As máscaras LED são mesmo tudo isso no skincare?
A fototerapia com LED existe desde a década de 1960 e surgiu para estimular a fotossíntese em plantas, acelerar a cicatrização em astronautas e auxiliar na recuperação muscular de atletas. Em beleza, o ingrediente ativo é o mesmo princípio: comprimentos de onda específicos de luz estimulam as células da pele em diferentes profundidades. O que mudou nos últimos anos é o endereço do tratamento.
Uma sessão profissional de LED numa clínica dermatológica custa entre US$ 150 e US$ 300, cerca de R$ 840 e R$ 1.680. Com a frequência recomendada, o custo acumula rápido. O resultado foi uma migração expressiva para dispositivos domésticos, hoje vendidos por marcas como Omnilux e CurrentBody, e que se tornaram objetos quase virais nas redes sociais, com imagens de pessoas circulando por casa usando máscaras futuristas que cobrem o rosto inteiro.
O que cada cor faz
Existem divesas frequências, como a luz vermelha, entre 620 e 700 nanômetros, que penetra nas camadas mais profundas da pele e tem comprovação científica para estimular a produção de colágeno, a fim de tratar sinais de envelhecimento.
A luz azul, entre 405 e 470 nanômetros, age nas camadas mais superficiais. Há evidências de que reduz bactérias e óleos responsáveis por acne, embora a pesquisa ainda esteja em desenvolvimento.
A luz infravermelha próxima, entre 800 e 850 nanômetros, penetra mais fundo, chegando a músculos e articulações. A recomendação geral é combinar luz vermelha com infravermelha próxima para estimular a produção de colágeno em múltiplas camadas ao mesmo tempo.
Como escolher um aparelho
A eficácia depende de dois parâmetros técnicos: o comprimento de onda exato e a potência de emissão. Estudos clínicos apontam 633 nanômetros como o comprimento ideal para luz vermelha, 415 nm para azul e 830 nm para infravermelha próxima. Em termos de potência, recomenda-se entre 20 e 100 milivatts por centímetro quadrado para dispositivos domésticos. Boa parte dos produtos no mercado fica abaixo desse intervalo, o que exige sessões mais longas para resultados equivalentes.
A Omnilux Contour Face, a US$ 395, cerca de R$ 2.212, reúne luz vermelha e infravermelha próxima e tem mais de 40 estudos clínicos publicados. O aparelho é aprovado pelo FDA e indicado para uso de três a cinco vezes por semana, em sessões de dez minutos. A CurrentBody oferece o Face & Neck Kit: Series 2, a US$ 799, cerca de R$ 4.473, que inclui máscara facial e para pescoço e décolleté, com três comprimentos de onda distintos, incluindo o infravermelha profunda a 1.072 nm, que penetra até dez milímetros abaixo da superfície da pele.
Ambas as especialistas recomendam usar os dispositivos sobre a pele limpa e sem produtos ativos. Séruns com vitamina C ou retinol podem aumentar a fotossensibilidade. Outros produtos podem formar uma barreira que reduz a absorção da luz.
Quanto tempo leva para ver resultado
Os primeiros sinais de melhora, como pele mais luminosa ou menos avermelhada, aparecem entre duas e quatro semanas de uso consistente. Mudanças mais significativas exigem entre oito e doze semanas. Usar o aparelho com mais frequência do que o indicado não acelera os resultados, segundo as especialistas, e pode até comprometer a barreira cutânea ao dessensibilizar as células ao estímulo.
O tratamento é contraindicado para quem tem fotossensibilidade por condições como lúpus ou uso de certos antibióticos, infecções de pele ativas ou doenças oculares. Para casos mais graves de acne cística ou rosácea, os dispositivos clínicos ainda são mais indicados, pois trabalham com potência mais alta.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: