Após correção global, Goldman Sachs vê Brasil como oportunidade entre emergentes

Por Da Redação 5 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Após correção global, Goldman Sachs vê Brasil como oportunidade entre emergentes

A recente turbulência nos mercados globais provocada pela escalada do conflito no Oriente Médio pode abrir espaço para oportunidades em alguns mercados emergentes — e o Brasil aparece entre os principais candidatos. É o que aponta um relatório do Goldman Sachs, que analisa os efeitos do choque energético provocado pela crise envolvendo o Irã.

Segundo o banco, o aumento dos preços do petróleo e o salto no risco geopolítico provocaram uma onda de venda de ativos de risco em mercados emergentes. O movimento levou o índice MSCI Emerging Markets a cair cerca de 9% na última semana, refletindo o desmonte de posições em países mais expostos ao choque energético ou que haviam acumulado forte valorização recentemente.

Mesmo assim, os estrategistas afirmam que o impacto real da crise sobre os fundamentos das empresas emergentes tende a ser limitado — especialmente se a interrupção nos mercados de energia for temporária.

“Se a disrupção for de curta duração, vemos impacto agregado limitado nos lucros”, afirmam os analistas, que mantiveram a projeção de crescimento de 25% nos lucros das empresas do MSCI Emerging Markets em 2026.

Correção pode criar pontos de entrada

Na avaliação do Goldman Sachs, a recente correção pode criar pontos de entrada em mercados ligados ao ciclo de commodities. O relatório destaca especificamente Brasil e África do Sul como exemplos de países que podem se beneficiar desse movimento.

De acordo com o banco, parte da queda recente nas bolsas emergentes reflete mais um ajuste de posicionamento de investidores do que uma deterioração significativa dos fundamentos econômicos. Países que haviam registrado ganhos fortes no último ano — como Brasil, Coreia do Sul e África do Sul — também sofreram vendas mais intensas nesse processo.

Esse ajuste, porém, pode abrir espaço para compras táticas caso o cenário geopolítico não se prolongue.

Exportadores de energia tendem a ganhar com petróleo mais caro

O banco também afirma que países exportadores de energia fora da região diretamente afetada pelo conflito podem ter desempenho superior no curto prazo. A alta dos preços do petróleo tende a favorecer produtores em regiões como América Latina e Ásia, que podem capturar ganhos com o choque de preços sem sofrer diretamente os efeitos da guerra.

Ao mesmo tempo, setores ligados a infraestrutura e turismo no Oriente Médio podem enfrentar pressão adicional se houver interrupções físicas nas cadeias logísticas da região.

Volatilidade no curto prazo

Apesar da visão relativamente construtiva para alguns mercados emergentes, o relatório ressalta que o ambiente global segue sensível ao avanço do conflito. O aumento do preço da energia pode pressionar a inflação global e provocar ajustes nas curvas de juros, afetando especialmente países onde investidores estavam posicionados para cortes de taxas.

Moedas emergentes também sofreram forte desvalorização após o início da crise. Entre as mais pressionadas estão o real brasileiro, o peso chileno e o rand sul-africano, considerados ativos mais sensíveis ao apetite global por risco.

Impacto histórico tende a ser limitado

Ainda assim, a análise histórica feita pelo Goldman Sachs indica que choques semelhantes no mercado de petróleo costumam provocar apenas quedas moderadas nas bolsas emergentes e, em muitos casos, de curta duração.

Eventos anteriores de aumento abrupto do petróleo combinados com risco geopolítico levaram a desvalorizações relativamente pequenas no índice de mercados emergentes ao longo dos meses seguintes.

Nesse contexto, os estrategistas argumentam que a atual correção pode representar uma oportunidade seletiva de investimento — especialmente em países exportadores de commodities.

Para o Brasil, cuja bolsa tem forte exposição a petróleo, mineração e outros recursos naturais, a combinação de preços elevados de energia e uma eventual estabilização do risco geopolítico pode reforçar o interesse dos investidores globais.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: