Após tombo na bolsa, Totvs mostra que não quer ficar para trás na corrida da IA

Por Rebecca Crepaldi 13 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Após tombo na bolsa, Totvs mostra que não quer ficar para trás na corrida da IA

Junto com o balanço do quarto trimestre de 2025, a TOTVS (TOTS3) anunciou o lançamento de uma nova tecnologia de inteligência artificial (IA), a Lynn. Na semana passada, a ação da companhia levou um tombo feio, acompanhando o exterior, num dia em que empresas de software sucumbiram ao temor de que a tecnologia pudesse "disruptar" toda a indústria de softwares.

Só em 2026, o papel perde mais de 8%. O que acontece é que o mercado está demonstrando cautela com o setor de software devido a mudanças estruturais ligadas à IA. Historicamente, empresas de software se beneficiam de vantagens como maior poder de preço, expansão contínua da base de clientes e múltiplos elevados.

No entanto, a chegada de novas soluções de IA está tornando mais fácil para concorrentes entrarem no mercado, ameaçando essas vantagens tradicionais. Essa incerteza se refletiu na bolsa: o índice global de software IGV caiu 22% no ano, enquanto o QQQ, que reúne empresas de tecnologia da Nasdaq, recuou 1% em 2026.

“Mesmo com crescimento consistente de players de software nos últimos anos, o contexto atual é desafiador, principalmente quando comparado a outros segmentos de tecnologia que aceleraram, como memória e semicondutores”, escreve o Itaú BBA em relatório.

Segundo a equipe liderada por Maria Clara Infantozzi, nessa situação, investidores seguem observando indicadores que poderiam sugerir crescimento impulsionado por IA, mas a incerteza permanece alta.

“A clareza do debate é importante: em momentos de redução de risco, investidores tendem a cortar posições percebidas como estruturalmente debatidas, mesmo que os fundamentos das empresas não tenham mudado.”

Segundo o Itaú BBA, a Totvs resistiu à queda mais cedo principalmente por dois fatores: sua base de acionistas é majoritariamente internacional (aproximadamente 90%), e nos últimos meses houve forte rotação de fluxos para mercados emergentes, com compradores líquidos recordes de R$ 26,3 milhões em janeiro no Brasil.

Além disso, o forte momento de resultados no quarto trimestre de 2025 ajudou a sustentar a ação, mesmo diante da pressão global sobre o setor de software.

Lançamento da Lynn

Mas mostrando que não está para trás, a Totvs anunciou o lançamento da Lynn, sua nova base de inteligência artificial desenvolvida com foco corporativo. A solução foi construída sobre uma arquitetura de Artificial Narrow Intelligence (ANI), ou seja, voltada para tarefas específicas dentro do ambiente empresarial, com ênfase em precisão, controle de custos, governança e segurança.

Para sustentar essa estratégia, a Totvs pretende investir R$ 75 milhões adicionais por ano em Capex nos próximos quatro anos. Somado ao que já capitaliza anualmente em P&D, a companhia projeta cerca de R$ 600 milhões em desenvolvimento capitalizado entre 2026 e 2029. Segundo a empresa, a proposta é escalar o uso de agentes de IA dentro do seu ecossistema, ampliando a oferta de soluções para clientes corporativos.

Em relatório do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME), os analistas visualizam o anúncio de forma positiva. Segundo a equipe liderada por Osni Carfi, o investimento incremental representa apenas cerca de 1% da receita anual, e a Totvs tem um histórico sólido de expansão bem-sucedida de sua fronteira de produtos junto aos clientes (como fez com Cloud).

“Em nossa visão, trata-se de um comprometimento de capital de risco relativamente baixo por trás de uma iniciativa com potencial de retorno elevado”, escrevem.

Resultados bons, mas cautela

O Safra vê os resultados da Totvs do quarto trimestre de 2025 como sólidos e consistentes com o esperado, mesmo em meio às incertezas geradas pela inteligência artificial. A empresa registrou receita líquida de R$ 1,51 bilhão (+16,3% em relação ao ano anterior), EBITDA ajustado de R$ 409 milhões (+24,3% A/A) e lucro líquido ajustado de R$ 258 milhões (+14,3% A/A).

O que chama atenção é que, apesar da desvalorização recente de concorrentes globais de software e do temor com a IA, o negócio principal de ERP da Totvs se mostra defensivo. Isso acontece porque seus sistemas estão profundamente integrados aos fluxos de trabalho dos clientes, criando custos de mudança que não são facilmente eliminados por novas ferramentas de IA.

O lançamento do Lynn, a plataforma de IA da Totvs, reforça essa vantagem: ao usar dados próprios para criar agentes especializados, a empresa não só protege seu negócio principal, como também torna a IA um fator de eficiência para sua plataforma.

“No entanto, preferimos manter uma postura cautelosa em relação à empresa, mantendo nossa recomendação neutra inalterada”, dizem os analistas do Safra.

O Itaú BBA vê uma perspectiva de risco-retorno positiva na Totvs nos níveis atuais. A empresa continua investindo em IA e expandindo serviços de Cloud, aumentando a eficiência para clientes e protegendo o negócio principal.

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