Azul mira retomada seletiva de mercados após saída do Chapter 11
Recém-saída do processo de Chapter 11 nos Estados Unidos, a Azul vai focar em rentabilidade no redesenho da sua malha. Durante a recuperação judicial, a companhia encerrou operações em 14 cidades e realocou ativos para preservar caixa.
Segundo o CEO John Rodgerson, a empresa hoje opera em uma escala maior do que no auge da reestruturação, mas com disciplina maior na escolha dos mercados. “Nós somos maiores hoje do que nós éramos em 2025”, afirmou. Ao mesmo tempo, deixou claro que a volta a algumas praças será avaliada com cautela: “Nós sempre vamos buscar mercados onde nós temos mais rentabilidade”.
Rodgerson explicou que, no período mais crítico, a tolerância a rotas deficitárias foi reduzida ao mínimo. “Nossa paciência com o mercado que não era rentável era mínima. Então, nós tivemos que reconstruir a Azul, reconstruir nosso balanço”, disse. A estratégia agora é crescer com menor risco operacional. “Vamos ser muito mais conservadores alocando onde precisa e onde nós podemos ser mais rentáveis”, completou.
O executivo destacou que o ritmo de expansão também mudou. A Azul deve receber entre 5 e 10 aeronaves por ano, número bem inferior ao de ciclos anteriores. “Nós tivemos anos em que recebemos mais de 20 aeronaves. Quando você tem mais de 20 aeronaves, você vai errar em alguns mercados”, afirmou. Com menos aviões entrando simultaneamente, a companhia ganha margem para selecionar melhor as rotas e ajustar a oferta à demanda.
Além do redesenho da malha, a saída do Chapter 11 consolida a entrada de American Airlines e United Airlines no capital da Azul. Segundo Rodgerson, após a aprovação regulatória, ambos vão ter mais ou menos 8% de participação na companhia.
“O que eles estão mirando na Azul é que nós temos muito mais conectividade no país. A gente voa para muito mais destinos que qualquer outra empresa aérea”, afirmou o CEO, destacando o potencial de alimentar voos internacionais a partir de cidades fora dos grandes hubs.
A United é parceira da Azul há mais de uma década e chegou a ter assento no conselho da companhia. A American é uma novidade e deve se tornar um parceiro de code share com a empresa.
"Além de fazer parte de nossa base acionária, vamos ter um acordo comercial com eles".
United e American vão aportar, cada uma, US$ 100 milhões no Azul. Mas a entrada de recursos no caixa ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o que ainda não tem data certa para acontecer.
"A gente acha que o nosso caso vai ser aceito, por causa de tudo que nós fizemos em preparação, mas eu não quero comentar sobre o processo com as autoridades. Nós temos que respeitar o processo deles", disse o CEO.
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