Aos 91 anos, primeira churrascaria do Brasil quer abrir franquias e ultrapassar os R$ 20 milhões
A primeira churrascaria do Brasil quer aumentar de tamanho em 2026 – em área de atendimento e em faturamento.
Fundada há 91 anos em Porto Alegre, a Churrascaria Santo Antônio está investindo R$ 900 mil para ampliar sua sede na capital gaúcha, que ganhará um novo espaço destinado a eventos. O plano para incrementar as vendas, contudo, não inclui somente sua cidade natal.
À frente do negócio desde que ele foi fundado, a família Aita avalia entrar no mercado de franquias para fincar sua bandeira em outras praças. Em Porto Alegre, a churrascaria é conhecida pelos cortes nobres servidos em uma grande casa no bairro Moinhos de Vento. A proposta de expansão, que ainda está sendo desenhada por uma consultoria, prevê unidades em um modelo diferente do que existe hoje.
“Serão operações mais enxutas, a exemplo do que fazem grandes redes daqui, como a Di Paolo", afirma o sócio Rafael Aita. "Queremos ter a primeira unidade no começo do próximo ano em Porto Alegre. Será própria, para termos maior controle do que será replicado”.
O investimento médio em cada franquia deve ser de R$ 500 mil, com retorno do investimento previsto para até três anos. A ideia é que a expansão do modelo ocorra em shoppings.
“Dependendo de como for a expansão do projeto, queremos crescer para fora do Estado. Com muita responsabilidade para conquistar esse mercado”, diz o empresário.
Com 60 funcionários, a Santo Antônio projeta faturar R$ 20 milhões em 2026. A ampliação da sede neste ano ajudará a chegar neste número, porém somente os 55 novos lugares para clientes não serão suficientes para isso.
Qual a história da churrascaria Santo Antônio
A origem do negócio remonta o tempo em que Porto Alegre terminava no bairro Moinhos de Vento.
Foi ali que os imigrantes italianos Antonio e Conchetta Aita montaram uma lanchonete para vender marmitas a trabalhadores da região. Com o tempo, o negócio evoluiu para uma cantina italiana e, posteriormente, para a churrascaria Santo Antônio.
Em 1935, Antonio se candidatou para fazer um churrasco no evento que celebrava o centenário da Revolução Farroupilha, promovido pelo governo gaúcho naquele ano. Ao ver que tinha demanda para o produto, o empresário decidiu transformar seu estabelecimento em uma churrascaria.
O formato ainda é o mesmo de quando a churrascaria foi fundada. No cardápio, há pratos à la carte, com cortes que são vendidos separadamente - diferente de churrascarias que servem o chamado “espeto corrido”. O modelo foi disseminado a partir dos anos 60 por churrasqueiros da cidade de Nova Brescia, no interior gaúcho.
“Quando eles chegaram aqui, diminuiu muito o nosso movimento, assim como foi na onda das galeterias. Diziam para meu pai colocar espeto corrido. Ele optou por melhorar o à la carte, pois achava que seria muito desperdício de carne ter espeto corrido. Nos mantivemos firmes na nossa decisão. Hoje, não tem mais tanto espeto corrido na cidade. A maioria das churrascarias voltou a servir os cortes”, diz o sócio Jorge Aita, referindo-se às chamadas “parrillas”, modelo importado de países como Argentina e Uruguai.
Qual é o atual momento da churrascaria
Aos 66 anos, Jorge toca o negócio com os filhos Rafael, formado em administração, e Fabrício, que fez faculdade de gastronomia. O empresário ainda passou o bastão completamente, mas delegou a eles a função de modernizar o estabelecimento.
“Eles entraram com uma gana do tamanho do mundo", afirma. "Se preparam muito bem e a coisa começou a evoluir”, afirma o empresário.
As coisas não andavam muito bem na churrascaria antes da chegada dos irmãos.
