Arábia Saudita aciona oleoduto ocioso para contornar bloqueio em Ormuz

Por Caroline Oliveira 12 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Arábia Saudita aciona oleoduto ocioso para contornar bloqueio em Ormuz

A guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel está forçando a Saudi Arabian Oil Company (Saudi Aramco) a redesenhar suas rotas de exportação de petróleo. Com o Estreito de Ormuz fechado pelos iranianos para navios ligados aos EUA, a Israel e a países europeus, a petroleira saudita passou a intensificar o uso de um oleoduto que permite contornar a passagem, uma das mais estratégicas para o comércio global de energia, por onde normalmente passa cerca de 20% do petróleo consumido mundialmente.

Para reduzir a dependência da rota marítima, a Saudi Aramco está usando o oleoduto Leste-Oeste, que conecta os campos petrolíferos no leste do país ao Mar Vermelho. Segundo o CEO da companhia, Amin Nasser, a infraestrutura está a poucos dias de operar em capacidade máxima, o que permitiria transportar até 5 milhões de barris de petróleo por dia sem passar pelo estreito, além de cerca de 2 milhões de barris por dia de derivados, como combustíveis.

Apesar disso, o oleoduto não resolve totalmente o gargalo logístico criado pelo bloqueio do Estreito de Ormuz. A Saudi Aramco exporta cerca de 7 milhões de barris de petróleo por dia, enquanto o sistema Leste-Oeste tem capacidade para transportar aproximadamente 5 milhões de barris diários, o equivalente a cerca de 70% das exportações da companhia. Em condições normais, mais de 17 milhões de barris de petróleo por dia passam pelo Estreito de Ormuz rumo aos mercados da Ásia e da Europa.

Com o aumento das tensões militares, muitos navios-petroleiros têm evitado a região, com medo de possíveis ataques, o que pressiona a logística de exportação e contribui para a volatilidade nos preços da commodity. O petróleo caiu 9,7% nesta terça-feira, 11, chegando a US$ 89,38 por barril, depois de ter atingido US$ 119,50 ontem, 10.

As falas de Nasser ocorreram durante a teleconferência de resultados do quarto trimestre da Aramco na manhã desta terça-feira. Embora o lucro líquido da empresa tenha superado as estimativas dos analistas, os investidores estavam focados nos problemas atuais da região.

O CEO afirmou que a guerra representa a maior crise da história para os mercados de petróleo e alertou para possíveis repercussões graves caso a interrupção das rotas comerciais se prolongue. “Quanto mais tempo durar a interrupção, mais catastróficas serão as consequências para os mercados globais de petróleo”, disse o executivo.

Como proteção, a Aramco mantém estoques de petróleo em instalações no exterior, principalmente na Ásia, o que pode ajudar a sustentar o fornecimento durante interrupções temporárias.

Produção flexível

Durante a conferência, analistas questionaram Nasser se a Arábia Saudita foi obrigada a interromper parte da produção por causa do bloqueio do estreito. O CEO não respondeu diretamente, mas afirmou que a empresa prefere reduzir o fluxo nos poços em vez de fechá-los completamente, já que não há essa necessidade.

Segundo ele, a Aramco consegue retomar rapidamente a produção caso seja interrompida, com capacidade de aumentar a oferta “em dias, não em semanas”.

Reação do mercado

As ações da Saudi Aramco são negociadas na bolsa saudita Tadawul. Com liquidez limitada, menos de 3% das ações são negociadas, é difícil para investidores internacionais comprá-las. O papel da companhia subiu cerca de 8% desde o início da guerra. Nesta terça-feira, a Aramco anunciou que elevará seu dividendo em 3,5%, além de iniciar um programa de recompra de ações.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: