Atrasados do imposto de renda turbinam demanda por contador na reta final da declaração

Por Rebecca Crepaldi 26 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Atrasados do imposto de renda turbinam demanda por contador na reta final da declaração

Faltam apenas quatro dias para o término do prazo para enviar a declaração do Imposto de Renda (IR) 2026 – e não há previsão de prorrogação. O ditado é verdade: o brasileiro deixa tudo para última hora, pelo menos é o que mostram os números.

Um estudo do GetNinjas descobriu que as buscas por contadores dispararam até 45% no Sudeste nessa reta final. Desde o começo da declaração até agora, essa procura chegou até 189% em alguns estados, quase triplicando.

A análise, que acompanhou o comportamento dos usuários entre o final de março e maio, mostra que o volume de pedidos por suporte contábil explodiu logo nas primeiras semanas de abril e ganhou uma "segunda onda" de força em maio, impulsionada pela proximidade do deadline.

Rio de Janeiro se destaca

Quando observado o Rio de Janeiro, a busca foi mais intensa durante todo o período. No mercado fluminense, a procura por contadores atingiu um pico de 189% de crescimento em comparação ao período pré-IR, quase três vezes o valor original.

O estado também se destaca pela volatilidade, registrando picos intensos e um novo fôlego de alta de 30% na segunda semana de maio, indicando o desespero dos atrasados.

Em Minas Gerais, o crescimento foi de 126% no pico e apresentou o comportamento mais estável e distribuído ao longo das sete semanas analisadas.

Sem grandes oscilações bruscas, o mercado mineiro manteve uma curva firme, mas não escapou do efeito da reta final: a primeira semana de maio trouxe um novo pico de 45% em relação à última semana de abril, confirmando que o mineiro também recorreu ao suporte profissional na reta final.

Já o estado de São Paulo registrou uma alta de 149% no pico das buscas em relação ao período que antecedeu o Imposto de Renda. O volume paulista mais que dobrou logo na primeira semana de abril (+121%) e manteve um patamar elevado ao longo de todo o período.

Entretanto, na reta final, ele está mais “comportado”: uma alta de 30% frente os 45% do Rio de Janeiro e de Minas Gerais – ainda assim, um novo pico.

Em termos de volume total, São Paulo centraliza a força do mercado e concentra cerca de 60% de toda a demanda somada dos três estados analisados.

"O contribuinte brasileiro percebeu que a malha fina está cada vez mais rigorosa e digitalizada, o que eleva o medo de errar na declaração de última hora. Delegar a tarefa para um especialista se tornou a estratégia mais segura para evitar dores de cabeça com a Receita Federal", avalia Pedro Nazareth, diretor Comercial e de Novos Negócios do GetNinjas.

Tudo o que você precisa saber para declarar

Nesta hora de declarar, muitas dúvidas surgem: posso fazer pelo celular? Vale mais a pena a pré-preenchida? O que tenho que declarar exatamente? Para que serve o informe de rendimentos? Para ajudar nesse momento, a EXAME separou os principais pontos.

Por onde começo?

Para começar, é necessário ter todos os documentos em mãos, como informes de rendimentos de empregadores, bancos e corretoras, comprovantes de despesas dedutíveis (saúde, educação, aluguéis, serviços de autônomos) e registros de bens, dívidas, investimentos e doações.

O passo a passo para fazer a declaração, seja manual ou a pré-preenchida, é simples:

Só posso entregar a declaração pelo programa?

Além do programa para computador, a declaração também poderá ser feita pelo sistema “Meu Imposto de Renda”, acessível por celular, tablet ou navegador. A plataforma, no entanto, exige conta Gov.br nos níveis prata ou ouro.

Por que optar pela pré-preenchida?

O modelo pré-preenchido carrega automaticamente rendimentos, deduções, bens, direitos e dívidas, oferecendo mais segurança e prioridade na restituição. No entanto, embora a declaração pré-preenchida reduza o risco de erros, ela não garante que todas as informações estejam completas ou corretas. Por isso, também é necessário revisão.

A Receita Federal estima que 44 milhões de declarações sejam entregues dentro do prazo. Dentre esse número, 60% devem vir na modalidade pré-preenchida.

Informes de rendimentos

Os informes funcionam como um “espelho” dos rendimentos obtidos pela pessoa física ao longo de um ano-calendário — no caso, 2025. E atenção: fontes pagadoras, como empregadoras ou instituições financeiras (bancos, corretoras, fintechs) precisavam enviar os documentos até 27 de fevereiro.

A obrigação de enviar o informe de rendimentos decorre de Instrução Normativa da Receita Federal, e o seu descumprimento sujeita a fonte pagadora à aplicação de penalidades.

Até quando vai a declaração?

Quem não entregar a declaração do Imposto de Renda dentro do prazo estará sujeito a multa, que varia de acordo com o valor do imposto devido. A penalidade mínima é de R$ 165,74, enquanto o teto pode chegar a 20% do imposto que teria de ser pago.

Mas, mesmo que o contribuinte não tenha imposto a recolher, a multa mínima ainda se aplica. Além disso, o atraso aumenta o risco de acréscimos de juros e pode gerar problemas futuros junto à Receita Federal, como restrições no CPF ou dificuldades em declarações subsequentes.

Quem é obrigado a declarar?

Ficam obrigados a declarar quem:

O que tem que ser declarado no IR?

No Imposto de Renda, é necessário declarar basicamente tudo que impacta seus rendimentos, bens e obrigações financeiras. Entre os principais itens estão:

Tudo que não for declarado pode gerar inconsistências e, dependendo do caso, levar a multa ou retenção da restituição.

Restituição

A Receita Federal definiu o calendário de restituição do Imposto de Renda 2026 com um formato mais enxuto e antecipado: serão quatro lotes, em vez de cinco, com início em 29 de maio — data limite para entrega da declaração.

A mudança reduz o intervalo entre a declaração e o pagamento e altera o ritmo tradicional de devolução do imposto.

O cronograma segue até agosto e substitui o modelo adotado em anos anteriores, quando a restituição era distribuída em cinco lotes ao longo de um período maior ao longo do ano.

Agora as datas oficiais de pagamento são:

Os dois primeiros lotes, pagos em maio e junho, devem concentrar quase todos os contribuintes com direito à restituição.

Confira, abaixo, as principais datas

13 de março de 2026 – publicação da Instrução Normativa nº 2.312, com as regras do Imposto de Renda.

19 de março de 2026 – liberação do programa gerador da declaração (PGD) para download, ainda sem transmissão.

23 de março de 2026 (8h) – início do prazo de entrega das declarações e da transmissão ao sistema da Receita. Também fica disponível a declaração pré-preenchida.

27 de março de 2026 – início do processamento das declarações enviadas.

10 de maio de 2026 – prazo final para:

optar pelo débito automático da primeira parcela do imposto a ser pago,

e entrar no primeiro lote de restituição.

29 de maio de 2026 (último minuto) – prazo final para envio da declaração.

29 de maio de 2026 –

pagamento do 1º lote de restituição,

vencimento da cota única ou da primeira parcela do imposto.

Parcelamento do imposto

O imposto devido pode ser dividido em até 8 parcelas.

A primeira parcela vence em 29 de maio, e as demais vencem no último dia útil de cada mês.

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