Aquamação? Entenda a 'cremação com água' que virou lei na Escócia
A aquamação, também conhecida como hidrólise alcalina, é um método funerário que utiliza água, pressão e compostos químicos para decompor o corpo humano. O processo produz um resultado semelhante ao da cremação tradicional, mas sem o uso de fogo.
No início de março, a Escócia autorizou oficialmente o uso desse método, tornando-se o primeiro país do Reino Unido a permitir a prática.
A aquamação já é utilizada em alguns países, como Estados Unidos, Canadá e África do Sul, onde ganhou notoriedade após ser escolhida para o funeral do arcebispo Desmond Tutu, vencedor do Prêmio Nobel da Paz por sua atuação contra o apartheid.
Como funciona a aquamação?
No processo de aquamação, o corpo é colocado dentro de um recipiente metálico pressurizado, onde permanece em contato com uma mistura de água e solução alcalina, normalmente hidróxido de potássio.
O equipamento é aquecido a temperaturas entre 90 °C e 150 °C. Apesar do calor, o líquido não entra em ebulição por causa da pressão interna do sistema.
Ao longo de cerca de quatro horas, os tecidos e compostos orgânicos do corpo se decompõem. O processo é semelhante ao que ocorre naturalmente durante a decomposição após o sepultamento, mas ocorre de forma acelerada.
O que resta após o processo
Depois da decomposição dos tecidos, restam apenas os ossos, que são secos e triturados em uma máquina chamada cremulador.
O material resultante se transforma em um pó fino, semelhante às cinzas obtidas na cremação tradicional. No entanto, esse pó costuma ter coloração branca, enquanto as cinzas da cremação por combustão tendem a ser mais escuras.
O líquido que permanece no equipamento contém compostos orgânicos dissolvidos. Ele pode ser tratado antes de retornar ao sistema de água ou, em alguns casos, utilizado como fertilizante.
Impacto ambiental menor
Um dos principais motivos para o crescimento da aquamação é seu menor impacto ambiental. A cremação tradicional exige entre duas e cinco horas de combustão, consumindo grande quantidade de energia e liberando dióxido de carbono e outros poluentes na atmosfera.
Já a aquamação utiliza cerca de um sétimo da energia necessária para a cremação convencional e pode apresentar uma pegada de carbono até 75% menor.
Outra diferença importante é que o processo não exige a remoção prévia de marcapassos, próteses ou implantes médicos. Como não há combustão, não existe risco de explosão desses dispositivos. Após o procedimento, eles permanecem intactos e podem ser retirados normalmente.
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