Astrônomos encontram 'vento' de buraco negro em velocidade de 'furacão' no espaço
Astrônomos identificaram um quasar alimentado por um buraco negro supermassivo que produz ventos em velocidades extremas, chegando a cerca de 30% da velocidade da luz. O fenômeno foi observado em um objeto localizado a aproximadamente 3 bilhões de anos-luz da Terra e representa o vento ultravioleta mais rápido já detectado nesse tipo de estrutura cósmica.
A descoberta foi liderada por pesquisadores da Universidade de York, no Canadá, e publicada na revista científica The Astrophysical Journal. Segundo a equipe, os fluxos de matéria carregam enormes quantidades de energia e podem influenciar diretamente a evolução das galáxias onde se formam.
O objeto estudado, conhecido como J2318, abriga um buraco negro com massa estimada em 1,7 bilhão de vezes a do Sol.
'Furacão' no espaço
Os pesquisadores calcularam que o gás expelido pelo quasar alcança velocidades próximas de 323 milhões de quilômetros por hora.
Embora ventos ainda mais rápidos já tenham sido observados em comprimentos de onda de raios X, a equipe afirma que J2318 detém o recorde para observações realizadas na faixa ultravioleta.
Para ilustrar a intensidade do fenômeno, os cientistas compararam o vento a um hipotético furacão de categoria 79. A analogia ajuda a dimensionar a velocidade observada, embora o mecanismo físico seja completamente diferente dos ventos existentes na Terra.
Como surgem os ventos de um buraco negro
Os quasares estão entre os objetos mais brilhantes do Universo. Eles se formam quando enormes quantidades de gás e poeira são atraídas para um buraco negro supermassivo localizado no centro de uma galáxia.
Segundo o estudo, esse material gira ao redor do buraco negro em um disco de acreção extremamente quente. Durante o processo, grandes quantidades de energia são liberadas em forma de radiação, que empurra o gás para longe do sistema, criando poderosos ventos cósmicos.
Diferentemente dos ventos terrestres, que surgem por variações de pressão atmosférica, os ventos dos quasares são impulsionados pela interação entre fótons e partículas de matéria.
Descoberta ajuda a entender a evolução das galáxias
A equipe identificou o fenômeno a partir de observações realizadas pelo Sloan Digital Sky Survey (SDSS), um dos maiores projetos de mapeamento do céu já realizados. Os dados espectroscópicos revelaram assinaturas da presença de gás em movimento extremamente rápido ao redor do quasar.
Segundo os pesquisadores, esses ventos podem desempenhar um papel importante na evolução das galáxias. Ao expulsar gás e poeira para o espaço, eles reduzem a matéria-prima disponível para a formação de novas estrelas.
Por isso, compreender como esses fluxos de energia funcionam é considerado essencial para melhorar modelos que simulam o crescimento das galáxias ao longo da história do Universo. Os autores afirmam que continuarão procurando exemplos semelhantes em diferentes regiões do cosmos.
Apesar disso, encontrar um fluxo ultravioleta mais veloz do que o observado em J2318 pode ser uma tarefa difícil. O objeto já representa um dos casos mais extremos conhecidos de interação entre um buraco negro supermassivo e o ambiente ao seu redor.
A descoberta oferece uma nova oportunidade para investigar como quasares transferem energia para suas galáxias hospedeiras e como esse processo influencia a formação e a evolução das estruturas cósmicas.
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