AST: empresa de satélites derrete na bolsa após explosão de foguete da Blue Origin
As ações da AST SpaceMobile (ASTS) despencam no pré-mercado desta sexta-feira, 29. Durante o pregão de quinta, 28, o papel havia subido quase 3%, fechando a US$ 133,09 na Nasdaq, e caminhava para a quarta semana seguida de alta, além do melhor mês em quase um ano.
A virada veio nas negociações do pré-mercado, com as ações caindo 13,6%, a US$ 114,98. A causa foi uma explosão no foguete New Glenn, da Blue Origin, que reacendeu dúvidas sobre o plano da empresa de lançar 45 satélites em 2026. Nos últimos 12 meses, acumula valorização de 464%, saindo de uma mínima de US$ 22,47.
O foguete da Blue Origin explodiu durante um teste estático na base de lançamento. A empresa de Jeff Bezos confirmou uma "anomalia" pelo X e informou que todos os funcionários estavam bem, mas foi o segundo grande contratempo envolvendo o veículo em menos de dois meses.
O incidente ocorreu dias depois que a Administração Federal de Aviação (FAA, em inglês) havia liberado o foguete para retomar os voos após a investigação do incidente anterior, segundo informações divulgadas pelo Yahoo Finance.
Uma sequência de tropeços da ASTS
Para entender por que o mercado reagiu tão mal, é preciso voltar algumas semanas. Na terceira missão do New Glenn, uma falha no estágio superior impediu o satélite BlueBird 7, da própria AST SpaceMobile, de alcançar a órbita pretendida. O satélite foi perdido.
A AST tinha seguro para a missão, o que amorteceu o impacto financeiro direto, mas o episódio já havia deixado os investidores em alerta. Agora, com o New Glenn fora de operação novamente antes mesmo de voar pela quarta vez, a questão que volta à tona é se a empresa consegue cumprir sua promessa de colocar 45 satélites em órbita.
A quarta missão do New Glenn seria a primeira de 24 lançamentos contratados com a Amazon para o Project Kuiper, e o veículo, com seu compartimento de carga de 7 metros, é especialmente adequado para os satélites maiores da próxima geração da AST, os Block 2, que podem ser enviados em grupos por voo.
A Blue Origin havia planejado até 12 lançamentos do New Glenn só neste ano.
A empresa tenta segurar o otimismo
Do lado da ASTS, o discurso é de que o plano segue de pé. O CEO Abel Avellan disse recentemente à CNBC que a empresa está "no caminho certo" para a meta, com lançamentos previstos "aproximadamente a cada mês".
O presidente Scott Wisniewski reforçou que a companhia conta com "alguns" lançamentos tanto pela Blue Origin quanto pela SpaceX, ou provedores equivalentes, e tem capacidade contratada suficiente para o cronograma.
Os satélites BlueBirds 8, 9 e 10 já estão em Cabo Canaveral, aguardando um lançamento pelo Falcon 9 previsto para meados de junho, em fase de processamento e integração final.
O analista de comunicações de satélites Tim Farrar, no entanto, já havia alertado que atingir a meta de 45 satélites exige execução precisa em múltiplas frentes, e cada novo contratempo do New Glenn comprime essa janela.
Bezos, Musk e Nasa reagem à 'anomalia'
O acidente gerou reações imediatas de nomes relevantes do setor. O fundador da Blue Origin, Jeff Bezos, foi direto: "dia muito difícil, mas vamos reconstruir o que precisar ser reconstruído e voltar a voar. Vale a pena."
O CEO da SpaceX, Elon Musk, cujos foguetes dominam o mercado comercial de lançamentos, comentou o comunicado da Blue Origin com uma mistura de solidariedade e pragmatismo: "lamento ver isso, espero que se recuperem rapidamente", escreveu, acrescentando em outro post: "muito infeliz. Foguetes são difíceis."
O administrador da Nasa, Jared Isaacman, disse que a agência acompanha o ocorrido no Complexo de Lançamento 36 e avaliará possíveis impactos nos programas Artemis e Moon Base. "Voos espaciais não perdoam, e desenvolver nova capacidade de lançamento pesado é extraordinariamente difícil."
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