Aversão ao risco pesa e Ibovespa tomba mais de 3% com conflito no Irã

Por Da Redação 3 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Aversão ao risco pesa e Ibovespa tomba mais de 3% com conflito no Irã

O Ibovespa se afastou das mínimas dos 180 mil pontos, com a queda de mais de 4%, mas segue estendendo as perdas no pregão desta terça-feira, 3. Às 14h24, o principal índice acionário da B3 mantinha a forte queda com baixa de 3,28%, aos 183.100 pontos. Nesse horário, dos 84 papéis que compõem o Ibovespa, 79 estavam em baixa e apenas três estáveis e apenas duas em baixa.

A bolsa brasileira se afastou das mínimas devido à alta mais intensa das ações da Petrobras. Nesse horário, as ações preferenciais e ordinárias da Petrobras (PETR3 e PETR4) lideravam com alta de 0,73% e 0,65%, respectivamente.

As ações de Brava (BRAV3) também subiam 0,47% estabilidade. O avanço de parte dos papéis do setor acompa a alta das cotações internacionais da commodity. A Prio (PRIO3), que liderava o pregão no início das negociações, passou a cair 1,45%, assim como as ações da PetroRecôncavo (RECV3), que recuavam 0,94%;

No mesmo horário, o dólar subia 2,25%, cotado a R$ 5,282.

Acirramento do conflito no Oriente Médio

O conflito geopolítico no Oriente Médio domina as expectativas do Ibovespa.

De acordo com Otávio Araújo, consultor Sênior da ZERO Markets Brasil, o risco de escalada entre Estados Unidos, Israel e Irã segue pressionando bolsas globais para baixo em um cenário de aversão a risco.

"A disparada do petróleo, em reação ao fechamento do Estreito de Ormuz, pode dar suporte a Petrobras e petroleiras como Prio, mas o dólar em R$ 5,25 e a alta nos DIs elevam o custo de capital para emergentes, limitando ganhos", afirmou Araújo.

No exterior, a expectativa é de que as bolsas de Wall Street abram voláteis, com Dow e S&P sob pressão de receios inflacionários globais que adiam cortes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), enquanto ouro e ações de defesa sobem como refúgios.

Àsia e Europa em forte queda

As bolsas asiáticas fecharam em forte baixa nesta terça à medida que a guerra no Oriente Médio, que hoje entrou em seu quarto dia, continua pesando no sentimento dos investidores. Liderando as perdas na Ásia, o índice sul-coreano Kospi sofreu um tombo de 7,24% em Seul, a 5.791.91 pontos, na volta de um feriado; esse é foi o pior pregão da bolsa em 11 meses.

A principal referência do Japão, o Nikkei, caiu 3,06% em Tóquio, a 56.279,05 pontos, o Hang Seng recuou 1,12% em Hong Kong, a 25.768,08 pontos, e o Taiex cedeu 2,20% em Taiwan, a 34.323,65 pontos. Até recentemente, o Kospi e o Nikkei vinham atingindo sucessivas máximas históricas.

Na Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 recuava 3,05%, caminhando para a maior queda em dois dias desde abril. O Euro Stoxx 50 cedia 3,62%, enquanto o DAX, da Alemanha, recuava quase 4%%. O índice italiano FTSE 100 também figurava entre os piores desempenhos do dia, com que de 2,64%.

PIB do Brasil

Internamente, o dado do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil é um destaque no acompanhamento dos investidores. No ano, o indicador cresceu 2,3%, totalizando R$ 12,7 trilhões. Os dados são do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No quarto trimestre, na comparação com os três meses imediatamente anteriores, a economia ficou praticamente estável e cresceu 0,1%. O crescimento da economia brasileira em 2025 foi acima do esperado pelo mercado no início do ano passado, que apontava um PIB anual de apenas 2,02%.

Conflito torna incerto corte de juros no Brasil?

O resultado veio em linha com a expectativa do mercado. Segundo Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter, o cenário pelo lado da demanda permanece apropriado para o início do ciclo de redução da taxa básica de juros, a Selic, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

"A alta do petróleo pode trazer algum incômodo, com maior risco no cenário externo, mas não tira o espaço para o início dos cortes no ritmo de 50 bps", afirma Vitoria.

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