Apetite por risco em Wall Street tem movimento similar à febre das 'meme stocks'

Por Ana Luiza Serrão 21 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Apetite por risco em Wall Street tem movimento similar à febre das 'meme stocks'

O apetite dos investidores por risco em Wall Street voltou a níveis que não eram vistos desde o auge da febre das 'meme stocks', em 2021, quando ações viralizaram e provocaram altas históricas, como a GameStop e a AMC.

Agora dados da Cboe Global Markets, divulgados pelo MarketWatch, mostram uma nova corrida para apostas especulativas ligadas à bolsa estadunidense, especialmente no mercado de opções.

Este segmento é usado tanto para proteção quanto para apostas sobre a direção futura das ações. Aqui o investidor compra o direito de negociar um papel a um preço pré-determinado até uma determinada data.

Estrategistas da Cboe apontam um aumento forte nas operações com opções de compra "fora do dinheiro" (out-of-the-money), modalidade em que o preço estipulado para compra da ação fica acima da cotação atual do papel.

Esses contratos costumam ser mais baratos do que opções próximas do preço atual da ação e podem gerar retornos maiores caso a valorização esperada aconteça.

Aumento da atividade no mercado de opções

A Citadel Securities também mostrou que o avanço dessas operações coincidiu com um aumento da atividade de investidores no mercado de opções.

Como resultado, mais de 20% das 100 maiores empresas do S&P 500 passaram a apresentar esse desequilíbrio no mercado de opções de três meses, o maior nível desde o início de 2021.

Já em condições normais, as opções usadas como proteção contra quedas da bolsa, chamadas opções de venda, costumam ser negociadas com prêmio superior ao das opções de compra.

O mesmo geralmente acontece com contratos próximos do preço atual da ação, já que opções mais distantes têm menor probabilidade de gerar lucro, conforme explicaram as fontes ao MarketWatch.

A chamada inversão da assimetria acontece quando investidores passam a pagar mais pelas opções mais arriscadas e especulativas do que pelas opções mais tradicionais.

'FOMO' leva a um aumento da exposição

Especialistas em derivativos afirmam que esse comportamento pode indicar a presença do chamado "medo de ficar de fora" (FOMO, em inglês), fenômeno em que investidores aumentam exposição a ativos que já tiveram forte valorização recente.

De acordo com a consultoria SpotGamma, parte relevante desse movimento está concentrada em opções ligadas a empresas de semicondutores, setor que vem liderando os ganhos do mercado nos últimos meses devido ao avanço da inteligência artificial (IA).

A euforia com essas grandes companhias não só está aumentando o preço dos papéis, mas também eleva os riscos da formação de uma bolha mais propensa a ajustes bruscos.

O Banco Central Europeu (BCE) alertou, ainda em 2025, que a valorização estava relacionada a expectativas irreais e receio de perder ganhos apesar de reconhecer lucros "excepcionalmente robustos."

*Com informações de Guilherme Bernardi

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