Área 51 e encontros sinistros: o que os EUA já revelaram sobre ETs

Por Matheus Gonçalves 21 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Área 51 e encontros sinistros: o que os EUA já revelaram sobre ETs

O presidente americano, Donald Trump, anunciou em sua rede social Truth Social que vai ordenar que agências americanas, como o Pentágono e a CIA a "iniciar o processo de identificação e divulgação" de arquivos governamentais sobre alienígenas e vida extraterrestre.

A declaração, feita na quinta-feira, 19, veio logo após o republicano acusar, no mesmo dia, o ex-presidente Barack Obama de ter revelado informações confidenciais ao dizer, em um podcast na semana passada, que “alienígenas são reais”.

O tópico extraterrestres não é algo novo na política americana, e a pauta permeia congressistas, parlamentares, presidentes e agências governamentais com especulações, incertezas e teorias da conspiração há muitas décadas.

Ao longo dos anos, o interesse público no assunto passa por picos e períodos de menos intensidade, que normalmente se relacionam com eventos como a revelação de arquivos, programas secretos e audiências no Congresso para abordar o tópico.

Veja alguns dos principais programas, acontecimentos e instalações relacionados a alienígenas nos EUA ao longo das últimas décadas:

Área 51: o que é e por que é tão famosa?

Em 2013, a CIA revelou a exata localização a Área 51 em Nevada (Reprodução) (Reprodução)

A Área 51 é uma base da Força Aérea americana altamente controlada, no deserto do estado de Nevada, nos EUA. A entrada de pessoas não autorizadas é expressamente proibida, e voar sobre a instalação também é ilegal.

Construída originalmente durante a Guerra Fria, em 1955, a base é cercada de especulação, mistérios e sigilo desde a sua fundação. A existência da Área 51 só foi oficialmente reconhecida pela CIA em agosto de 2013, com Barack Obama, que se tornou presidente em 2009, sendo o primeiro chefe de Estado americano a mencionar a instalação publicamente.

Informações sobre o que exatamente ocorre na Área 51 são raras e de difícil confirmação. De acordo com as Forças Armadas americanas, a instalação representa “Um espaço de batalha flexível, realista e multidimensional para conduzir testes, desenvolvimento de táticas e treinamento avançado." Aeronaves furtivas de alta tecnologia para missões de reconhecimento, como o U-2 e o SR-71 Blackbird foram desenvolvidas e testadas na instalação.

Com cerca de 1,500 funcionários, o dia a dia da base permanece um mistério. Todo o sigilo acerca da instalação, juntamente com sua localização isolada e os maiores índices de avistamento de Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs) dos EUA no condado de Lincoln, Nevada, que também é lar da Área 51, segundo o site Axios, alimentam diversas teorias da conspiração sobre o que realmente acontece na base.

Buscadores de alienígenas acreditam que a Área 51 serve, na verdade, como um armazém e centro de estudo de corpos de extraterrestres que caíram na Terra e da tecnologia de suas naves.

Uma boa parte dessa fama se deve a um famoso incidente de 1947, quando um OVNI supostamente teria caído pela região, e seus restos, junto com os de sua nave, teriam sido levados à Área 51 para estudos.

Desde então, avistamentos de OVNIs sobre ou ao redor da área, juntamente com relatos de abdução, são frequentemente associados com as atividades da base.

Em 1989, um homem chamado Robert Lazar alegou ter trabalhado com tecnologia alienígena na Área 51, e alega inclusive ter visto fotografias médicas de autópsias dos supostos extraterrestres, dizendo que a função da base é a análise de alienígenas.

Annie Jacobsen, que escreveu o principal livro sobre a história da Área 51, diz à BBC: "Já em 1950, a CIA criou um escritório de OVNIs para lidar com os avistamentos de objetos voadores não identificados sobre Nevada. Quando as pessoas viram o avião espião U-2 voando pela primeira vez, ninguém sabia o que estava vendo", afirma.

"A CIA usou essa desinformação a seu favor, fomentando uma mitologia alienígena”, diz Jacobsen, sugerindo que todo o mistério e a crença em alienígenas na base podem ser importantes para a continuação do sigilo necessário para os testes que ocorrem lá.

Programa secreto do Pentágono de 2007 a 2012

O prédio do Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (J. David Ake/Getty Images) (J. David Ake/Getty Images)

Em 2017, um programa secreto de investigação do Pentágono sobre OVNIs veio à tona. O programa, sobre o qual apenas um pequeno número de oficiais do governo americano tinha informações, foi iniciado em 2007 e alegadamente encerrou as atividades em 2012, custando um total estimado de US$ 20 milhões.

Por mais que o programa tenha sido cancelado, certos oficiais supostamente continuam a investigar fenômenos aéreos pouco compreendidos juntamente com seus deveres diários, segundo a BBC, como legado do projeto.

