Após ver a receita cair 90%, ele co-criou a Mynd, gigante da influência no Brasil
A Vevo foi presença constante para quem consumia música na internet, inclusive entre os brasileiros. O selo no canto inferior dos vídeos virou marca registrada de uma geração. Mas, de uma hora para outra, desapareceu.
Com a venda para o YouTube, a operação no Brasil foi praticamente desmontada. “Perdemos 90% da receita da noite para o dia”, revela Carlos Scappini, que, à época, era sócio e COO da companhia
Foi a partir dessa ruptura que Scappini decidiu começar outro negócio. Em 2017, ao lado de Fátima Pissarra e Preta Gil, co-fundou a Mynd, hoje uma das maiores especialistas em influência, marketing digital e entretenimento do país.
O executivo por trás da Mynd
Mas, antes da Vevo e da Mynd, Scappini construiu carreira tradicional no marketing. Passou por negócios como Pizza Hut, Carrefour e companhias do setor de telecomunicações – degrau por degrau até chegar à posição de CMO. “Mas percebi que essa era uma cadeira que tinha data marcada”, revela.
A decisão foi sair antes desse ponto. Ele migrou, então, para a área comercial, enquanto começava a prestar atenção no avanço do digital. “Eu era um profissional offline. E esse é o lugar onde você fica obsoleto bastante rápido.”
Foi esse olhar que o colocou diante de uma mudança maior no mercado de entretenimento. Pouco antes da Mynd nascer, a maior parte da receita de cantores e artistas vinha de shows. A publicidade existia, mas ocupava um papel secundário. “Era um pedaço pequeno da receita”, explica Scappini.
Carlos Scappini viu o offline perder espaço — e decidiu se mover antes (Arquivo Pessoal)
A Mynd nasceu exatamente nesse espaço com a proposta de estruturar a atuação publicitária dos artistas com foco na criação, gestão e execução de projetos para marcas. O que era complementar na carreira dos músicos se tornou o centro da operação da agência.
O negócio começou com artistas da música e se expandiu à medida que outros perfis passaram a buscar o mesmo tipo de estrutura. A empresa ampliou sua atuação para influenciadores e organizou o trabalho por categorias. Hoje, são mais de 300 nomes dos mais diferentes segmentos no portfólio.
A volta à sala de aula
O crescimento da influência ampliou o mercado e trouxe complexidade. Novas funções surgiram, mais profissionais entraram, mais dinheiro passou a circular. “Mas, como qualquer indústria nova, ela precisa ser organizada e estruturada”, admite.
Sem referências consolidadas dentro do próprio mercado, ele buscou formação fora e encontrou o SEER, um programa avançado da Saint Paul Escola de Negócios, voltado a executivos que atuam em cenários complexos.
O foco do programa está na capacidade de leitura, interpretação e construção de repertório para decisões que não têm resposta evidente – um cenário próximo ao que ele enfrentou ao longo da carreira. Scappini diz que o impacto foi menos técnico e mais estrutural na forma de pensar.
“Você não sai de lá com resposta. Sai sabendo perguntar melhor.”
No dia a dia, esse movimento aparece de forma prática. Ele conta que, em reuniões, passou a interromper o impulso de responder imediatamente. “Às vezes eu me pego no meio de uma discussão e lembro de alguma coisa da aula. Em vez de dar a resposta, eu paro. Respiro. E faço uma pergunta.”
Planejar o próximo ciclo
Aos 56 anos, Scappini passou a olhar para a carreira com outra escala de tempo. Ele fala em um plano de vida para viver até os 100 anos – e, a partir disso, reorganiza o que ainda pretende construir. A diferença está no momento. Se antes a trajetória foi marcada por adaptação – sair da sobrevivência, migrar de área, entrar no digital – agora há espaço para planejamento.
Esse olhar também se estende ao setor em que atua. Para Scappini, o mercado de influência ainda está longe de um ponto de estabilidade. Cresce rápido, incorpora novos formatos e exige reorganização constante.
“É uma indústria que ainda está sendo escrita.”
Nesse cenário, a vantagem não está apenas na execução, mas na capacidade de interpretar o que está acontecendo e ajustar a rota. Depois de uma carreira construída em cima de mudanças, o movimento agora é outro: menos reação e mais intenção.
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