Anvisa suspende lote de repelente: veja qual e o que fazer se tiver em casa
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão de um lote do repelente contra insetos da marca Repele, fabricado pela Mavaro Indústria e Comércio de Produtos Químicos Ltda.
O lote afetado é o 61/411. A medida proíbe a venda, a distribuição e o uso do produto, além de determinar o recolhimento voluntário das unidades já em circulação.
A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira (29), por meio da Resolução-RE nº 2.570, de 26 de junho de 2026.
A suspensão não é uma novidade isolada. Em 20 de maio deste ano, a Anvisa já havia feito uma interdição cautelar do mesmo lote, como medida preventiva enquanto aguardava a conclusão da análise laboratorial
O motivo da suspensão definitiva foi um resultado insatisfatório no teste que avalia a concentração de IR3535, princípio ativo responsável pela ação repelente do produto.
O que é o IR3535 e por que houve resultado insatisfatório?
O IR3535 é um ativo sintético amplamente usado em repelentes de insetos e funciona criando uma espécie de barreira de odor na pele.
Tal odor interfere no sistema olfativo de mosquitos e outros insetos, afastando-os.
A reprovação do lote 61/411 veio de um laudo emitido pelo Instituto Adolfo Lutz (Lacen-SP), laboratório oficial de saúde pública do estado de São Paulo, responsável por analisar produtos sujeitos à vigilância sanitária.
O laudo apontou que o lote não atingiu a concentração esperada de IR3535.
Na prática, isso significa que esse lote específico pode não oferecer a proteção que promete contra insetos, incluindo o Aedes aegypti, mosquito transmissor de dengue, zika e chikungunya.
A Anvisa não detalhou publicamente qual foi o desvio percentual encontrado no ensaio, nem quantas unidades fazem parte do lote recolhido.
O que diz a empresa?
Até o momento dessa publicação, a Mavaro não tinha se pronunciado em seu site oficial e nem nas suas redes oficiais.
Em nota reproduzida pelo site Poder360, a marca alega que identificou um desvio pontual no processo de fabricação do lote 61/411.
Segundo a empresa, desde a identificação do problema já foram adotadas medidas corretivas e preventivas, entre elas o rastreamento de clientes e canais que receberam o produto, o recolhimento das unidades impactadas e a substituição dos itens recolhidos.
A fabricante afirma que a ocorrência está restrita a esse lote e que segue colaborando com os órgãos competentes, prestando esclarecimentos e acompanhando o processo.
A empresa também reforçou seu compromisso com a qualidade dos produtos e a segurança de clientes, distribuidores e consumidores.
Tenho o repelente em casa, e agora?
A determinação da Anvisa vale apenas para o lote 61/411 do repelente Repele Mavaro. Os demais lotes da marca não foram afetados pela medida.
O primeiro passo é verificar o número do lote impresso na embalagem do produto. Caso ele corresponda ao 61/411, a orientação é interromper o uso imediatamente.
Especialistas em direito do consumidor recomendam não descartar o produto nem a embalagem antes de receber orientação da fabricante, já que informações como número do lote e data de fabricação costumam ser exigidas para troca ou reembolso.
Para resolver a situação, o consumidor deve procurar o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da Mavaro, indicado na embalagem ou no site da empresa, para obter instruções sobre devolução ou substituição do produto.
Caso o SAC não responda ou o atendimento seja insuficiente, é possível recorrer aos Procons estaduais e municipais ou à plataforma federal consumidor.gov.br.
Em casos de recolhimento determinado por autoridade sanitária, o consumidor tem direito à substituição do produto ou à devolução integral do valor pago, sem custo adicional.
Problemas com o produto também podem ser notificados diretamente à Anvisa pelo sistema Notifique, disponível no site da agência.
Repelentes do lote lote 61/411 da marca Mavaro foram proibidos pela Anvisa. (Imagem:divulgação)
Por que a Anvisa proíbe um produto?
A Anvisa tem o papel de proteger a saúde da população por meio do controle sanitário de produtos como medicamentos, cosméticos, alimentos e saneantes, categoria que inclui os repelentes de uso doméstico.
Quando um laboratório oficial, como o Instituto Adolfo Lutz, encontra uma irregularidade em um produto, a Anvisa pode determinar uma série de medidas para conter o risco.
Entre elas estão a suspensão da fabricação, da comercialização, da distribuição e do uso, além do recolhimento dos itens já vendidos.
O recolhimento pode acontecer de duas formas:
As duas modalidades seguem critérios previstos na legislação sanitária federal.
No caso de repelentes, a preocupação principal é a eficácia do produto.
Como esses itens são uma das principais formas de proteção individual contra doenças transmitidas por mosquitos, um lote com concentração insuficiente do princípio ativo pode dar uma falsa sensação de segurança ao consumidor, sem oferecer a proteção esperada contra picadas.
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