O programa foi resultado dos esforços do senador Harry Reid, um representante democrata do estado de Nevada, que também abriga a famosa Área 51.

O aspecto mais notável do chamado Programa Avançado de Identificação de Ameaças à Aviação (AATIP, na sigla em inglês) foi a suposta existência de certas ligas metálicas até então desconhecidas pela ciência, recuperadas supostamente de embarcações extraterrestres.

Quando a existência do AATIP foi revelada, o agora falecido Reid escreveu sobre o debate de vida extraterrestre no Twitter:

“ Se alguém diz que tem as respostas, está se enganando. Não sabemos as respostas, mas temos muitas evidências que justificam as perguntas que fazemos. Trata-se de ciência e segurança nacional. Se os Estados Unidos não tomarem a iniciativa de responder a essas perguntas, outros o farão.”

Em entrevista para o New York Times, disse não estar envergonhado pelo projeto: “Não tenho vergonha, nem me arrependo, nem sinto nenhum remorso por ter conseguido fazer isso acontecer. Fiz algo que ninguém fez antes.”

Entre os céticos, estão cientistas que duvidam da existência das ligas metálicas e congressistas que acreditam que o programa era, na realidade, uma forma de monitorar os avanços em tecnologia militar por potências rivais como China e Rússia.

Audiências no Congresso – 2022 e 2023

Congresso americano (Alex Wong/Getty Images) (Alex Wong/Getty Images)

Em 2022, os EUA conduziram a primeira audiência no Congresso especificamente para discutir encontros com OVNIs (ou Fenômenos Aéreos Não Identificados, FANI, no jargão militar) em mais de 50 anos.

Na ocasião, dois oficiais militares sêniores, escolhidos a dedo para analisar avistamentos e evidências, disseram que a maioria deles ser explicada como eventos normais. Todavia, também disseram que existem alguns casos que desafiam todas as explicações.

Os avistamentos vieram na forma de 11 vídeos de encontros extremamente próximos que quase causaram acidentes, gravados por oficiais da Força Aérea em voo. Certos FANI pareciam estar se movendo sem nenhum tipo de sistema de propulsão discernível.

Muitos dos incidentes analisados foram revelados pela primeira vez apenas na audiência, apesar de terem ocorrido décadas antes. Em um desses incidentes, em 2004, pilotos de caça operando a partir de um porta-aviões no Pacífico encontraram um objeto que parecia ter caído de milhares de metros de altura antes de parar e pairar no ar.

Em outro incidente, também revelado na audiência, um objeto pode ser visto em vídeo voando ao lado de um caça da Marinha dos EUA. A natureza do objeto permanece inexplicada até hoje.

"Há um pequeno número [de eventos] em que há características de voo ou de gerenciamento de assinatura que não conseguimos explicar com os dados que temos disponíveis", disse Scott Bray, vice-diretor de inteligência naval, durante a conferência. "Esses são obviamente os que mais nos interessam."

No ano seguinte, congressistas se reuniram novamente para o mais sério reconhecimento do Congresso até então sobre a importância desse debate, que tomou forma em um histórico painel dedicado à análise, escrutínio e debate de OVNIs.

“Não vamos trazer homenzinhos verdes ou discos voadores para a audiência... vamos direto aos fatos”, disse o republicano Tim Burchett no começo da audiência. Todavia, testemunhos e depoimentos frequentemente seguiram sem explicações plausíveis.

Durante a reunião, três testemunhas compartilharam seus encontros com objetos desconhecidos que pareciam desafiar as leis da física, falaram sobre pilotos com medo de depor, material biológico recuperado de naves e retaliação contra informantes. Todas as testemunhas concordaram que fenômenos aéreos anômalos representam uma preocupação potencial para a segurança nacional americana.

O ex-comandante da Marinha americana David Fravor relembrou seu encontro de 2004 com um objeto em forma de pílula não identificado: “A tecnologia que enfrentamos era muito superior a qualquer coisa que tínhamos, temos hoje ou pretendemos desenvolver nos próximos 10 anos ou mais.”

Ao mesmo tempo, David Grusch, um oficial de inteligência, também disse que o governo estaria reprimindo informações e punindo informantes e que não elaboraria mais em público. Quando perguntado se materiais “biológicos” teriam sido recuperados de escombros, o oficial confirmou.

Quando pressionado se eram humanos ou não, Grusch respondeu: "Não humano, e essa foi a avaliação das pessoas com conhecimento direto do programa [que estaria analisando os escombros] com quem conversei."

"Os UAPs [sigla em inglês para fenômenos aéreos não identificados], sejam lá o que forem, podem representar uma séria ameaça às nossas Forças Armadas e aeronaves civis, e isso precisa ser compreendido", disse Robert Garcia, um democrata da Califórnia, durante a audiência. "Devemos incentivar mais relatos, e não menos, sobre os UAPs. Quanto mais entendermos, mais seguros estaremos."

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