Banco do Brasil deve enfrentar 2026 desafiador, admite Tarciana Medeiros
O Banco do Brasil deve enfrentar mais um ano "desafiador" em 2026, nas palavras da presidente-executiva Tarciana Medeiros. A avaliação foi feita nesta quinta-feira, 12, um dia após a divulgação do balanço do quarto trimestre, que trouxe lucro acima do esperado pelo mercado, mas ainda com sinais de pressão na inadimplência e com queda de 40,1% na comparação com 2024.
"2025 foi desafiador, 2026 será desafiador. Mas será desafiador dentro de um desafio que já aprendemos como fazer", afirmou a executiva em teleconferência com analistas.
Após encerrar 2025 com lucro líquido ajustado de R$ 20,7 bilhões — queda de 45,4% em relação a 2024 — o banco projeta para 2026 um resultado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. No ponto médio, a estimativa de R$ 24 bilhões representa crescimento de cerca de 15% na comparação anual. No quarto trimestre de 2025, o lucro ajustado somou R$ 5,7 bilhões, recuo de 40,1% em 12 meses.
Ações do BB sobem
Mesmo com o tom cauteloso da administração, as ações reagiram positivamente. Em um dia de queda de 0,10% do Ibovespa, os papéis ordinários do banco (BBAS3) figuraram entre as maiores altas, com avanço superior a 3%.
Para 2026, o BB projeta crescimento da carteira de crédito entre 0,5% e 4,5%, com expansão de 6% a 10% em pessoas físicas, estabilidade a leve queda no segmento corporativo (-3% a +1%) e variação de -2% a +2% no agro.
A receita líquida de juros (NII) deve crescer entre 4% e 8%, enquanto as provisões para perdas com crédito devem ficar entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões, abaixo dos R$ 62 bilhões registrados em 2025.
A instituição também prevê alta de 2% a 6% nas receitas com serviços e aumento de 5% a 9% nas despesas operacionais. O conselho já aprovou payout de 30% para 2026.
BTG vê guidance em linha
Na avaliação do BTG Pactual, a projeção de lucro entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões está praticamente em linha com o mercado, embora cerca de 5% abaixo da estimativa do banco. O ponto médio implica crescimento de 15% na comparação anual, após o tombo de 2025.
Para o BTG, o guidance sugere uma melhora gradual, com queda nas provisões e expansão moderada da margem financeira, ainda que em um ambiente de crescimento contido da carteira.
Itaú BBA adota tom mais cauteloso
Já o Itaú BBA classificou o resultado e as perspectivas como negativos. Segundo o banco, o lucro do quarto trimestre foi beneficiado por efeitos não recorrentes, como rendimentos de ações e impacto tributário positivo.
O BBA destacou que a carteira total cresceu apenas 2,5% em 2025 e que a qualidade dos ativos continuou a se deteriorar, com o índice de inadimplência (NPL) subindo para 5,2%, pressionado por agronegócio, varejo e um caso específico no segmento empresarial. Embora as provisões projetadas para 2026 (R$ 53 bilhões a R$ 58 bilhões) sejam inferiores às de 2025, seguem acima das expectativas do mercado.
Para o BBA, a faixa de lucro projetada indica uma recuperação lenta do retorno sobre patrimônio (ROE), em torno de 12% no ponto médio, com visibilidade ainda limitada sobre a normalização do crédito agrícola e os efeitos do ciclo da Selic.
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