Aversão ao risco mantém dólar perto da estabilidade, a R$ 5,25

Por Clara Assunção 6 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Aversão ao risco mantém dólar perto da estabilidade, a R$ 5,25

O dólar à vista encerrou esta quinta-feira, 5, em leve alta de 0,08%, cotado a R$ 5,254. Ao longo do pregão, a moeda americana chegou a tocar a máxima de R$ 5,28 e a mínima de R$ 5,23. Na véspera, o câmbio havia fechado estável.

O movimento acompanhou parcialmente o avanço da moeda no exterior. O índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas de países desenvolvidos, avançou 0,22%.

O fortalecimento do dólar ocorreu em um ambiente global de maior cautela, puxado por novos sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho dos Estados Unidos.

O número de vagas de emprego abertas continuou apresentando tendência de queda no país, chegando a pouco mais de 6,5 ​​milhões em dezembro, de acordo com o relatório Jolts publicado pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho norte-americano. A estimativa de analistas consultados pela Reuters era de 7,2 milhões.

O relatório da Challenger, Gray & Christmas mostrou ainda que empregadores americanos fecharam 108 mil vagas de trabalho em janeiro, o maior número de demissões no mês desde o auge da recessão provocada pela crise do subprime, em 2009.

Já os pedidos de seguro-desemprego aumentaram em 22 mil, para 231 mil, na última semana de janeiro.

Segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, parte dessa variação expressiva pode estar relacionada a fatores pontuais, como o inverno rigoroso nos Estados Unidos, que costuma afetar setores como hotelaria e restaurantes, com demissões temporárias seguidas de recontratações.

Ainda assim, o dado foi considerado forte e negativo, reforçando preocupações com a atividade econômica. O movimento levou à queda generalizada dos yields dos títulos do Tesouro americano, com recuos nas taxas dos papéis de dois, dez e até 30 anos, refletindo a percepção de uma economia mais fraca.

Aversão ao risco pesou no mercado

Em tese, esse conjunto de dados tenderia a pressionar o dólar para baixo. No entanto, isso não se confirmou de forma mais intensa. Para Castro Alves, a explicação está no comportamento dos ativos de risco.

"O mercado passa por um dia de realização, com quedas relevantes em ativos de tecnologia e um sell-off que se intensificou, inclusive com o Bitcoin recuando para abaixo de US$ 67 mil", afirmou.

Esse aumento da aversão ao risco acabou sustentando a demanda pela moeda americana, resultando em uma valorização moderada, em linha com o avanço do DXY.

Na mesma linha, Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, avalia que o movimento do câmbio foi puxado principalmente por fatores externos, em especial a valorização do DXY após os dados mais fracos de emprego nos EUA. Esse ambiente global mais cauteloso tem pressionado moedas emergentes de forma geral.

"No Brasil, o movimento poderia ser ainda mais negativo para o real, mas o Ibovespa tem caminhado na contramão, sustentado por entrada de recursos estrangeiros na bolsa — com destaque para bancos — o que tem limitado uma alta mais forte do dólar", disse Shahini.

O Ibovespa caminhou na contramão do exterior e ajudou a conter uma valorização mais forte da moeda americana. Por volta das 17h20, o principal índice da B3 subia 0,50%, aos 182.613 pontos.

No mercado de commodities, o dia também foi de correção acentuada. Os contratos futuros de ouro deram continuidade ao movimento volátil das últimas sessões e fecharam em queda, pressionados pelo fortalecimento do dólar no exterior.

Na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato do metal precioso para entrega em abril recuou 1,24%, cotado a US$ 4.889,5 por onça-troy. O ativo não conseguiu se beneficiar do ambiente de aversão ao risco, mesmo diante de dados negativos do mercado de trabalho americano.

No Brasil, fatores domésticos também ajudaram a compor o cenário do câmbio. Castro Alves destaca que a retomada dos trabalhos do Congresso, com pautas consideradas sensíveis, como discussões sobre aumento de salários e gastos, reforça as preocupações fiscais e contribui para um viés de fortalecimento do dólar frente ao real.

O que é o dólar à vista

O dólar à vista é o valor negociado no mercado de câmbio para liquidação imediata, geralmente em até dois dias úteis. Esse tipo de câmbio é bastante utilizado em operações de curto prazo feitas por empresas e instituições financeiras.

A cotação do dólar à vista reflete o valor real de mercado no momento da transação, oferecendo transparência para quem precisa fechar negócios com rapidez.

O que é o dólar futuro

O dólar futuro corresponde a contratos de compra e venda da moeda para liquidação em uma data futura. Essa modalidade é negociada na Bolsa de Valores e ajuda empresas e investidores a se protegerem da volatilidade cambial.

Sua cotação varia conforme as expectativas do mercado em relação à economia, podendo se distanciar bastante do dólar à vista em momentos de incerteza.

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