Astrônomos encontram no centro da Via Láctea algo procurado há décadas

Por Maria Luiza Pereira 5 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Astrônomos encontram no centro da Via Láctea algo procurado há décadas

Depois de mais de meio século de tentativas, cientistas finalmente encontraram evidências do vento produzido por Sagittarius A* (Sgr A*), o buraco negro supermassivo localizado no centro da Via Láctea. A descoberta encerra uma longa busca da astronomia e ajuda a explicar como esses gigantes cósmicos influenciam a evolução das galáxias.

O estudo foi liderado por pesquisadores da Universidade Northwestern e publicado na revista científica Astrophysical Journal Letters. Para realizar a pesquisa, a equipe utilizou dados do radiotelescópio ALMA, no Chile, e do observatório espacial Chandra, da Nasa.

O que os astrônomos encontraram no centro da Via Láctea

Os pesquisadores identificaram uma enorme cavidade em formato de cone próxima a Sagittarius A*. A região está preenchida por gás quente e ionizado e, segundo os cientistas, só poderia ter sido criada pela ação contínua de um vento vindo do buraco negro.

A hipótese é que esse fluxo tenha varrido ou aquecido o gás frio que existia na área, deixando para trás uma espécie de vazio cósmico. A estrutura se origina muito perto do buraco negro e pode se estender por até 6,5 anos-luz, embora seu tamanho exato ainda não seja conhecido.

Segundo a física e astrônoma Lena Murchikova, uma das líderes do estudo, a descoberta resolve uma questão histórica. "Esta descoberta resolve um mistério de meio século", afirmou a pesquisadora.

Como os cientistas identificaram o fenômeno após décadas de buscas

Apesar da importância da descoberta, o vento detectado está longe de ser uma força devastadora. Sagittarius A* possui cerca de 4 milhões de vezes a massa do Sol, mas atualmente passa por uma fase relativamente tranquila. Por isso, o fluxo observado é bastante modesto quando comparado aos ventos e jatos extremamente energéticos registrados em outras galáxias.

O astrônomo Mark Gorski comparou o fenômeno ao clima terrestre. "É uma brisa suave vindo do nosso buraco negro supermassivo. Ela não parece forte o suficiente para reestruturar drasticamente o centro galáctico", disse o pesquisador.

Gorski destacou que os buracos negros passam a maior parte do tempo nesse estado calmo, mas ocasionalmente entram em períodos muito mais violentos. "Seus ventos ou jatos mais intensos podem desorganizar completamente suas galáxias hospedeiras e regiões muito além delas", explicou.

Como nasce o vento de um buraco negro?

Embora os buracos negros sejam conhecidos por engolir matéria, nem todo o material que se aproxima deles acaba sendo consumido. À medida que gás e poeira espiralam em direção ao buraco negro, eles aceleram a velocidades próximas à da luz. Esse processo gera enorme quantidade de energia e pressão, capaz de lançar parte da matéria novamente para o espaço.

"Enquanto parte do gás continua caindo, outra parte é ejetada. Na verdade, mais gás é expelido do que efetivamente cai no buraco negro", explicou Murchikova.

Uma peça fundamental da evolução galáctica

A descoberta tem implicações que vão muito além da Via Láctea. Os astrônomos acreditam que ventos produzidos por buracos negros supermassivos ajudam a controlar a distribuição de gás nas galáxias, influenciando a formação de estrelas e o crescimento das próprias estruturas galácticas.

Encontrar esse fenômeno justamente no centro da nossa galáxia oferece uma oportunidade única de estudar de perto um mecanismo que molda o Universo há bilhões de anos. Depois de décadas procurando um sinal que parecia ausente, os cientistas finalmente confirmaram que o coração da Via Láctea não está silencioso. Mesmo discreta, a brisa que sopra de Sagittarius A* revela que o buraco negro central continua exercendo sua influência sobre a galáxia.

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