Arrecadação com 'taxa das blusinhas' sobe 25% em janeiro
A arrecadação do governo federal com o imposto de importação, conhecido como "taxa das blusinhas", registrou alta de 25% em janeiro na comparação com o mesmo mês de 2025. Apesar do crescimento, o debate sobre a revogação da cobrança ganhou força com a proximidade das eleições.
Criada para reduzir a desvantagem da indústria nacional frente aos produtos importados, a chamada "taxa das blusinhas" passou a cobrar 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, que antes eram isentas. Desde então, a tarifa se tornou rotina para consumidores e profissionais que dependem desses itens.
Mesmo com a taxação, o consumo não foi afetado. No ano passado, a medida arrecadou R$ 5 bilhões, contribuindo para o equilíbrio das contas públicas.
O imposto, porém, continua sendo objeto de disputa política. Enquanto a Câmara dos Deputados analisa um projeto que zera a cobrança, integrantes do governo discutem os possíveis efeitos negativos sobre a imagem do presidente Lula em ano eleitoral.
O vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu a manutenção da taxa, afirmando que produtos fabricados no Brasil pagam mais tributos e que a cobrança protege produção, emprego e renda. O setor têxtil compartilha dessa visão.
“Não faz o menor sentido trazer de volta um assunto já pacificado e que não prejudicou, porque se tivesse prejudicado teria havido queda nos negócios e não houve queda nos negócios. Mas ao mesmo tempo nos ajudou em parte ao aumentar a nossa capacidade de competir”, afirma Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção.
Empresas de comércio eletrônico, por outro lado, argumentam que o imposto pesa mais sobre consumidores de menor renda.
“Se a gente consegue retirar, reduzir o custo do acesso desses produtos para classe C, D e E, certamente vai haver um aumento sim do consumo e o aumento do acesso. E lembrando, são produtos de pequeno valor, são produtos que muitas vezes não existem no mercado brasileiro”, diz André Porto, diretor-executivo da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec).
Especialistas alertam para o equilíbrio delicado entre arrecadação, consumo e emprego.
“A questão agora é saber se vale a pena em ano eleitoral dar esse anúncio, dizendo que para que a população possa voltar a comprar nos sites estrangeiros você vai retirar essa alíquota. Eu acho isso extremamente complexo no ano eleitoral, porque você vai ter todo um grupo na outra ponta que vai ser prejudicado mesmo de verdade”, avalia Carla Beni, economista e professora da FGV.
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