Aplicativo sueco DUIU testa no Brasil rede social que paga por trends
Criado na Suécia, o aplicativo DUIU escolheu o Brasil como mercado de teste para validar seu modelo de rede social baseado em desafios, premiações e engajamento diário.
Previsto para estrear oficialmente no dia 15 de junho, o app tem a tese de que, se o produto funcionar em um país com a dimensão territorial e a diversidade cultural brasileira, terá mais chance de ser replicado em outros mercados. A reportagem teve contato com o aplicativo durante um lançamento fechado para influenciadores no evento Ori Experience, realizado em São Paulo, no sábado, 6.
A plataforma foi desenvolvida em Estocolmo por Pontus Hörnby Liljeblad e Carl Grevelius, dois suecos com passagem pelo mercado financeiro. Pontus, que é o CEO da companhia, começou a desenvolver a ideia há seis anos, em um momento em que via as redes sociais se afastarem da interação entre pessoas.
Pontus Hörnby Liljeblad: CEO e cofundador da DUIU: (Reprodução)
“Pontus enxergou um momento em que as redes pareciam cada vez menos sobre pessoas”, afirma João Savatin, diretor-geral da DUIU no Brasil. Segundo ele, a pergunta que guiou o desenvolvimento do aplicativo era como criar uma interação mais profunda e verdadeira entre os usuários.
O primeiro investidor externo entrou há cerca de dois meses: Greg Paull, dono da Media Science, uma consultoria de dados do mercado de marketing. Além do aporte financeiro, Paull passou a integrar o conselho da companhia.
No aplicativo, o feed se parece com o que atualmente existe no TikTok e Instagram, mas com o diferencial de funcionar com movimentos do dedo, puxando o dedo da direita para a esquerda, quando o usuário quer trocar de tema, ou de baixo para cima, quando a ideia for aprofundar em vídeos do mesmo tema.
O "curtir" no app vira "voto", ação que reposiciona os vídeos e até comentários em vídeo em uma ordem de "mais votados".
Brasil é escolhido como teste para validar produto
A escolha do Brasil como mercado inicial tem relação com o tamanho e a complexidade do país. Para a DUIU, a diversidade de perfis de consumo, regiões, hábitos digitais e comportamentos culturais torna o mercado brasileiro um ambiente de validação mais exigente.
A meta da empresa é chegar a pelo menos 1 milhão de usuários no Brasil até o fim do ano. O objetivo, segundo Savatin, não é apenas formar uma grande base, mas reunir pessoas com alto nível de participação nas ações propostas por marcas.
“Nos preocupamos com a qualidade do conteúdo e não seremos punitivos se o criador de conteúdo não postar todos os dias”, diz o executivo.
A estratégia comercial começa com marcas como Salvee, Centauro e Época Cosméticos, que estarão no lançamento da plataforma. A DUIU também afirma ter parcerias com empresas menores, em um formato baseado em drops, ações de curta duração que combinam desafio, prêmio e conteúdo produzido pelos próprios usuários.
Experiência em plataformas digitais orienta operação brasileira
A operação brasileira é liderada por João Savatin, profissional com passagens por TikTok, Reckitt e Renova. No TikTok, atuou desde a fase inicial da operação no Brasil, quando a plataforma ainda tinha uma equipe reduzida e concentrada em conteúdo, até a estruturação de frentes ligadas a criadores, campanhas e marcas.
A chegada de Savatin à DUIU ocorreu a partir de conversas com os fundadores suecos sobre a adaptação do produto ao mercado brasileiro. Com experiência em conteúdo, operação de plataformas e estratégia para marcas, ele passou a integrar a companhia para conduzir a estratégia local e ajudar a validar o modelo no Brasil.
O modelo da DUIU propõe que marcas lancem desafios para estimular usuários a gravar vídeos, publicar respostas e mobilizar votos. A dinâmica funciona como uma ação de engajamento, mas também como uma ferramenta de pesquisa de comportamento.
A empresa diz que seu diferencial está no analytics, área de análise de dados do aplicativo. A plataforma afirma conseguir identificar quem assistiu ao conteúdo, quem votou e quem participou ativamente de uma campanha, o que permitiria separar usuários que apenas visualizaram uma ação daqueles que produziram conteúdo e ajudaram a ampliar seu alcance.
Para as marcas, a promessa é acessar uma base de leads qualificados, potenciais consumidores com maior chance de conversão, em vez de apenas comprar visibilidade em uma rede aberta. Para quem resolver baixar o app no lançamento, além de concorrer aos pagamentos por engajamento, surge a rara oportunidade de ter o @nome.
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