As 100 lições de gestão de Antonio Carlos Zem
No início de 2018, tive o privilégio e a sorte de conhecer Antonio Carlos Zem — um líder extraordinário, como poucos no mundo. Na construção da BIOTROP, caminhei lado a lado com ele e aprendi sobre gestão, marketing, liderança, estratégia, vendas, pessoas e muito mais. Zem sempre trouxe seus ensinamentos com muito humor e por meio de parábolas — causos ricos, engraçados e marcantes. Essas histórias merecem ser compartilhadas e, a cada coluna, trarei uma delas — com seu significado e o que aprendi na prática.
O diabo é velho
“O diabo é diabo não porque é diabo; é diabo porque é velho.”
Essa foi uma das primeiras frases que ouvi do Zem. Demorou — e depois de muitas situações — entendi de verdade.
O diabo é astuto e assusta não por sua natureza, mas por já ter visto de tudo, tentado de tudo, errado de tudo — e aprendido. A experiência, quando bem processada, gera algo que nenhum curso, MBA e framework consegue replicar: a capacidade de decifrar o que está acontecendo antes dos demais e de agir a tempo para gerar os resultados desejados.
Um dos momentos mais decisivos da história da BIOTROP foi exatamente essa junção. De um lado, a experiência do Zem — anos de vivência, cicatrizes de mercado, o olhar clínico de quem já navegou crises, oportunidades e armadilhas que, para mim, ainda eram território desconhecido. Do outro, a vontade, a energia e a criatividade de líderes jovens dispostos a mover montanhas. A combinação foi explosiva — no melhor sentido.
Aprendi com isso que uma das maiores ilusões da liderança jovem é acreditar que estamos vivendo algo inédito. Que o desafio que nos tira o sono à noite nunca foi enfrentado por ninguém antes. Quase sempre, foi. Alguém já esteve ali, já tomou aquela decisão, já pagou o preço do erro ou colheu o resultado do acerto. Encontrar essa pessoa e ter a humildade de ouvi-la é um atalho legítimo — e raro.
Ouvir quem já viveu parece óbvio. Não é. O óbvio também precisa ser dito — e lembrado.
A inteligência não está apenas em acumular experiência própria. Está em ter a maturidade de aprender com a experiência dos outros, usar o passado como propulsor e não reinventar rodas que já existem. O jovem líder que entende isso não perde a ousadia — ele a direciona melhor.
O diabo é velho. E você pode aprender com ele antes de virar um.
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