BDRs vão na contramão do Ibovespa e sobem quase 10% em maio

Por Clara Assunção 1 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
BDRs vão na contramão do Ibovespa e sobem quase 10% em maio

A forte correção da bolsa brasileira em maio expôs uma mudança de comportamento dos investidores após meses de valorização dos ativos acionários locais. Enquanto o Ibovespa registrou sua pior queda mensal desde fevereiro de 2023, os recibos de ações estrangeiras negociados na B3, os BDRs, Brazilian Depositary Receipts, foram na direção oposta.

Dados da consultoria Elos Ayta mostram que o Ibovespa recuou 7,22% no mês, interrompendo uma trajetória de ganhos que havia levado o índice a se aproximar dos 200 mil pontos ao longo dos primeiros três meses.

O resultado coincidiu com uma saída expressiva de recursos estrangeiros da bolsa brasileira e com o aumento das preocupações envolvendo tanto o cenário doméstico quanto o ambiente internacional. Até o dia 28 de maio, investidores estrangeiros haviam retirado R$ 14,3 bilhões da B3, segundo levantamento da Elos Ayta.

O movimento representa uma reversão do fluxo observado nos primeiros meses do ano, quando mercados emergentes como o Brasil se beneficiavam da migração de recursos para fora dos Estados Unidos.

Parte desse capital agora busca outros destinos, segundo Josias Bento, sócio da GT Capital. Bento aponta que os recursos migraram para bolsas asiáticas e para empresas de tecnologia americanas, movimento que ocorre ao mesmo tempo em que os índices Nasdaq e S&P 500 renovam recordes nos Estados Unidos.

A retirada de recursos ajudou a pressionar não apenas a bolsa, mas também o câmbio. Em maio, o dólar acumulou alta de 1,71%, a maior valorização mensal desde julho de 2025.

O cenário externo também contribuiu para a piora do humor dos investidores. As tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã elevaram a percepção de risco global, enquanto, no Brasil, persistem dúvidas sobre o quadro fiscal, a trajetória da inflação e o ritmo de queda dos juros. A combinação desses fatores levou investidores a reduzir exposição a ativos considerados mais arriscados.

O impacto foi sentido em diferentes segmentos da bolsa. O Índice de Dividendos (IDIV), que reúne empresas tradicionalmente procuradas por investidores em busca de renda, caiu 7,62% em maio, registrando seu pior desempenho em quase quatro anos. Já o índice Small Caps recuou 3,66%, acumulando o terceiro mês consecutivo de perdas.

BDRs avançam e sinalizam proteção

Na contramão desse movimento, o Índice de BDRs Não Patrocinados-GLOBAL (BDRX) avançou 9,22% no período, registrando sua melhor performance mensal desde junho de 2024. O BDRX é também indicador do desempenho médio das cotações dos BDRs Não Patrocinados, autorizados à negociação na B3.

E esse avanço, segundo a consultoria, reflete tanto a valorização de empresas estrangeiras quanto a busca dos investidores por diversificação geográfica em meio ao aumento da volatilidade.

Outros investimentos atrelados a ativos estrangeiros e renda fixa também ficaram entre as maiores altas. É o caso do Dólar Ptax, que subiu 1,37% no mês passado, e o CDI, que acumulou alta de 1,07%.

Ibovespa, porém, ainda bate o CDI

Apesar da turbulência recente, o desempenho acumulado de 2026 ainda permanece favorável para os ativos brasileiros. O Ibovespa sobe 7,86% no ano, superando o CDI, que avança 5,66%. O Índice de Dividendos também mantém retorno positivo, de 5,11%.

No horizonte de 12 meses, o ouro aparece como o ativo de melhor desempenho, com valorização de 32,56%, seguido pelo Ibovespa, que acumula alta de 26,83%, e pelo BDRX, com ganho de 24,08%.

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