Após semana turbulenta, ouro cruza US$ 5 mil novamente

Por Ana Luiza Serrão 10 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Após semana turbulenta, ouro cruza US$ 5 mil novamente

O ouro voltou a superar a marca de US$ 5 mil por onça nesta segunda-feira, 9, em um movimento que sinaliza retomada do apetite por ativos de proteção após um período de forte instabilidade no mercado de metais preciosos.

A alta ocorre com o retorno dos chamados "dip-buyers" — investidores que aproveitam quedas pontuais para recompor posições — depois de uma semana marcada por uma das correções mais abruptas dos últimos anos.

O metal já recompôs cerca de metade das perdas registradas desde o recorde histórico alcançado em 29 de janeiro e acumula valorização superior a 16% em 2026.

Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, a nova etapa de ganhos tem como principal motor fluxos originados na Ásia, especialmente da China.

China reforça papel central no rali do ouro

Dados oficiais mostram que o Banco Central da China (PBOC) ampliou suas compras de ouro pelo 15º mês consecutivo, consolidando uma demanda institucional que tem sido decisiva para sustentar o ciclo de alta.

A estratégia reflete o esforço contínuo de diversificação das reservas internacionais do país e de redução da dependência de ativos denominados em dólar.

De acordo com fontes consultadas pelo Securities Times, as aquisições vêm sendo feitas de forma gradual para evitar distorções abruptas de preços, mas com direção clara: fortalecer o ouro como pilar estrutural das reservas chinesas.

Paralelamente, reguladores do país orientaram bancos e gestores locais a reduzir a exposição a títulos do Tesouro dos Estados Unidos (EUA), os Treasuries, diante de preocupações com concentração excessiva e maior volatilidade nesse mercado.

A recomendação incluiu limites para novas compras e diminuição de posições já existentes, um movimento que acabou redirecionando parte relevante do capital para o ouro como ativo alternativo de segurança.

Expectativas sobre a sustentabilidade do avanço

Para analistas, a permanência do metal acima do patamar psicológico de US$ 5.000 por onça será determinante para avaliar se o movimento atual representa apenas um ajuste técnico ou o início de uma tendência mais duradoura.

"A estabilização acima desse nível será crítica para definir se o mercado pode migrar de um salto reativo para um avanço estrutural", afirmou o analista do Pepperstone Group, Ahmad Assiri, à Bloomberg.

Grandes instituições financeiras seguem com visão construtiva para o metal. Deutsche Bank, Goldman Sachs e Pictet Asset Management mantêm recomendações favoráveis ao ouro, apoiadas em vetores de longo prazo, como a busca global por diversificação de reservas, o aumento das tensões geopolíticas e as incertezas sobre os rumos da política monetária nos EUA.

Essas dúvidas ganharam força recentemente com a indicação de Kevin Warsh para presidir o Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano. O executivo defende um novo arranjo institucional entre o Fed e o Tesouro americano, uma proposta que despertou temores sobre a autonomia do banco central e provocou oscilações no mercado de renda fixa.

Na semana passada, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, já havia classificado as negociações nos mercados chineses como "desordenadas", atribuindo a elas parte da volatilidade extrema observada nos preços do ouro e de outros ativos.

Indicadores dos EUA no foco dos investidores

Enquanto o ouro era negociado a US$ 5.038,39 por onça em Singapura, outros metais também avançavam. A prata subia quase 6%, para US$ 32,82 por onça, embora continue sujeita a oscilações mais intensas em razão da menor liquidez e do perfil mais especulativo desse mercado.

O foco dos investidores agora se volta para a agenda econômica dos Estados Unidos. O relatório de empregos (Payroll, em inglês) de janeiro, previsto para quarta-feira, 11, e os dados de inflação, programados para sexta-feira, 13, serão decisivos para calibrar as expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve.

Esses indicadores deverão determinar se o ambiente macroeconômico permitirá que o ouro consolide o recente avanço ou se o metal voltará a enfrentar resistência para se manter de forma consistente acima da marca histórica de US$ 5.000.

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