Aterro sanitário no Chile lidera entre os maiores emissores de metano, diz ONU
Nos arredores de Santiago, capital do Chile, existe um aterro sanitário que atende cerca de 7 milhões de pessoas. O local tem nome de paisagem — Lomas Los Colorados — mas carrega um dado que destoa de qualquer beleza: segundo a ONU, é o ponto de maior emissão de metano no mundo.
O levantamento foi publicado na última semana pelo Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) e integra o Sistema de Alerta e Resposta ao Metano (MARS), que reúne dados de mais de 30 satélites para monitorar grandes fontes do gás estufa. A pesquisa mapeia os 50 maiores emissores globais em diferentes setores.
Anualmente, o aterro lança cerca de 102,6 mil toneladas do gás na atmosfera — uma quantidade equivalente à fumaça produzida por 2 milhões de carros durante um ano inteiro, segundo cálculo da agência Reuters.
A vantagem sobre o segundo colocado é expressiva: o Pnuma aponta que Lomas Los Colorados emite cerca de 20 mil toneladas a mais do que a segunda instalação da lista, um campo de petróleo e gás no Turcomenistão. Os 20 locais seguintes geram, em média, 60 mil toneladas a menos do que o aterro chileno.
O que diz a dona do aterro
A KDM Empresas, parte do grupo norte-americano-espanhol UrbaserDanner que administra o local, não nega os números, mas contesta a metodologia. A companhia ressalta que o estudo da ONU baseou suas projeções em dados coletados em um único dia, sem considerar variações climáticas e outras dinâmicas da instalação.
A empresa também destaca que mantém, desde 2007, um programa de captação de metano e geração de biogás — que capta, em média, 38,8 milhões de toneladas cúbicas do gás por ano e abastece a usina elétrica do próprio aterro.
Por que o metano importa
O metano é um dos principais vilões do aquecimento global, responsável por cerca de um quarto de todas as emissões que alteram o clima, de acordo com dados das Nações Unidas.
Ao contrário do dióxido de carbono, que permanece na atmosfera por séculos, o metano age com mais intensidade no curto prazo — o que torna sua redução uma das alavancas mais imediatas para conter o aquecimento.
O sistema MARS foi criado justamente para encurtar o caminho entre a detecção e a ação: ao identificar grandes fontes em tempo real via satélite, o Pnuma busca pressionar países e operadores a tomar medidas de mitigação antes que as emissões se acumulem ainda mais.
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