Bactérias do intestino podem chegar ao cérebro e trazer novas pistas sobre Alzheimer

Por Vanessa Loiola 25 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Bactérias do intestino podem chegar ao cérebro e trazer novas pistas sobre Alzheimer

Bactérias presentes no intestino podem ser capazes de alcançar o cérebro ao percorrer estruturas do sistema nervoso, segundo novas evidências científicas. A descoberta reforça a conexão entre microbiota intestinal e doenças neurológicas, como o Alzheimer, e levanta hipóteses sobre novas formas de tratamento.

A constatação vem de um estudo conduzido por cientistas da Emory University, nos Estados Unidos, publicado na revista PLOS Biology. A pesquisa investigou como microrganismos podem se mover entre órgãos por meio do sistema nervoso.

Os pesquisadores identificaram que determinados microrganismos podem utilizar o nervo vago como uma espécie de via de conexão entre o intestino e o cérebro.

No experimento, realizado com camundongos, foi induzido um quadro de intestino permeável — condição que permite a passagem de bactérias pela barreira intestinal. Mesmo sem presença detectável no sangue, esses microrganismos foram encontrados no cérebro dos animais.

Quando o nervo vago foi bloqueado, a presença de bactérias no cérebro caiu significativamente, indicando que essa estrutura pode ser uma das principais rotas de transporte.

O que o estudo revela sobre Alzheimer

A descoberta amplia a compreensão sobre o Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas ao sugerir que a microbiota intestinal pode ter influência direta no cérebro.

Estudos anteriores já haviam encontrado vestígios de bactérias em cérebros humanos afetados pela doença, mas as novas evidências mostram a presença de microrganismos vivos em animais também vivos.

Ainda assim, os cientistas destacam que a quantidade observada foi muito baixa e não permite afirmar que esse processo cause doenças.

Relação entre intestino, cérebro e saúde mental

O chamado eixo intestino-cérebro tem sido amplamente estudado e envolve a interação entre o sistema nervoso, o sistema imunológico e a microbiota.

Pesquisas apontam que alterações no intestino podem estar associadas a condições de ansiedade, depressão e doenças neurodegenerativas, embora os mecanismos ainda não estejam totalmente definidos.

Apesar de ainda estar em fase inicial, o estudo sugere que, no futuro, intervenções no microbioma intestinal possam contribuir para o tratamento de doenças cerebrais.

A hipótese inclui o desenvolvimento de terapias capazes de modificar a microbiota para influenciar o funcionamento do cérebro.

Com isso, os pesquisadores ressaltam que mais estudos são necessários para verificar se esse mecanismo também ocorre em humanos.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: