AWS ganha tração na corrida da IA e tenta se diferenciar do tom alarmista do setor

Por André Lopes 20 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
AWS ganha tração na corrida da IA e tenta se diferenciar do tom alarmista do setor

A Amazon passou os últimos dois anos sendo tratada por analistas e investidores como uma competidora atrasada na corrida da inteligência artificial. A avaliação ganhou força após o avanço da parceria entre Microsoft e OpenAI, que ajudou a impulsionar o crescimento da plataforma de nuvem Azure e colocou a AWS em posição defensiva no mercado. Agora, porém, a empresa tenta reposicionar sua estratégia e transformar sua divisão de computação em nuvem em um dos principais polos globais de IA.

Segundo Matt Garman, CEO da AWS, o mercado começou a perceber valor em uma abordagem menos dependente das GPUs da Nvidia e mais baseada em infraestrutura própria. Em entrevista ao colunista Tim Higgins, do The Wall Street Journal, o executivo afirmou que a companhia foi subestimada no início da disputa. “As pessoas acharam que estávamos atrás”, disse.

A nova fase da Amazon envolve acordos bilionários com a OpenAI e a Anthropic, além de uma estratégia de longo prazo baseada em chips desenvolvidos internamente. A empresa também projeta investimentos de até US$ 200 bilhões em infraestrutura, movimento que busca ampliar capacidade de processamento para treinamento e operação de modelos de IA.

Diferentemente de parte do setor, a Amazon tenta adotar um discurso menos apocalíptico sobre os impactos da tecnologia. Enquanto executivos de empresas rivais fizeram alertas sobre riscos existenciais da IA e possíveis perdas massivas de empregos, Garman defendeu uma visão mais pragmática.

“Haverá novos tipos de trabalho e as pessoas precisarão aprender novas habilidades”, afirmou o executivo, rejeitando previsões de colapso econômico causado pela automação.

A mudança de tom também começa a aparecer em outras empresas do setor. O CEO da OpenAI, Sam Altman, recentemente pediu uma “desescalada” da retórica em torno da IA após episódios de hostilidade pública, incluindo um ataque incendiário contra sua residência em San Francisco.

Greg Brockman, presidente da OpenAI, afirmou em entrevista ao podcast Core Memory que os modelos de linguagem mudaram a percepção sobre o futuro da tecnologia. Segundo ele, o desenvolvimento de sistemas focados em compreender linguagem humana tornou o cenário “mais otimista”.

Amazon aposta em chips próprios para enfrentar Nvidia

Parte central da estratégia da Amazon vem de uma decisão tomada há mais de dez anos, quando a companhia adquiriu a startup israelense Annapurna Labs para desenvolver semicondutores próprios para a AWS.

O movimento resultou em chips como o Graviton, voltado para processamento tradicional, e o Trainium, criado para cargas de trabalho de inteligência artificial. Ambos passaram a ser peças importantes da estratégia de inferência — etapa em que modelos já treinados executam tarefas para usuários e empresas.

A expansão dessa frente ganhou relevância após investimentos bilionários da Amazon em empresas como Anthropic e OpenAI. Os acordos também ajudaram a consolidar o uso do Trainium em projetos de larga escala.

Até Jensen Huang, CEO da Nvidia, reconheceu recentemente que subestimou o impacto desse modelo de negócios. Em entrevista ao podcast de Dwarkesh Patel, o executivo afirmou que não havia percebido o quanto laboratórios de IA como OpenAI e Anthropic dependeriam de financiamento direto de fornecedores de infraestrutura.

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