BBA prefere ações americanas a 'Treasuries': entenda o motivo

Por Rebecca Crepaldi 17 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
BBA prefere ações americanas a 'Treasuries': entenda o motivo

Apesar dos títulos americanos de longo prazo estarem pagando o maior valor em quase 19 anos – alcançando a casa dos 5,2% há umas semanas, o Itaú tem uma visão cautelosa para alocação em Treasuries. Isso porque o ambiente ficou mais desafiador.

Em meio a um choque inflacionário provocado pela alta do petróleo — que fez a commodity sair da casa dos US$ 60 para mais de US$ 120 — e a uma economia dos Estados Unidos que continua resiliente, o banco avalia que o espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) está cada vez mais limitado, o que exige maior cautela dos investidores na renda fixa global.

Segundo Carolina Sato, estrategista de investimentos do Itaú, o mercado precisou rever rapidamente suas expectativas para a política monetária americana após a escalada das tensões geopolíticas. Antes do conflito entre EUA e Irã, os investidores ainda apostavam em cortes de juros ao longo do ano. Agora, o cenário é bem diferente.

A avaliação é que o choque inflacionário já começou a aparecer nos indicadores globais, impulsionado pela alta do petróleo. Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho americano segue forte, sem dar sinais de enfraquecimento que justificariam um afrouxamento monetário.

Diante desse quadro, a instituição passou a adotar uma postura mais conservadora em relação à renda fixa internacional. O problema não está necessariamente no rendimento oferecido pelos Treasuries, mas na dificuldade de enxergar um ambiente de queda de juros que favoreça a valorização desses papéis.

Thomas Wu, estrategista-chefe do Itaú, foi além ao afirmar que os títulos do Tesouro americano perderam parte do caráter excepcional que tiveram nos últimos anos. Embora continuem sendo um dos principais ativos de segurança do mundo, o aumento da dívida pública dos Estados Unidos e a persistência dos déficits fiscais passaram a gerar mais questionamentos entre investidores globais.

"A gente até tem Treasuries, mas eles ficaram um pouco menos excepcional. Não estou falando que os EUA viraram um emergente, mas talvez você tenha que ter um pouco menos desse papel."

Ainda segundo o executivo, Kevin Warsh, novo presidente do Banco Central americano, chega em um "momento bastante complicado".

Para ele, o investidor que busca exposição aos Estados Unidos encontra hoje oportunidades mais interessantes em ações do que nos títulos públicos. O banco mantém posição overweight em renda variável americana, sustentada principalmente pelo ciclo de investimentos em inteligência artificial, data centers e infraestrutura tecnológica.

A leitura do Itaú é que os EUA seguem ocupando uma posição central na economia global, mas o fluxo de recursos tem passado por uma redistribuição dentro do próprio mercado americano, com parte dos investidores reduzindo exposição à dívida pública e direcionando recursos para empresas ligadas ao avanço tecnológico.

Assim, embora o banco não veja uma deterioração estrutural da economia americana, o cenário de inflação resistente e juros elevados por mais tempo tem reduzido o apelo dos Treasuries como principal aposta para os próximos meses.

“O juro não precisa necessariamente subir mais, mas eu também não vejo tanto espaço para recuar”, conclui Sato, que mostra que a posição do Itaú em Treasuries é abaixo de neutro.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: