Assaí atribui queda no consumo a bets e canetas emagrecedoras
O Assaí Atacadista teve lucro líquido de R$ 86 milhões no primeiro trimestre, queda anual de 46,7%, com pressão no consumo das famílias, inclusive, devido a remédios para emagrecer e apostas, especialmente nas faixas de renda mais baixa.
A receita bruta somou R$ 20,6 bilhões, um avanço de 1,7% no ano a ano, mas foi limitado pela deflação de cerca de 12% em itens essenciais como arroz, feijão, açúcar, leite e óleo de soja, que reduziu o valor das vendas.
"Para quem acompanha o setor há décadas, é inédito ver deflação simultânea dessa magnitude nesse grupo de produtos", explicou o CEO do Assaí, Belmiro Gomes.
As vendas em mesmas lojas caíram 0,9% no trimestre, ainda que a companhia tenha ampliado participação de mercado (market share, em inglês) em 0,3 ponto percentual (p.p.).
Remédios para emagrecer
Mas há um fenômeno estrutural que começa a ganhar peso no consumo, segundo o CEO do Assaí. O avanço no uso de remédios para controle de peso, como Ozempic e Mounjaro, já provoca mudanças nos hábitos alimentares.
"O crescimento do uso de medicamentos para controle de peso está mudando hábitos alimentares de forma acelerada, com impacto sobre a demanda de carboidratos, categoria relevante na cesta de compras", esclareceu.
"Soma-se a ele o efeito do mercado de apostas, que se mantem como um dos principais responsáveis pelo endividamento familiar", acrescentou Gomes.
Juros e consumo
O resultado financeiro líquido totalizou R$ 564 milhões, aumento de 10,2% em relação ao ano anterior, o que reflete, principalmente, a elevação do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) médio, que passou de 2,96% no primeiro trimestre de 2025 para 3,37% em igual período de 2026.
Gomes afirmou que o trimestre foi marcado por uma combinação incomum de fatores.
Entre eles, destacou a deflação simultânea de alimentos básicos e o alto nível de endividamento das famílias, que ultrapassa 80% no país, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Margens resilientes
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, em inglês) ajustado da companhia ficou em R$ 1 bilhão, em linha com o último ano e com margem de 5,5%.
Já a margem bruta avançou para 16,7%, alta de 0,3 p.p., apoiada pela maturação das lojas abertas nos últimos anos e por ajustes na política de preços.
As despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A, em inglês), por outro lado, cresceram 2,7%, somando R$ 2,1 bilhões, mas abaixo da inflação do período.
Créditos tributários
O resultado do trimestre foi impactado por créditos tributários relevantes. A companhia reconheceu R$ 281 milhões em novos créditos de PIS/Cofins, o que elevou o lucro líquido contábil para R$ 367 milhões.
Sem esses efeitos, o lucro líquido recorrente foi de R$ 174 milhões, alta de 7% na comparação anual, para fins de comparação, indicando um desempenho operacional mais moderado.
Caixa e dívida
A geração de caixa livre atingiu R$ 2,2 bilhões nos últimos 12 meses, crescimento de 34% em relação a igual período anterior. O menor nível de investimentos e o crescimento do Ebitda acumulado ajudaram.
A alavancagem caiu para 2,52 vezes dívida líquida sobre Ebitda, ante 3,15 vezes no primeiro trimestre de 2025, atingindo o menor nível desde o quarto trimestre de 2021.
O Assaí também reduziu em R$ 1,2 bilhão o volume de recebíveis descontados e encerrou o período com disponibilidade total de caixa de R$ 7,5 bilhões, alta de 25,1% na base anual.
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