Na época, o foco de Jorge era em uma empresa especializada em eventos externos, que faturava, por ano, R$ 5 milhões com apenas três funcionários no quadro. O empenho neste negócio paralelo fez com que o empresário colocasse os imóveis da churrascaria à venda. Porém os filhos o fizeram mudar de ideia.
“Eu tinha pensado em me dedicar somente aos eventos", diz. "Eles vieram com a história de que queriam entrar na churrascaria de mãos dadas com os seus filhos deles no futuro, assim como eu fiz com eles. Imediatamente peguei meu carro e cancelei o negócio”.
De 2021 para 2025, período em que Rafael e Fabrício estão na operação, o faturamento da empresa cresceu mais de 200%.
No primeiro ano da chegada dos irmãos, as vendas no restaurante somaram R$ 4,5 milhões – ao passo em que os gastos consumiam boa parte desse valor. Após uma série de mudanças implementadas na nova gestão, o balanço de 2025 mostrou faturamento de R$ 15,6 milhões.
Entre as mudanças implementadas para chegar neste número, está o fechamento do braço de eventos externos de Jorge Aita.
Com o foco 100% na churrascaria e investimentos que somam R$ 1,8 milhão, a marca se modernizou e renovou o público – ao mesmo tempo que manteve sua tradição para reter clientes de décadas.
Quais os próximos passos da Santo Antônio
Para atingir os R$ 20 milhões de faturamento ainda este ano, mais projetos estão a caminho.
O plano de crescimento da Santo Antônio antes das franquias inclui a reforma de um espaço de eventos da rede no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, onde é realizada a tradicional feira Expointer.
O local passou por remodelação estrutural e terá capacidade para até 400 pessoas sentadas. A estrutura conta com cozinha industrial completa, climatização e layout flexível para diferentes formatos de eventos. Entre os diferenciais está a possibilidade de realizar fogo de chão no gramado em frente ao restaurante.
Outro projeto que visa aumentar o faturamento da churrascaria é o Santo Clube, encontros gastronômicos conduzidos por Jorge Aita. A proposta é oferecer uma experiência inspirada no conceito de omakase (em restaurantes de culinária japonesa), em que o chef define uma sequência de pratos. As vagas são limitadas a até 30 pessoas.
Nos últimos anos, o estabelecimento passou por reformas criativas, com utilização de poucos recursos na comparação com negócios do mesmo segmento. Paredes ficaram expostas com tijolos maciços pois os sócios não tinham dinheiro para rebocar e pintar. A entrada, que antes era fechada, recebeu uma “vitrine” em, que o cliente que passa na calçada se sente atraído pelo que vê no interior da loja.
A churrasqueira, grande protagonista da casa, saiu da cozinha - onde estava escondida- e está agora na entrada do restaurante.
Somente no ano passado, a casa serviu mais de 55 toneladas de carne aos clientes. O jeito de prepará-las ainda é o mesmo de décadas atrás. Pouco foi mudado da cozinha para dentro, exceto a receita do molho de tomate da casa, adaptada por Fabrício. A iguaria compõe um dos pratos mais vendidos da casa: o filé a parmeggiana.
“O pai sempre nos deu muita liberdade. Nenhuma mudança foi sem o alvará dele, mas ele sempre foi muito permissivo.", diz Fabrício. "Ele diz ‘faz, se não der certo, voltamos atrás’. Implementamos gestão, com processos para dentro do negócio. Antes, tudo era centralizado na cabeça do pai. Ele que comandava, que sabia tudo. Hoje, temos processos para tudo”.
“A gente briga às vezes, mas não pode dormir brigados. Acabamos as reuniões e já apertamos as mãos, nos abraçamos. Bora para a próxima. Lidamos com a fome das pessoas. Se demora 15 minutos para chegar um prato, o pessoal já fica indignado. Não podemos errar. Somos apaixonados pela entrega”, diz Jorge.
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