Após US$ 3 bilhões em fusões e aquisições, Ripple detalha estratégia de expansão global
A presidente da Ripple, Monica Long, afirmou que a expansão da empresa no Brasil e na América Latina está diretamente ligada à construção de uma nova infraestrutura financeira global. A declaração foi feita durante o painel “Construindo os trilhos: como a aposta de US$ 3 bilhões da Ripple está remodelando as finanças de São Paulo para o mundo”, realizado no dia 18 de março, no WTC São Paulo, durante o MERGE São Paulo.
Em conversa com a jornalista Mariana Maria Silva, da EXAME, Long destacou que o avanço da empresa no setor não é recente, mas resultado de anos de desenvolvimento voltados à modernização do sistema financeiro.
Segundo a executiva, a construção dessa nova infraestrutura depende diretamente de clareza regulatória e integração com o sistema financeiro tradicional. Ela citou mudanças regulatórias recentes nos Estados Unidos como um marco importante para o setor.
“Os Estados Unidos passaram por uma mudança de dia para a noite em termos de clareza regulatória, e isso também mudou o apetite institucional para adotar essas tecnologias”, afirmou.
Para Long, iniciativas legislativas voltadas a ativos digitais têm funcionado como um sinal para o mercado. “É como uma luz verde. Isso é realmente importante”, disse, ao comentar o impacto dessas medidas na validação da tecnologia por instituições financeiras.
Esse cenário, segundo ela, contribuiu para o aumento do interesse institucional. A executiva afirmou que a empresa passou a receber dezenas de solicitações de bancos interessados em soluções ligadas a pagamentos com ativos digitais.
“Isso é um sinal claro de que as instituições estão chegando”, afirmou.
Brasil como mercado estratégico
Ao abordar o papel do Brasil na estratégia da empresa, Long destacou o país como um dos principais mercados para expansão, especialmente no uso de stablecoins.
“O Brasil foi o mercado de maior crescimento para nossos produtos de pagamentos com stablecoins”, disse a presidente da empresa por trás da stablecoin RLUSD, lançada em 2024 e que acompanha o valor do dólar norte-americano.
Monica Long atribuiu esse desempenho a uma combinação de fatores, incluindo o ambiente regulatório e o histórico de inovação no sistema financeiro local. Segundo ela, iniciativas como o Pix e o Open Finance ajudam a criar uma base favorável para a adoção de novas tecnologias.
“Ter clareza sobre quem é o regulador, no caso o Banco Central, faz toda a diferença”, afirmou.
Long também destacou a relação entre setor público e privado no país como um diferencial relevante. Para ela, esse alinhamento contribui para acelerar a implementação de soluções baseadas em blockchain.
Construção dos “trilhos” financeiros
Durante o painel, a executiva reforçou que a proposta da empresa é atuar como fornecedora de infraestrutura para o sistema financeiro global, conectando instituições e facilitando o fluxo de capital.
“Sempre falamos que o blockchain vai viabilizar a internet do valor”, afirmou.
Nesse contexto, a Ripple tem investido no desenvolvimento de soluções que permitem maior eficiência em pagamentos internacionais e na gestão de liquidez entre empresas e bancos.
Long destacou que a modernização desse sistema envolve desafios técnicos relevantes, especialmente relacionados à atualização de estruturas antigas.
“Estamos tendo que reaprender como funciona a infraestrutura existente”, disse, ao mencionar a necessidade de adaptar sistemas legados para suportar liquidação mais rápida e operações contínuas.
Stablecoins e novos casos de uso
A executiva também abordou o papel das stablecoins como parte central dessa nova infraestrutura. Segundo ela, esses ativos têm ganhado espaço por oferecerem uma forma mais eficiente de movimentar dinheiro.
“Queríamos oferecer uma stablecoin em que nossos clientes realmente pudessem confiar”, afirmou, ao comentar o lançamento da RLUSD, também conhecido como Ripple Dólar, em 2024.
Além dos pagamentos internacionais, Long destacou o crescimento do uso dessas soluções em gestão de tesouraria por empresas.
“Empresas estão buscando mais eficiência para movimentar recursos entre diferentes entidades ao redor do mundo”, disse.
Outro ponto mencionado foi o desenvolvimento de aplicações no mercado de capitais, como o uso de ativos tokenizados como colateral em operações financeiras.
“Estamos explorando o uso de stablecoins e fundos tokenizados em operações”, afirmou.
Adoção institucional e integração global
Para Long, a adoção em larga escala dessas tecnologias depende de integração entre diferentes sistemas financeiros ao redor do mundo. Ela ressaltou que a transformação não pode ocorrer de forma isolada.
“Não podemos modernizar sozinhos. Esse é um sistema global altamente integrado”, afirmou.
A executiva também destacou que, apesar de oscilações nos preços de ativos digitais, o avanço institucional continua.
“Existe um apetite maior para adotar novas tecnologias e testá-las primeiro”, disse, ao comentar o cenário na América Latina.
Ao final do painel, Long indicou que a construção dessa nova infraestrutura será gradual, mas contínua, com participação crescente de instituições financeiras tradicionais.
“Somos uma das poucas empresas que conseguem oferecer uma solução completa para ativos digitais”, afirmou.
Segundo ela, a estratégia da Ripple tem sido focada em conformidade regulatória e desenvolvimento de longo prazo, com presença global e atuação voltada a atender grandes instituições.
Siga o Future of Money nas redes sociais: Instagram | X | YouTube | Tik Tok
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: