os dois favoritos da oposição já têm mais experiência, tração e currículo político do que a novata: o ex-premiê Giuseppe Conte, que se alia ao partido Movimento Cinco Estrelas, considerado um populista de esquerda, e Elly Schlein, líder do Partido Democrata desde 2023.

Mas Salis também conta com um certo nível de prestígio e experiência dentre seus apoiadores. Um deles, o ex-premiê Matteo Renzi, que também já foi prefeito de Florença, se declarou um forte apoiador. Salis também contratou seu especialista em relações públicas, Marco Agnoletti, como consultor.

Também não esconde suas ambições e o fato de que gosta da atenção renovada. “É evidente que não consigo escapar dessa atenção nacional, não consigo me esquivar das perguntas. É algo interessante, me lisonjeia”, disse ela para repórteres, observando, todavia, que não participaria de nenhuma primária.

Mas, caso fosse convidada diretamente a entrar na disputa: “Diante de um pedido unânime, não posso dizer que nem sequer consideraria, isso seria mentir”.

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