Avanço das mulheres na liderança perdeu ritmo desde 2022, aponta estudo do LinkedIn
Depois de quase uma década de avanço consistente, o crescimento da presença feminina na liderança começou a perder ritmo no mundo, e o Brasil acompanha esse movimento.
É o que mostra o estudo “2026 State of Women in Leadership”, divulgado nesta sexta-feira, 5, pelo LinkedIn dias antes do Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo, 8. A análise indica que houve ganhos estruturais importantes desde 2015, mas que o avanço praticamente estagnou nos últimos anos.
Globalmente, as mulheres representam 44% da força de trabalho, mas ocupam apenas 31% dos cargos de liderança, considerando posições de vice-presidência e C-level.
Entre 2015 e 2022, a presença feminina nesses cargos subiu de 27,9% para 30,7%, um crescimento médio de 0,4 ponto percentual ao ano. Já entre 2022 e 2025, o avanço foi de apenas 0,3 ponto percentual — sinal de desaceleração.
O dado mais recente reforça o freio: no último ano, o crescimento foi de apenas 0,1 ponto percentual.
Apesar da estagnação recente, o saldo da década segue positivo. Em dez anos, a presença feminina na liderança global avançou 3,1 pontos percentuais, passando de 27,9% para 31%.
O cenário atual, segundo o LinkedIn, não representa um retrocesso estrutural, mas sim uma desaceleração após um ciclo consistente de progresso.
“É importante reforçar que a última década foi de avanços globalmente. O Brasil, em especial, se aproximou dos patamares de grandes economias em termos de representatividade feminina na liderança. O momento atual é de desaceleração, não de retrocesso. O desafio passa a entender onde a progressão está perdendo força e como destravar esses pontos ao longo da trajetória profissional”, afirma Ana Plihal, Executiva de Soluções de Talento do LinkedIn Brasil.
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Brasil acompanha a desaceleração global
No Brasil, os números são semelhantes, e ligeiramente melhores do que a média global. As mulheres representam 45,2% da força de trabalho brasileira e 32,2% da liderança, percentual um pouco acima do cenário mundial.
A evolução também seguiu uma trajetória semelhante à global:
Ou seja, após anos de crescimento, a participação feminina na liderança no país permaneceu estável nos últimos três anos.
Ainda assim, a última década trouxe avanços relevantes: entre 2015 e 2025, a presença feminina em posições de decisão no Brasil cresceu 3,2 pontos percentuais.
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O problema não está na entrada - está na progressão
Os dados mostram que o desafio não está no acesso inicial ao mercado de trabalho, mas sim na trajetória profissional.
Mulheres estão bem representadas na base da pirâmide corporativa, mas perdem espaço ao longo da carreira.
No Brasil, a participação feminina por nível hierárquico segue um padrão de queda progressiva:
Globalmente, o maior “penhasco” ocorre na transição entre VP e C-suite, etapa em que a presença feminina sofre a retração mais significativa.
No caso brasileiro, porém, a redução começa antes, indicando que o gargalo não está apenas no topo, mas ao longo de toda a jornada profissional.
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Brasil está próximo das grandes economias
Em comparação internacional, o Brasil apresenta números semelhantes aos de países desenvolvidos.
A participação feminina em cargos de liderança é:
Os líderes globais, no entanto, ultrapassam a marca de 40% de mulheres na liderança, como Finlândia, Filipinas e Jamaica.
Isso indica que, embora o Brasil não esteja entre os países mais desiguais, ainda há distância em relação aos modelos mais equilibrados de liderança de gênero.
Gerações mais jovens avançam
O estudo também mostra que as gerações mais novas apresentam maior presença feminina na liderança.
No Brasil, a participação por geração é:
O padrão indica uma transformação gradual: quanto mais jovem a geração, maior a presença feminina em cargos de liderança.
Por outro lado, o aumento do gap ao longo da carreira sugere que barreiras estruturais ainda surgem com o passar do tempo.
Mais educação não garante liderança
Outro dado do estudo chama atenção: o aumento da escolaridade feminina não se traduz automaticamente em mais presença no topo das empresas.
No Brasil:
A queda média entre escolaridade e liderança gira entre 27% e 29%.
Globalmente, a discrepância é ainda maior entre profissionais com doutorado: mulheres representam 44,2% da força de trabalho, mas apenas 28,7% da liderança.
Para o LinkedIn, os números indicam que o desafio não está na qualificação, mas no acesso às oportunidades de poder e decisão.
“Quando a avaliação passa a priorizar habilidades, e não apenas o histórico formal de carreira, mais profissionais entram no radar para posições estratégicas. Isso amplia a mobilidade interna, torna os critérios mais claros e ajuda a remover barreiras que muitas vezes operam de forma silenciosa, fortalecendo de maneira consistente o caminho até a liderança”, diz Plihal.
Empreendedorismo cresce como alternativa
Enquanto o avanço corporativo desacelera, o empreendedorismo surge como uma alternativa de liderança para muitas mulheres.
No Brasil, a participação é semelhante: 29,5% dos founders são mulheres, avanço de 4,9 pontos percentuais desde 2015.
O cargo de “founder” entrou pela primeira vez entre as posições que mais crescem no ranking global de profissões em alta, segundo o LinkedIn.
O movimento sugere que muitas mulheres estão criando seus próprios espaços de liderança, em vez de depender exclusivamente da ascensão corporativa.
Metodologia do estudo do LinkedIn
O relatório “2026 State of Women in Leadership” foi elaborado a partir de dados agregados e anonimizados de perfis profissionais do próprio LinkedIn. A análise acompanha a evolução da presença feminina em cargos de liderança entre 2015 e 2025 em diversos países, incluindo o Brasil.
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