Após exit milionário e best-seller, Arthur Frota lança holding para 'imprimir' startups

Por Leo Branco 7 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Após exit milionário e best-seller, Arthur Frota lança holding para 'imprimir' startups

O mercado de tecnologia no Brasil passa por uma nova fase, com avanço de ferramentas de inteligência artificial e foco maior em produtividade nas empresas.

Esse movimento tem aberto espaço para novos negócios — e também para empreendedores que, após um exit, passam a estruturar novas teses de investimento.

É nesse contexto que o cearense Arthur Frota lança a Frota Participações (FPA), uma holding voltada à criação e aquisição de empresas de tecnologia.

A iniciativa vem depois da venda da Tallos, startup de mensageria fundada por ele, para a RD Station, do grupo Totvs, em 2024, em uma operação de cerca de R$ 140 milhões, segundo informações do balanço da Totvs na época.

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A nova holding nasce com um aporte inicial de R$ 25 milhões de capital próprio. A ideia é validar uma tese que combina investimento e criação de empresas, com foco em negócios voltados a pequenas e médias empresas.

“O que a gente quer é criar uma impressora de novas Tallos”, afirma Frota.

O plano envolve replicar o modelo que ele diz ter aplicado na empresa anterior: negócios inseridos em mercados grandes, com uso recorrente e operação eficiente, capazes de crescer com menos capital.

Ao mesmo tempo, Frota lançou o livro “Enquanto uns falam, outros escalam”, no qual organiza esse modelo de crescimento.

A obra já vendeu mais de 5.000 cópias, entrou em listas de mais vendidos e teve recorde de vendas no lançamento em Fortaleza.

Da garagem em Maracanaú ao exit

Arthur Frota nasceu e cresceu em Maracanaú, na região metropolitana de Fortaleza. Começou a trabalhar cedo e passou por empresas de call center e do setor financeiro, onde teve contato com vendas e negociação.

Também atuou como professor em uma escola técnica e chegou a assumir funções de gestão em uma empresa de tecnologia. Foi nesse período que decidiu criar o próprio negócio.

A Tallos surgiu em 2017, dentro de uma garagem.

A ideia partiu de uma leitura direta do mercado: empresas estavam migrando para o digital, mas ainda não tinham ferramentas estruturadas para se relacionar com clientes nesse ambiente.

A empresa desenvolveu uma plataforma de atendimento digital, com foco em mensageria e canais como o WhatsApp. O produto passou a ser usado por empresas para organizar comunicação com clientes, vendas e suporte.

Nos primeiros anos, a startup recebeu investimento-anjo e estruturou a operação. Em 2022, Frota iniciou conversas para venda parcial do negócio.

A transação foi feita em duas etapas: 50% da empresa foi vendida em 2022 e o restante em 2024. No período de earnout, a Tallos registrou crescimento de receita de 16 vezes e atingiu uma base de 8.000 clientes B2B em todo o país.

O retorno para investidores-anjo chegou a 192 vezes o capital aportado.

“A Tallos já tinha alcançado um market share relevante e tínhamos um EBITDA extremamente positivo”, afirma Frota. “Precisávamos fortalecer o caixa para seguir o plano de crescimento.”

O método Scale

A experiência com a Tallos deu origem ao que Frota chama de método Scale. O modelo organiza o crescimento de empresas a partir de uma base estruturada antes da expansão.

O método é baseado em seis pilares: estratégia, sistemas, cultura, aquisição, liderança e execução. A proposta é evitar crescimento desorganizado e criar uma operação que sustente escala.

“O trabalho começa antes do crescimento e só avança quando a base está sólida”, afirma.

Segundo Frota, o foco está em empresas inseridas em mercados amplos e com produtos de uso frequente. A ideia é evitar soluções pontuais e priorizar ferramentas que fazem parte da rotina das empresas.

O livro também cumpre uma função prática dentro da estratégia atual: dar visibilidade ao empreendedor e atrair novos fundadores para os projetos da holding.

A tese da FPA

A Frota Participações foi criada como uma estrutura para aplicar esse método em novos negócios. A holding atua de duas formas: investindo em empresas já existentes ou criando operações do zero.

No primeiro caso, entra como sócia ativa, atuando na reorganização de processos, estrutura de gestão e uso de tecnologia.

No segundo, conecta oportunidades de mercado a empreendedores, estruturando o negócio desde o início.

O foco está em empresas de software e fintechs que atendem pequenas e médias empresas. Frota chama esse tipo de produto de negócio de uso diário.

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“Eu quero negócios que o cliente abra todo dia para trabalhar”, afirma.

A estratégia inclui priorizar empresas que ajudam a melhorar vendas, marketing, atendimento e operação dessas companhias.

Outro ponto central é o uso de inteligência artificial. A FPA busca negócios que utilizem IA para aumentar produtividade, reduzir custos e melhorar faturamento.

Frota também aponta uma oportunidade em torno de softwares já existentes, como ERPs, que podem demandar novas camadas tecnológicas para integrar inteligência artificial.

“Imprimir gazelas”

A lógica da holding não é buscar grandes empresas de tecnologia com valuation bilionário. A proposta é criar uma série de negócios menores, que crescem com eficiência e permitem saídas ao longo do tempo.

Frota chama essas empresas de “gazelas”, negócios que crescem de forma consistente e com menor necessidade de capital.

A ideia é replicar esse modelo em sequência, combinando criação e investimento.

“Eu não preciso competir com empresas globais. Eu quero criar várias empresas eficientes dentro da realidade brasileira”, afirma.

A holding está sediada em Fortaleza, mas a atuação é nacional. A busca é por empreendedores e negócios em diferentes regiões do país.

Próximos passos

A FPA começa com capital próprio e deve usar os R$ 25 milhões iniciais para testar a tese. A partir da validação, Frota considera abrir espaço para novos investidores e ampliar os aportes.

A estrutura também já nasce com um braço de educação, voltado a ensinar o método Scale a outros empreendedores.

Ao mesmo tempo, Frota segue envolvido diretamente na operação dos novos negócios, participando da construção, estruturação e execução.

A expectativa é usar a holding como base para criar e escalar novas empresas ao longo dos próximos anos.

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