Aversão ao risco derruba Ibovespa e faz dólar subir mais de 1%
O Ibovespa cai 1,57%, a 175,6 mil pontos, na abertura das negociações na B3 nesta sexta-feira, 15, em um dia de valorização para o dólar e petróleo. Com o fim da cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping em Pequim, e perspectiva é de que a China comprará a commodity dos Estados Unidos.
Por volta das 10h30 (horário de Brasília), o dólar comercial subia 1,34% e o petróleo, 2,25%.
Os papéis da Vale caem 2,84%, assim como os do Itaú, -0,97%. As ações da Petrobras, por outro lado, sobem entre 0,09% a 0,34%. CSN (-5,40%), Cosan (-5,16%) e Cyrela (-4,57%) estão entre as maiores baixas. Axia Energia (-2,10%) e Bradesco (-1,18%) também recuam. Já Cury e Prio avançam 0,72% e 1,06%, respectivamente.
O head de análise da The Link Investimentos, Artur Horta, destacou que o mercado abriu a sexta-feira em um ambiente de forte aversão a risco global, impulsionado principalmente pelas preocupações com inflação diante da continuidade da alta do petróleo. A ausência de avanços nas negociações envolvendo EUA e Irã mantém o temor de um choque prolongado nos preços da energia, pressionando inflação e juros.
Dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de março, divulgados às 9 horas, mostram um recuo mensal de 1,2% do setor de serviços no Brasil, com destaque para o segmento de transportes (-1,7%). O analista da pesquisa, Luiz Carlos de Almeida Junior, detalhou que "todas as cinco atividades investigadas mostraram queda na comparação com o mês imediatamente anterior." As projeções apontavam para uma alta de 0,2%.
Houve, ainda, queda mensal de 4% no índice de atividades turísticas no mês consultado, o segundo resultado negativo em seguida. "Esta retração foi influenciada pelos recuos observados nos serviços de hotéis, serviços de reserva relacionados à hospedagem, transporte aéreo e locação de automóveis", acrescentou Almeida Junior, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Nos Estados Unidos, o índice de atividade industrial Empire State subiu para 19,6 em maio, divulgado na manhã de hoje pelo Federal Reserve (Fed). Analistas do FactSet estimavam uma queda de 5,4 no indicador que mede a saúde financeira do setor de manufatura com 200 fabricantes no estado de Nova York.
Petróleo sobe forte
O petróleo sobe forte após declarações de autoridades sobre o Estreito de Ormuz. O Brent subia cerca de 2,25%, para US$ 108,10 o barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência de preços nos EUA, avançava quase 2,61%, negociado acima de US$ 103. Mais cedo, a alta passou dos 4%.
O mercado repercutia sinais de que Trump deve voltar a concentrar atenções no conflito envolvendo o Irã após o encontro com Xi. Os dois líderes concordaram que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto, segundo informações divulgadas pela Casa Branca.
Além disso, Trump afirmou que a China pretende comprar petróleo dos EUA, incluindo carregamentos vindos do Texas, Louisiana e Alasca. Pequim, porém, ainda não confirmou oficialmente os planos de aquisição, mas isso já foi o suficiente para alavancar os patamares de preço no mercado.
Wall Street em queda
As bolsas estadunidenses operavam em queda hoje, pressionadas, principalmente, pelo recuo das ações de tecnologia e pela alta dos rendimentos dos Treasuries, em meio à frustração dos investidores com o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, que terminou sem grandes avanços concretos.
O S&P 500 caía 1%, enquanto o Nasdaq recuava 1,4%. Já o Dow Jones perdia 336 pontos, ou 0,7%.
O movimento atingia, em especial, as gigantes de tecnologia e semicondutores, que tiveram semanas de forte valorização impulsionada pela inteligência artificial (IA).
Intel caía cerca de 4%, enquanto AMD e Micron Technology recuavam cerca de 3%. Nvidia também operava em baixa, ao lado da Cerebras Systems, que devolvia parte do salto de 68% registrado na estreia na Nasdaq no pregão anterior.
A pressão sobre as ações também vinha do avanço dos juros dos títulos do Tesouro americano. O rendimento da T-note de 30 anos ultrapassava 5,1%, renovando temores sobre inflação persistente e juros elevados nos EUA, especialmente depois dos dados mais fortes de inflação divulgados nesta semana e da alta do petróleo.
Tom negativo na Europa
Na Europa, o tom também era negativo. O índice pan-europeu Stoxx 600 caía 1,6%, enquanto as bolsas de Frankfurt e Londres recuavam cerca de 2%. Investidores reagiam à combinação entre inflação mais forte nos EUA, avanço do petróleo e aumento das incertezas políticas no Reino Unido.
Ásia fecha em baixa
Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em baixa. O destaque ficou com a Coreia do Sul, onde o índice Kospi despencou mais de 6% após renovar máximas históricas no início do pregão. A queda foi puxada pelas ações da Samsung Electronics e da SK Hynix, em meio a preocupações com a IA.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: