Após demissão, ela vendeu o carro e fatura R$ 17 milhões com semijoiais
Luana Cabral, 40 anos, cresceu vendo a mãe trabalhar como revendedora de semijoias. Inspirada na trajetória da mãe e na experiência trabalhando em comércios de produtos voltados para o público feminino, ela criou a Luah Semijoias, que faturou R$ 17,4 milhões em 2025.
“Desde o início da empresa, o meu foco é na criação de marca para me comunicar com revendedoras e gerar renda para outras mulheres”, afirma Luana. Hoje, a empresa soma 2,3 mil revendedoras e 17 lojas físicas, que funcionam no modelo de franquia.
Para 2026, a expectativa é chegar a 25 lojas e faturar R$ 21 milhões. Na mira estão a estruturação de um programa de excelência e estratégias de marketing.
A aposta após a demissão
Após ser demitida de um cargo de gerente de uma loja da Vivara, em 2013, Luana Cabral decidiu usar a rescisão e a venda de um carro para empreender. O valor do investimento inicial foi de cerca de R$ 40 mil.
Com o contato com o mundo dos acessórios desde a infância, foi natural optar por uma empresa de semijoias. “Minha mãe me ajudou muito. Ela tinha conhecimento na área e também o contato de alguns fornecedores”, lembra. Antes de iniciar as vendas, viajou até o interior de São Paulo para encontrar e fechar contratos com fornecedores.
Com os fornecedores encontrados, ela começou as vendas no apartamento onde morava, em São Luís (MA). “Eu vendia na minha maleta, mas desde o início já procurei pessoas interessadas em revender. Oferecia a oportunidade para colegas de trabalho da minha irmã e para as próprias clientes”, diz Luana.
O crescimento foi orgânico, mas com o desafio de conseguir faturar mais do que gastava a cada etapa de profissionalização. Mesmo sabendo que ainda não tinha tamanho e renda para um espaço dedicado à empresa, por exemplo, ela apostou no aluguel de um escritório para atender clientes e revendedoras nos primeiros meses de funcionamento.
“Eu percebi que, para ter mais credibilidade junto ao cliente, eu precisava de um lugar adequado, e não mais a mesa de jantar da minha casa”, afirma. Com seis meses de negócio, ela já contava com 40 revendedoras.
Para Luana, a trajetória também trouxe desafios comuns a muitas empreendedoras, como o acumulo de responsabilidades e a necessidade de provar a sua capacidade.
“Empreender como mulher muitas vezes significa precisar provar duas vezes mais a própria capacidade, mas aprendi a transformar essas barreiras em combustível para mostrar que mulheres podem liderar, inovar e escalar negócios com grandes resultados.”
O foco nunca foi na produção de semijoias em uma fábrica própria – a empresa tem peças autorais, mas todas feitas em parceria com fornecedores. Foi a criação de confiança e a construção de marca voltada para as revendedoras que fez a empresa crescer até 2017, quando abriu a sua primeira loja física – inaugurada na cidade Araguaína (TO), sua terra natal.
“O maior desafio de abrir o ponto físico foi o aumento dos custos, já que uma loja de rua exige mais estrutura e aluguel mais alto. Por outro lado, o espaço trouxe mais credibilidade e ajudou mais pessoas a conhecerem a marca”, diz Luana Cabral.
Foi um momento em que o número de revendedoras cresceu e preparou a empresa para o modelo de franquias.
De revendedoras a rede franqueada
No mesmo ano da loja física, Luana começou a montar o modelo de franquias. “Começamos apenas com a revenda. Quando vimos que o negócio estava dando certo, estruturamos a empresa juridicamente e passamos a trabalhar para franquear a marca.” A primeira unidade foi inaugurada em São Luís (MA).
As franqueadas seguem o modelo da primeira loja inaugurada pela empreendedora: um ponto comercial para venda direta, mas também com um espaço de atendimento destinado ao acolhimento das revendedoras, que conta até com espaço kids para aquelas que precisam estar com os filhos.
“Queremos transformar as semijoias em renda para mulheres, por isso o cuidado em acolher as revendedoras, que contribuem para 85% do nosso faturamento”, afirma.
São dois modelos para abrir uma franquia: home office, com investimento de R$ 105 mil, e loja física, por R$ 243 mil. O prazo de retorno estimado varia entre 15 a 22 meses.
Ela explica que o modelo home office existe para quem quer começar a conhecer a marca e o negócio, mas com o objetivo de levar para a loja física em um ano. Hoje, a rede soma 15 unidades abertas e duas em implementação.
“A maior parte dos nossos clientes e parceiros chegou de forma orgânica, conhecendo a marca e se conectando com o nosso propósito. Isso nos dá segurança para crescer com quem realmente acredita no negócio”, diz Luana.
A rota para os R$ 21 milhões
Para 2026, a expectativa é que a Luah Semijoias feche com 25 unidades, 2,8 mil revendedoras e um faturamento de R$ 21 milhões. Para isso, a empreendedora aposta na criação de um programa de excelência, que contabiliza indicadores como retenção de revendedoras, adoção de campanhas da marca e faturamento. A indicação de futuros franqueados soma pontos nessa iniciativa, que vai resultar em premiação com viagens e, mais para frente, outras experiências.
“A ideia é medir o desempenho dos franqueados, orientar e, ao mesmo tempo, chegar a novos interessados em abrir uma unidade”, afirma Luana.
Ao lado dessa iniciativa, a empresa vem investindo em assessoria e marketing para alcançar um novo público. Hoje, a Luah Semijoias já está em estados como Tocantins, Maranhão, Pará, Piauí, Bahia e Amapá – com foco em expandir as atuações para o Centro-Oeste em 2026.
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