Após alta de preços, café deve recuperar margens em 2026, diz CEO da Illy
A rentabilidade do café deve voltar a níveis considerados normais na safra 2026 segundo Andrea Illy, presidente da Illycaffè. Após um período de pressão nas margens causado pela disparada dos preços da commodity, a empresa aposta em uma combinação de fatores de mercado e estratégia para melhorar a lucratividade.
“Este ano, o custo do café é maior do que a média do ano passado, mas a rentabilidade vai ser normalizada e retornar a níveis ótimos”, afirmou o executivo em entrevista a jornalistas nesta quinta-feira, 7.
Em 2025, a receita da Illycaffè alcançou 700 milhões de euros, um aumento de 12%. Para este ano, o executivo não abre projeções para 2026.
Nos últimos dois anos, o setor enfrentou uma escalada significativa nos preços, causada pela crise climática em dois dos principais produtores globais, o Brasil e o Vietnã.
Segundo Illy, a média chegou a ser três vezes superior ao custo histórico, o que exigiu ajustes rápidos. “É preciso um período breve de adaptação para absorver o aumento de custos, otimizar outros custos operacionais e aumentar preços no mercado”, disse.
Esse cenário levou a uma leve queda na rentabilidade em 2025, refletindo a dificuldade de repassar integralmente os aumentos ao consumidor sem afetar a demanda. Ainda assim, a companhia afirma ter adotado uma política disciplinada de preços para preservar o equilíbrio financeiro.
A volatilidade do mercado continua sendo um dos principais desafios para o setor. Segundo Illy, eventos climáticos extremos têm se tornado mais frequentes e intensos, tornando os preços menos previsíveis. “Hoje a frequência e intensidade dos eventos climáticos causa uma volatilidade contínua”, disse.
Além disso, fatores como a possibilidade de um novo fenômeno climático e estoques globais ainda baixos tendem a sustentar os preços em patamares elevados, mesmo diante de uma safra maior.
A estratégia da Illy para lidar com esse cenário inclui foco em cafés de alta qualidade, compra direta de produtores e investimentos em sistemas de preparação. Para o CEO, esses elementos permitem maior controle de custos e resiliência frente às oscilações do mercado.
A visão do CEO está em linha com o setor de café brasileiro. Em janeiro deste ano, a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) afirmou que a indústria projeta um cenário de preços mais estáveis em 2026, sustentado por uma safra positiva e condições climáticas mais regulares.
Safra maior pode aliviar pressão
Para a safra 2026, a expectativa de uma produção mais abundante de café surge como um fator de alívio para o mercado, avalia Andrea Illy. A colheita no Brasil deve ser impulsionada pelo ciclo de alta da bienalidade e por condições climáticas favoráveis observadas desde o ano passado.
A avaliação do executivo está em linha com as projeções oficiais. O Brasil deve produzir 66,2 milhões de sacas beneficiadas de café em 2026, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Se confirmado, o volume representará um novo recorde, superando a safra de 2020.
Apesar do cenário mais otimista, o executivo pondera que ainda há incertezas relevantes sobre o tamanho final da safra, especialmente diante da possível ocorrência de um novo El Niño.
"Tem mais de 90% de probabilidade de ter um super El Niño na segunda parte do ano, mas ninguém pode prever o efeito”, disse Illy.
Segundo ele, embora o fenômeno esteja associado a seca e temperaturas elevadas, não há uma correlação direta com perdas de produção, já que, em episódios anteriores, a safra se manteve robusta mesmo sob essas condições.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: