As sapatilhas espanholas que viralizaram nas redes chegam ao Brasil

Por Júlia Storch 26 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
As sapatilhas espanholas que viralizaram nas redes chegam ao Brasil

O retorno das sapatilhas não é recente. Em 2021, grifes europeias como Miu Miu e Dior trouxeram o calçado de volta às passarelas. Pelas beiradas, a até então desconhecida Flabelus começava a dar seus primeiros passos. Fundada por Beatriz de los Mozos, a marca espanhola se voltou aos sapatos tradicionais do país, as alpargatas, mas com um olhar novo. Modelos que mesclam ambos os calçados, cores marcantes como laranja, rosa, amarelo, tecidos de veludo e solado produzido a partir de pneus de bicicleta reciclados rapidamente ganharam o mundo.

Atualmente a Flabelus está presente na maioria dos mercados em cinco continentes, em mais de 120 países e com 700 pontos de venda ao redor do globo, sendo 34 lojas físicas (8 na Espanha, 4 em Londres, 2 na Bélgica, 1 em Berlim, 1 em Lisboa, 3 em Paris, 1 em Cannes, 1 em Milão, 1 em Nova York, 1 na Carolina do Sul, 1 em Miami, 1 em Lima, 1 em Cartagena e 8 no México), com planos de expansão contínua em 2026.

“A América Latina é a segunda região que mais gera receitas para a Flabelus, ficando atrás apenas da Espanha. As condições climáticas, a abertura para novas marcas e o cenário competitivo oferecem um espaço maior para crescimento quando comparamos com a Europa e os Estados Unidos, por exemplo”, diz de los Mozos.

Agora, a marca com fábrica em Alicante, na Espanha, e com calçados produzidos com técnicas tradicionais de costura à mão chega ao Brasil, com vendas através do site The Club e preços entre R$ 1.590 e R$ 2.490. Em passagem pelo Brasil, a fundadora e CEO da empresa conversou com Casual EXAME. Confira.

Flabelus: em mais de 120 países e com 700 pontos de venda ao redor do globo (Rafa Cusato/Divulgação)

Como você define o estilo da Flabelus?

A Flabelus é um lifestyle global atemporal. Para toda mulher no mundo, basicamente — de uma menina a uma mulher adulta. Isso é muito bom. Porque vimos isso em todas as nossas lojas. Temos pessoas de todas as nacionalidades entrando, o que é incrível. Não distribuímos para 210 países, mas temos clientes de 210 nacionalidades, o que é impressionante em apenas cinco anos. E não foi algo planejado, tipo “vamos atingir um país pequeno na Ásia” — aconteceu com redes sociais, mas também com o boca a boca. De repente, uma garota está andando na rua, vê uma loja em Paris, entra, volta para casa e todo mundo pergunta sobre os sapatos. Na semana seguinte, outro membro da família vai até a loja, amigos pedem para trazer sapatos, e a pessoa volta com pares para todo mundo.

Como é para você ter essa marca que se tornou global em cinco anos?

É muito emocionante, mas faz sentido. Era o que eu queria. Eu não sabia como ia acontecer, sabe? Você pode imaginar, sonhar, mas não sabe como vai terminar. E no meu caso, acho — na verdade, sei — que temos algo muito interessante. A atenção está na mulher, na beleza, no compartilhamento, na conversa, na cultura entre mulheres e homens. É sobre diálogo, sobre conexão.

A marca também apresenta novos conceitos para um calçado tradicional.

Basicamente, acredito que herança — em qualquer forma — é algo que as pessoas compartilham. E é por isso que elas se conectam, mesmo sem saber por quê. Traz uma sensação familiar, uma memória de infância. Por exemplo, eu não sabia disso, mas havia uma pequena comunidade na Nova Zelândia onde, antigamente, usavam sapatos muito parecidos com esses. Eu não sabia. E um dia, uma senhora da Nova Zelândia passou por uma das lojas — eu estava em Londres na época — e ela entrou com a filha. Ela começou a chorar e disse: “São os sapatos da minha infância”. Para ela, aquilo era cultura, memória, identidade.

Quais são os planos para o Brasil?

Quero abrir mais lojas, crescer. Também penso em Argentina, mas quero ver como as coisas se desenvolvem aqui primeiro. Existem desafios de entrada, como impostos, etc. Mas o mercado brasileiro já está pronto para a marca — já temos clientes. E mesmo que o preço seja um pouco mais alto, outras marcas internacionais enfrentam o mesmo e continuam indo bem aqui.

A Flabelus combina com o estilo dos brasileiros.

Muito. Vocês precisam de sapatos confortáveis — e é isso que oferecemos. Então faz sentido. Isso acontece no mundo todo. Inclusive, estamos controlando a expansão na China por causa disso. Porque não queremos entrar e de repente sermos copiados em todos os lugares. Esse é o maior problema, eu acho.

Vocês pensam em colaborações com outras marcas?

Adoramos. Trabalhamos com três tipos de colaboração. A primeira é com pequenos negócios liderados por mulheres. Convidamos essas empreendedoras para nossas lojas para apresentarem seus produtos. Temos um plano global muito legal em que jovens empreendedoras podem mostrar suas criações, e nós ajudamos com comunicação e expansão.

A segunda é mais voltada para apoiar e fazer parte da rede de pequenas marcas. Queremos manter colaborações regionais — por exemplo, no Oriente Médio, com apoio do governo da Arábia Saudita — focadas em reciclagem e reutilização. Também estamos trabalhando em projetos com artesãos na Colômbia e no Peru, focados em valores locais importantes para nós.

E a terceira são grandes colaborações, alinhadas a valores, comunicação e estratégia. Em breve, vamos lançar uma colaboração com uma marca brasileira. Para nós, é muito importante estar bem cercados, porque comunidade é um dos nossos maiores valores. Por isso fazemos jantares, eventos, viajamos, estamos presentes.

Tentamos nos conectar com as pessoas de forma emocional — algo que muitas marcas não fazem. Normalmente é mais sobre PR, mas para nós é sobre fortalecer a comunidade. O foco é a comunidade, não a marca. E, ao focar na comunidade, fortalecemos a marca.

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