Após faturar R$ 542 mi com milkshakes, Milky Moo aposta em crescer onde a loja não chega

Por Isabela Rovaroto 8 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Após faturar R$ 542 mi com milkshakes, Milky Moo aposta em crescer onde a loja não chega

Após um faturamento recorde de R$ 542 milhões no ano passado, a Milky Moo começa 2026 com um novo capítulo em sua estratégia de expansão.

A rede de milkshakes anunciou o lançamento da Milky Moo Festa, modelo de operação móvel criado para atuar em eventos e celebrações e, sobretudo, permitir que a marca avance em cidades onde o formato tradicional de loja não se sustenta.

A aposta marca uma mudança relevante na lógica de crescimento da companhia. Mais do que um formato complementar, a operação móvel nasce com ambição de escala.

“A gente enxerga esse modelo como o nosso segundo grande motor de crescimento. No longo prazo, ele deve representar pelo menos 50% da rede”, afirma Lohran Soares, CEO e fundador da Milky Moo.

Hoje, a expansão da rede é puxada majoritariamente por lojas físicas — de rua, shopping e quiosques. Mas esse modelo tem limitações naturais, especialmente em relação à densidade populacional e retorno sobre o investimento.

“Existem centenas, talvez milhares de cidades onde não conseguimos operar com loja física, mas onde há demanda clara para eventos”, diz o executivo. “O formato Festa nos permite entrar onde antes não entrávamos.”

Novo formato fora das grandes praças

A Milky Moo Festa foi desenhada como uma operação compacta e móvel, com estrutura de fácil transporte, equipe reduzida e produção no local.

O investimento inicial parte de R$ 200 mil, valor inferior ao exigido pelos modelos tradicionais da rede.

A proposta é atender aniversários, festas, ações corporativas, eventos temporários e ativações de marca — ocasiões de consumo que não dependem de um ponto fixo.

O modelo pode operar como formato principal em cidades a partir de 25 mil habitantes e, em municípios maiores, atuar de forma complementar às lojas já existentes.

“Não há canibalização com as unidades físicas, porque é um momento diferente de consumo”, diz Soares. “Quem está em uma festa consome na festa. A pessoa come o salgadinho, o bolo, e agora toma Milky Moo ali. Isso gera receita incremental e ainda fortalece a marca.”

Segundo o CEO, a criação do formato responde a uma leitura mais ampla do mercado de foodservice, que vem passando por um processo de flexibilização dos modelos operacionais. A busca por formatos mais leves, escaláveis e com menor complexidade tem ganhado força, especialmente fora dos grandes centros urbanos.

Um incômodo que virou negócio

Milky Moo lança novo modelo de operação mirando eventos (Milky Moo/Divulgação)

A ideia da Milky Moo Festa nasceu de uma situação prática dentro da própria rede.

“Um franqueado nosso contratou uma operação de milk-shake de outra marca para um pequeno evento. Aquilo me incomodou”, conta Soares. “Se ele já é franqueado Milky Moo, por que precisaria buscar outro fornecedor para esse tipo de ocasião?”

O episódio funcionou como gatilho para acelerar um projeto que já vinha sendo discutido internamente.

“Era um pleito antigo dentro da companhia desenvolver algo voltado para pequenos eventos. Eu costumo dizer que juntei a fome com a vontade de comer: vimos uma demanda real e entendemos que fazia todo sentido estruturar uma operação nossa para atender esse mercado”, afirma.

A partir daí, o modelo foi estruturado para manter os mesmos padrões de produto, atendimento, identidade visual e experiência da marca, mesmo fora de um ponto fixo. A ideia é que o consumidor reconheça a Milky Moo independentemente do formato — seja em uma loja, quiosque ou festa.

Capilaridade como estratégia

Com base em um estudo interno de expansão, a Milky Moo mapeou 1.352 cidades com potencial para receber o novo formato e identificou 1.745 oportunidades de operação da Milky Moo Festa em todo o país.

O levantamento considera critérios como população, recorrência de eventos e capacidade de absorção do modelo móvel.

A ambição, segundo Soares, é equilibrar a rede no longo prazo.

“A expectativa é chegar a algo em torno de 1.500 unidades do modelo tradicional e 1.500 franquias do modelo Festa”, diz. “É um movimento claro de capilaridade. A gente amplia presença nacional sem depender exclusivamente das grandes praças.”

O perfil do franqueado também muda em relação ao modelo tradicional. Para a operação móvel, a rede busca empreendedores com forte perfil comercial, bom relacionamento local e capacidade de prospectar parcerias.

“É um modelo muito conectado a eventos. O franqueado precisa ter energia para se relacionar, gerar demanda e ativar o negócio na própria cidade”, afirma o CEO.

Recorde e metas agressivas

O lançamento do novo formato acontece em um momento de forte tração da marca. Em 2025, a Milky Moo teve o melhor desempenho de sua história. O sell-out da rede saltou de R$ 388 milhões para R$ 542 milhões. Em número de unidades, a companhia saiu de 612 para 800 lojas, com quase 200 novas operações abertas no ano.

Além da expansão física, a rede também registrou crescimento de dois dígitos em mais da metade dos meses de 2025 e uma alta próxima de 10% na venda média por unidade.

“Foi um ano icônico para a companhia”, diz Soares. “Mostra a força da marca no consumidor final e o amadurecimento da operação.”

Para 2026, a meta é manter o ritmo acelerado. A companhia projeta crescer 50% tanto em faturamento quanto em pontos de venda, impulsionada pela consolidação do modelo tradicional e pela aceleração do formato Festa.

“É um objetivo ousado, mas totalmente alinhado com o momento da empresa”, afirma o executivo.

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