Australian Open, F1 e microdramas: formatos curtos, máximo engajamento

Por Da Redação 20 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Australian Open, F1 e microdramas: formatos curtos, máximo engajamento

*Por Raphael Pinho

Vivemos a era da atenção fragmentada. E, nela, o formato curto não é simplificação, mas precisão. As novas gerações não consomem menos conteúdo. Consomem conteúdo mais condensado. Em suma, formato curto para descoberta e formato denso para retenção.

Atenção “microscópica” e fragmentada

Estudos mostram que a atenção humana em telas diminuiu drasticamente nas últimas décadas. Hoje, a média está em torno de 8 segundos, menor até do que a memória ou capacidade de foco de um peixe-dourado. Esse é o reflexo do ambiente de consumo hiperfragmentado e da sobrecarga informacional.

Esse comportamento se reflete também no comportamento com vídeos. Segundo um relatório da WifiTalents, empresa de inteligência de dados da Global Commerce Media, cerca de 2,7 segundos é o tempo que uma pessoa demora para decidir se fica ou sai de uma página digital. Não por acaso, conteúdos curtos (até 60 segundos) têm engajamento significativamente maior que formatos longos.

Era do Zettabyte

De acordo com uma estimativa da International Data Corporation (IDC), em 2025 o total de dados gerados no mundo chegou a 175 zettabytes, um recorde histórico. Essa explosão provoca um fenômeno conhecido como “pobreza de atenção”: quanto mais informação existe, mais difícil é para qualquer conteúdo capturar e manter o foco.

Ok. Mas, onde entra o Australian Open nessa história?

Mesmo sendo um dos Grand Slams mais tradicionais do planeta (e o primeiro da temporada), a organização percebeu que precisava ampliar o interesse para públicos além dos tradicionais fãs do tênis.

Entra em cena (ou em quadra) o Million Dollar One Point Slam, um torneio paralelo de um único ponto, disputado entre tenistas da ATP e amadores. A iniciativa tem a parceria do Herald Sun, tradicional jornal de Melbourne.

Além de esquentar a audiência e o engajamento sobre o Slam, ele já nasce formatado para cortes de redes sociais, amplificando a capilaridade do assunto de forma exponencial.

E ainda com elementos de gameficação: a disputa de saque com Jokenpô (papel, tesoura e pedra), dando um toque lúdico extra e humanizando os atletas. É por isso que vemos o mesmo movimento de conteúdos rápidos e a lógica de cortes em universos diferentes.

Microdramas no TikTok

O fenômeno dos microdramas no TikTok ratifica essa tendência poderosa. Na plataforma, o cenário se desenhou para narrativas completas em poucos minutos (a ponto de a própria Globo entrar nesse jogo).

Na China, esse boom já começou há um tempo. Para se ter ideia, em 2024 o país produziu mais de 30 mil microdramas, com lucros de 50,4 bilhões de yuans, aproximadamente 6,82 bilhões de dólares.

Já a receita internacional com o formato atingiu 1,52 bilhão de dólares entre janeiro e agosto de 2025, um aumento de 194,9% na comparação com o mesmo período do ano anterior (dados da Associação de Serviços de Transmissão na Internet da China).

No Brasil, o Kwai confirmou que o volume de visualizações do formato de novelas verticais cresceu de 42 bilhões para 60 bilhões de 2023 para 2024. E, claro, grandes players como a Globo (com "Tudo Por Uma Segunda Chance") e SBT ("Refollow") entraram no mercado, com foco em "consumo snack" (rápidos, verticais, com ganchos).

Esse movimento parece ser apenas o começo por aqui, levando em conta as nossas características como um país intensamente conectado, de grande tradição narrativa e de enorme paixão pela dramaturgia.

A velocidade da velocidade

O glamoroso circo da Fórmula 1 também aderiu ao formato em sua gestão pós-Bernie Ecclestone, agora sob o comando da Liberty Media. A modalidade entrou na pista com o F1 Sprint, uma dinâmica com menos voltas, mais intensidade e decisão. A prova tem um terço de duração das tradicionais e acontece em circuitos que facilitem a ultrapassagem. Outro sinal claro de adaptação para a redução do time-to-value do espectador-consumidor.

Para completar, vale observar que a indicação ao Oscar do filme F1, produzido por Lewis Hamilton, reforça que o esporte hoje é um hub de entretenimento multiplataforma, onde o curto e o longo convergem para fortalecer o equity da marca. Essa é a prova de que cruzar atenções é tão importante quanto cruzar a linha de chegada.

Esse mesmo raciocínio já opera fora do entretenimento:

Reuniões estratégicas e pitches mais objetivos. Treinamentos corporativos focados em aplicação real. Lançamentos de produtos voltados a nichos específicos. Cursos rápidos e trocas especializadas de conhecimento. Eventos culturais menores, mais próximos e mais relevantes.

Formato curto é respeito ao tempo do outro. O tempo virou o ativo mais valioso na era da atenção. E ponto.

O tempo é o novo prêmio. Como sua marca está competindo por ele?

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